:: Lua de Mel em grupo – Parte II ::

Depois de mais ou menos uma hora no restaurante, já estava entediada da vida, sem entender nada da conversa, afinal eles conversavam em árabe e a anta aqui estava tão apaixonada (na época) que nem se ligou de fazer um cursinho de primeiros socorros da lingua árabe antes de viajar, tambem eu não contava com essa possibilidade de ter que fazer uma lua de mel grupal e tambem não tinha ido ao Egito na intenção de fazer intercâmbio linguistico, né! Engraçado que a filha do casal, de mais ou menos dois anos de idade, percebeu que eu estava por fora da conversa e correu pros meus braços e começou a conversar comigo… EM ÁRABE!  😦

– Ela está perguntando porque você está triste… (traduziu o pai dela)
– No! no! I’m not sad – respondí com sorriso meia boca –

Putzz até a criança estava percebendo meu alto grau de stress! Na tentativa de disfarçar, comecei a brincar com ela, obviamente ela não entendia um grama do que eu dizia, e balançava os ombros como que dizendo que não estava me entendendo, comecei a ficar desesperada e fui pro apelo linguistico, comecei a falar de forma desordenada e sem um pingo de nexo algumas palavras árabes que eu sabia, algo bem ao estilo Tarzan e Jane, e imaginem só, a bebe tinha uma crise de riso a cada palavra que eu pronunciava, e daqui a pouco estavam todos se acabando de rir do meu esforço desesperado para falar árabe, e de noiva em lua de mel, passei a entretenimento gratuito em fim de almoço!

– Pede a conta que eu quero ir embora – falei pro falecido –
– Mas está tão bom aqui, você não está gostando?
– Pede a conta!
– Mas…
– Tudo bem, fica aí que eu já tô indo…
– Tá bom!! Tá bom!!

O falecido comentou alguma coisa lá em árabe com o Ahmed, que fez cara de poucos amigos e levantou da mesa juntamente com o falecido…

– Deixa ele aí com a família dele e vamos só eu e você pro flat, podemos dar uma paradinha na beira mar…
– É… mas ele vai embora também

Esqueçam a beira mar e o papo romantico ao som das ondas beijando a areia da praia, voltamos pro flat, os cinco, eles conversando árabe, a bebe quase dormindo nos braços da mãe e a essas alturas eu já estava raciocinando japonês em Braille, e não tinha completado nem 24 horas de lua de mel. Chegamos no flat e fomos dormir, já pensou?! Pois é, dormimos no mais literal sentido da palavra. Acordei por volta das nove horas da noite com o falecido falando ao telefone. Obviamente eu não entendí nada, ele falava árabe.

– Dormiu bem querida?
– Dormí sim, e você?
– Dormí muito bem al’hamdulilah (expressão muito usada no mundo islâmico, que significa “graças a Deus”)
– Que bom!
– Vamos dar uma volta? Podemos ir ao Carrefour fazer umas comprinhas…
– Ahh que legal, vamos sim!
!

Não tinha ido ainda a um supermercado no Egitão e seria bem emocionante, primeiro pra ver como que era o fazer compras dos árabes e segundo que era minha primeira compra como casada. Que bonitinho!

DINNNNNNNG DONNNNNNNG!! A campainha toca. Quando abrí a porta tive vontade de fechar na mesma hora, mas se eu fizesse isso todas as mulheres brasileiras seriam julgadas pela minha ação, então em nome do meu patriotismo não o fiz. Era Ahmed, a esposa e a filha, todos arrumados, trocados de roupa e perfume exalando no ar. Nem mandei entrar, fiz sinal para que eles esperassem que eu ia chamar o falecido. Quando voltei pra avisar que o falecido já estava vindo atendê-los, eles já estavam bem sentados no sofá da sala. A voz sumiu, dei um sorriso meia boca juntamente com uma meia volta e voltei pro quarto…

– Olha aqui, eles estão lá na sala, entraram sem que eu mandasse!!!
– Pergunta se eles querem chá
– O QUEEEEEEE?!
– Ah aqui no Egito é costume oferecer chá as visitas
– É?! Então você vá e faça o chá porque em nenhum momento eu chamei esse povo pra vir pra minha lua de mel, e trate logo de tirá-los daqui de dentro, antes que eu faça um escândalo!!
– Tá bom! Tá bom! Ta bom
!

