
Pra quem não tem nenhum ou pouquíssimo contato com o mundo islâmico ou árabe em geral, ver as mulheres vestidas até a alma assusta. Eu estava vendo algumas cenas de Jade no mercado e lembrei da primeira vez que ví mulheres vestidas daquela forma. Foi lá em Jerusalém (Israel) há 15 anos atrás. Ví muitas mulheres judias com aquelas roupas enormes que escondia o formato do corpo e lenços que deixavam só o rosto amostra, mas meu choque mesmo viria quatro anos depois, quando pela primeira vez fui ao Egitão. Quando vi uma mulher de niqab confesso que fiquei morrendo de medo e tentando encontrar uma razão pra tudo aquilo. Na época eu era apenas uma turista que não sabia muita coisa sobre a cultura alheia e ainda tinha aquele comportamento absurdo de achar que a minha cultura que era a certa…
Os anos passaram e sete anos depois lá estava eu de volta ao Egitão, só que dessa vez como moradora, dormindo e acordando numa realidade bem diferente daquela que a agencia de viagem havia apresentado sete anos atrás. Já não tinha mais medo das muçulmanas que usavam niqab e tinha aprendido a respeitar a escolha delas. Meu contato direto com o mundo islâmico me fez entender muitas coisas e respeitar outras pencas delas, mas confesso que em matéria de certos usos e costumes, ainda tem varias coisas que não sei se realmente acrescentam.
A gente observa na novela o cuidado que as mulheres muçulmanas tem em não chamar a atenção dos homens alheios, e no mundo real é do mesmo jeitinho, isso é extremamente válido e quem dera se a mulher brasileira tivesse esse tipo de pensamento, mas por outro lado eu fico aqui pensando com meus botões sobre o exagero de algumas mulheres muçulmanas nessa modéstia, será que é necessário chegar ao extremo para isso? Seria mesmo da vontade de Deus que a mulher usasse um niqab que esconde toda a sua identidade? Bom, a ênfase aqui está no niqab porque estamos falando de O Clone onde o foco é o mundo islâmico, mas sou consciente de que esse exagero está presente em todas as religiões, talvez ela só seja um pouco mais acentuada entre os muçulmanos.
Por outro lado, o bom no mundo islâmico é que a mulher é valorizada pelas suas qualidades interiores, ela não tem que se matar em uma academia ou comer com uma balança a tira colo, lá os valores tem outro tipo de medida. Sem contar que pra aqueles lados de lá, mulher é mulher, diferente daqui, que mulher é objeto de prazer. Sinto saudades do Egitão, sabia?! Lá eu fazia regime pra ter um corpo saudável, aqui eu faço regime pra dar satisfação a sociedade. Que escravidão!
Por ser evangélica de uma denominação mais tradicional, onde a modéstia é algo levado a sério, me identifico com o comportamento feminino islâmico, em geral, no que diz respeito ao modo de se vestir, mas ainda assim não me sentiria a vontade vivendo em um país árabe, pelo “simples” fato de que a modéstia lá é levada ao extremo da questão.




























































