:: Lua de mel em grupo – Parte I ::

00075Vou começar a falar de assuntos pessoais por situações em que nenhum perfeccionista gostaria de passar: situações em que os fatos fogem dos planos e do controle…

Muito prazer, meu nome é… Ah! Esquece meu nome, isso é o que menos importa e manter o anonimato de vez em quando até que faz bem, principalmente em se tratando de uma perfeccionista que vai falar sobre imperfeições da vida. Hoje em dia me encontro no grupo das solteiras mas algum dia (ou dias) já fui casada, e é sobre isso que vou falar hoje. Chamaremos o ex marido de “falecido”, na verdade ele encontra-se vivinho da Silva, mas o sentido figurado desse termo me tras uma sensação de liberdade tão boa que resolví criar um link perpétuo entre embos.

Bom, minha história com o falecido é meio (ou toda!) inusitada, foge dos padrões considerados normais e aceitáveis para um casal rumo ao altar, qualquer dia desses quando eu acordar com coragem eu conto como tudo começou. Hoje eu quero falar apenas sobre a lua de mel. O falecido é egípcio e o casamento foi lá no Cairo. Ah! De onde eu sou?! Humm de algum lugar no lado direito de quem está de frente para o Brasil (Complicado né!? Também acho!). Mas então, lá estava eu na Terra dos Faraós e casada com um dos seus descendentes (será?!). Passei por toda burocracia de casamento com estrangeiro (outra longa história que conto qualquer dia desses) e já não via a hora de deixar o Cairo empoeirado e pegar a estrada rumo a tão sonhada lua de mel. O local escolhido foi Alexandria, finalmente teria a chance de ver o mar, depois de passar uns bons dias respirando a areia do Saara. Tudo estava correndo como meu perfeccionismo mandava, até que na noite anterior a viagem o falecido…

– Tomorrow we’ll go as early as possible – Amanhã a gente vai o mais cedo que puder
  (Ele não falava português, esquecí de dizer esse detalhe…)
– Tá bom então, é até melhor porque chegamos cedo e podemos dar uma volta pela cidade – respondi –
– Vou ligar pra Ahmed pra avisar a hora que passo pra pegá-lo
– What?!

PARA TUDO! Na hora eu fiquei pensando porque raios ele tinha que avisar ao melhor amigo dele a hora que ele sairia de casa e acima de tudo, pegá-lo pra ir pra onde?! Pensei que era mais algum dos costumes árabes que eu nunca entendia a razão lógica. Redundante hein?! Mas em se tratando de diferenças culturais tem razões ilógicas sim, vai por mim!

(continuando)

– Como? – perguntei – Vai ligar pra Ahmed pra que e leva-lo pra onde?!
– Ele vai com a gente pra Alexandria

Até hoje eu não consigo aceitar esse conceito de amizade muito próxima dos egípcios, as pessoas simplesmente entram na vida dos outros assim sem mais nem menos e eles reagem como se tudo fosse a coisa mais normal do mundo. Tentei explicar ao falecido que na minha cabeça a lua de mel funcionava como uma ilha deserta bem longe de tudo e de todos, mas não adiantou de nada meus argumentos, ele preferia acabar o casamento do que decepcionar o amigo que a essas alturas já estava de malas prontas pra nos acompanhar. Já ouviu falar que quando um não quer dois não brigam? Pois é, respirei fundo e tentei colocar isso em prática, na condição de que quando chegássemos em Alexandria o tal amigo esquecesse que nós existiamos. Deal!