Confesso que fiquei dentro do quarto com vontade de quebrar tudo, mas meu nivel de loucura ainda estava baixo e portando sob controle. Fiquei na varanda do flat, observando um imbecil que me encarava na varanda do flat diagonal a mim, parecia que ele nunca tinha visto uma mulher na vida dele. Observei uma mulher que passava vestindo um niqab e uma abaya, aquela vestimenta que cobre todo o corpo da mulher, deixando apenas os olhos aparecendo… como sentí saudade do Brasil naquele momento. De repente o falecido entra no quarto…

– Vamos pro Carrefour?
– Onde está o teu amigo?
– Olha… eu sei que você não está gostando dele mas…
– E NÃO ESTOU MESMO!
– Tá bom, mas me escuta. A esposa dele precisa fazer umas compras tambem e ele perguntou se ele pode ir com a gente, e eu não posso dizer que não

A principio eu fiz um carnaval e disse que não ía mais pra canto nenhum, mas… acabei cedendo. Ao chegar no Carrefour Ahmed já queria tomar o controle da situação:

– Vamos começar a olhar as coisas por aqui
– NO! YOU GO WITH YOUR WIFE WHEREVER YOU WANT AND I WILL GO WITH MY HUSBAND WHEREVER WE WANT, DID YOU GET IT?! (Não! Você vai com a sua esposa pra onde quer que você queira e eu vou com meu esposo pra onde quer que queiramos, você entendeu?!)

Não é normal uma mulher falar com esse tom de voz com um homem, estamos falando em um país árabe onde a mulher é sempre submissa, juro que tento respeitar as diferenças culturais, por mais feminista que eu seja, mas a essa altura do campeonato eu já estava apelando pra uma briga. Cada um foi pra seu lado e obviamente que o tempo todo eu fui buzinando no ouvido do falecido que eu odiava aquele amigo dele e que ele tratasse de livra-se dele, se é que ele ainda pensava em alguma lua de mel, e o tempo todo ele tentando me convencer que o cara era gente boa, que eu precisava ser mais maleável, que ele não ía ficar na nossa cola, que aquilo era somente hoje e tals.

Meia hora depois nos barramos no corredor de verduras e legumes, eu já havia declarado guerra e não queria conversa com ele nem pra ir pro céu! Eles começaram a falar árabe e ví quando Ahmed mete a mão num pacote de batatas que eu havia pego…

– Essa aqui não é boa, troca por essa minha aqui que é melhor – disse Ahmed
– Eu gostei dessa e vou levar essa
– Mas…
– I WANT THIS ONE, RIGHT!? (Eu quero esta, certo?!)
– Tá bom, desculpa…
– GRRRRR
(Em pensamento
…)

Gente! O cara queria dizer o que eu deveria comprar ou não, será que isso tambem fazia parte da cultura árabe egípcia?! Pagamos as compras e voltamos pro flat, no carro o silencio incomodava, era quebrado apenas pela bebezinha inocente que sem entender nada do que se passava falava algumas palavrinhas engraçadas em árabe. Chegamos no flat e fui organizar as compras, depois fui pro quarto dormir… e lá se foi o primeiro dia de lua de mel, e todos os meus planos para o primeiro dia de vida de casada tinham ido de água abaixo, tudo por causa do cara de pau do amigo do falecido.

(pausa)

Querem saber o restante?! Aguardem os próximos capítulos  😉

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9 Respostas para “:: Lua de Mel em grupo – Parte II ::

  1. Menina to adorando sua historia , nossa cada situação ,mas aquela de imitar uma vaca rachei aqui rsrsr …lembrei de coisas que passei tb mas isso aqui mesmo do la de cá com pessoas que falavam minha lingua rsrsr
    È acho que eu piraria no Egito , ou viraria noticia , pq eu quando fico irritada começo a tirar sarro de tudo entende e acho que eu na sua pele hummm não sei não rsrsr a noticia seria Deu a louca em uma brasileirana terra dos faráos rsrsr

    bjs to adorando tudo , vc é dez e sua historia fantasticas bjão

    • Ohhh mulherrr
      Eu fiquei p da vida porque eu não sabia falar nada em árabe e o falecido simplesmente se recusou a me ajudar, mais uma gotinha de stress e eu teria mesmo ficado de quatro lá no Carrefour e imitado uma vaca… te juro!!! 😀

  2. vc tem é muita paciência,eu játinha mandado tudo pró espaço….

  3. Nossa!! Não sei se rio ou se choro =/

  4. AHAHAHA E ainda tem mais 😛

  5. mas o falecido tb não tinha simancolll, arre nunca vi isso, o cara vai pra lua de mel e convida o amigo ? lol

  6. Eh el Ahmed ma3fen da… Olha, flor.. O problema nao eh com os amigos arabes naooo.. O problema era esse Ahmed mesmo que nao tem simancol… NUNCA vi coisa parecida! Alem de perfeccionista (o que pra mim eh qualidade) vc eh paciente!!!!

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