As nove da manhã já estávamos na porta do tal Ahmed e depois de cinco minutos de gritos e buzinas, ele aparece na janela do flat avisando que a filha estava tomando café. Passamos uns vinte minutos esperando, enquanto isso eu começava a sentir uma faísca na minha orelha esquerda. Daqui a pouco lá vem o tal Ahmed, a esposa, a filha, duas malas grandes, um cobertor ENORME e uma cara de pau sem tamanho me perguntando como eu estava, e como manda a educação: “I’m fine, thank you”

Percebí que o falecido estava demorando muito pra colocar as malas no carro e descí pra ver o que estava acontecendo, e ao ver a cena sentí uma brasa na minha orelha direita: ela tinha colocado uma das nossas malas amarradas em cima do carro pra colocar a mala do amigo dele dentro da mala do carro. Já não bastava ter que dividir a lua de mel com desconhecidos e ainda teria que perder a Classe A na mala do carro?! Fatal! Mas o falecido preferia perder o pinto a ter que desagradar o amigo… Numa escala de 0 a 10 entrei no carro no nivel 4 de mau humor…

Do Cairo pra Alexandria dava umas três horas de viagem e dessas três horas, duas e meia foram gastas em conversas árabes entre eles, logicamente que eu não participei da conversa porque eu não falava árabe, o amigo dele só sabia o básico do inglês e a esposa dele nem o básico sabia, minha única opção foi olhar a paisagem porque nem as placas dava pra ler já que era tudo em árabe.

Chegando em Alexandria eu pensei que Ahmed seguiria o caminho dele e nós poderíamos ficar sozinhos, afinal foi esse o combinado, lembram?! Fomos alugar um flat e desistí de tentar combinar com o falecido, Ahmed sempre tomava a frente da conversa e no final minha opinião não valia de nada, enquanto isso a esposa dele permanecia lá quietinha sem dar um ‘pio’, apenas aceitando as coisas como elas vinham…

– Vamos ficar aqui nesse flat.
– Você me perguntou se eu gostei daqui?!
– Ah mas eu e Ahmed vimos o local e é bom, você vai gostar, vamos!

Tive vontade de perguntar se ele tinha casado comigo ou com Ahmed, mas pela segunda vez lembrei da frase ‘quando um não quer dois não brigam’. A essas alturas meu nivel de mal humor já estava na escala 7, e quase foi a 1000 quando percebí que Ahmed ficaria no andar acima do nosso…

– Você não falou que eles não iriam ficar conosco?!
– Mas não vai, ele vai só ficar no mesmo prédio, mas não vai ficar conosco não…
– É bom que não fique mesmo!

Bom, finalmente a sós no apartamento… Ufa! O falecido começou a arrumar as malas e enquanto isso eu ía deixando o flat da forma como eu queria. Os planos era almoçarmos em algum lugar bem romantico, começamos a entrar no clima quando de repente… DIIIIIIIIIIINGGGG DOOOOOOOOONGGGGG! Era a campainha. Pensei que era o responsável pelo flat. Me enganei. Era Ahmed!!

Ahmed:  Vamos almoçar aonde?!
Eu: QUE?! COMO ASSIM “VAMOS” ???
Falecido: Amorzinho, eu prometo que eu resolvo isso, mas fica quietinha e vamos almoçar com eles. Não diz nada, por favor!

A primeira refeição juntos na lua de mel foi em cinco pessoas, e o que deveria ser romantismo foi um papo árabe que eu não fazia a mínima ideia do que era. A essas alturas meu nível de mau humor já estava acima do limite e meu lema já era esse: “Quando um quer dois brigam!”

(pausa)

Aguardem os próximos capítulos… 😛

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5 Respostas para “:: Lua de mel em grupo – Parte I ::

  1. nossa menina q lua demel premiada essa viu, nao dava pra aguentar mesmo esse ahmed era um mala viu!!

  2. Mulher ,é triste sim,mas com nao rir de uma stuação como esta,infelizmente é hilário,mas deve ter sido infernal mesmo,da raiva só de pensar,acho que teria saido deixado ele sem olhar pra traz.Bom mas continua quero saber o resto sem maldade tá…………………..

  3. Eita que agora eu me empolguei!! 😀
    Pode deixar que daqui a pouco volto pra cá pra continuar a segunda parte da novela…
    Aguardem!!

  4. ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh continuaaaaaaaaaaaaaaaaaa…. 🙂

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