:: Lua de Mel em grupo (na cozinha) – Parte III ::

Segundo dia em Alexandria…

Acordei cedo e fui logo pra cozinha. Pra falar a verdade nunca fui adepta dessa vida de Isaura (fundo musical: lere lere lerelerelere…). Tive um reinado de filha única, preciso explicar mais alguma coisa?! Apesar disso eu estava tentando dar o melhor de mim nessa nova fase. Resolvi começar pelo arroz. Um arroz lá cheio de ‘pra que isso’ que minha mãe havia ensinado, das vezes que eu tinha feito no Brasil tudo havia corrido como mandava o figurino, então não tinha porque temer, certo?! Errado! Depois desse dia eu aprendí que até o arroz falava um outro idioma… Com o arroz brasileiro eu tinha sucesso na comunicação, já com o egípcio tudo era divergência. Juro que eu caprichei e segui o manual de instrução que minha mãe havia me dado antes de casar, mas depois de feito o negócio ficou com aquela aparencia de ‘unidos venceremos’ 😦

Ah! Preciso abrir um parenteses aqui. No dia anterior havíamos ido ao Carrefour e enfrentei uma Odisseia na hora de comprar a carne. O falecido não entendia N-A-D-A  a respeito, e eu por outro lado não entendia C-O-I-S-A   N-E-N-H-U-M-A, pra completar o nome das carnes estava em árabe, e eu estava em um alto grau de analfabetismo no mesmo, e em inglês. Falo inglês, mas meu “vocabulário carnívoro” estava paupérrimo, conseguia lembrar ainda de ‘meat’, ‘chicken’ e ‘beef’, mas naquela imensidão de tipos de carne não tinha nada parecido, apelei até pro ‘bull’, mas nem isso!

– Você fala árabe, não fala?! – perguntei pro falecido – Teoricamente você entende o que está escrito aqui, então procura alguma coisa aí que tenha a ver com carne de boi, porque se depender do meu inglês, vamos comer ovo frito.
– Tá, mas eu não entendo de tipo de carne não…
– Pergunta pra quem entende então, chama um desses que trabalha aqui, eles devem saber…

É mas a vergonha e o orgulho do falecido não deixaram que ele fizesse isso, e ele simplesmente disse que eu escolhesse qualquer uma, afinal era tudo carne mesmo! Pensei em chamar algum funcionário, ficar de quatro e imitar uma vaca pra ver se ele entendia o que eu estava querendo comprar, mas além de não ter essa coragem toda, eu não sabia se as vacas árabes tambem ‘falam’ MOOOOOONNNNN. Pra não perder a pouca paciencia que ainda me restava, dei uma vista rápida nas carnes e peguei uma que lembrava a que minha mãe sempre compra aqui em casa…

No flat quando fui temperar a carne, do jeito que minha mãe havia me ensinado, percebí que a carne tambem falava outro idioma, não sei eu tinha ficado daltonica ou se precisava voltar ao oftalmologista com urgencia, mas o fato é que eu estava vendo a carne meio azulada. Olhei a validade e estava no prazo, o cheiro não estava de carne estragada, a aparencia em si tambem não… vai ver que as vacas no Egito tomavam alguma coisa que deixava as carnes daquele jeito, pensei cá com meus botões. Quando o falecido acordou o almoço estava pronto, ele elogiou tudo, até a carne azulada, mas quando destampou a panela do arroz…

– Que foi que houve? Tá diferente do arroz da minha mãe…
– Que coincidencia! Do da minha tambem… – respondi

A aparencia não estava das melhores, mas o gosto estava bom, só que o falecido jogou tudo fora, por pouco não joga a panela tambem. Acho que esse foi meu primeiro trauma de casamento. Ah e eu tenho lá culpa do arroz de lá do Egito não funcionar como o arroz daqui do Brasil?!

Ah! Lembram da carne azulada? Quando voltamos pro Cairo, a mãe dele pediu pra ver a nota da compra (alguem me explica porque?!), e com um ar meio curioso, ela perguntou:

– Humm carne de ema tem gosto de que?! :S

[…]

Sentiram falta de Ahmed e cia, acertei?! Nesse dia ele foi visitar uns parentes, al’hamdulila! 😀

Amanhã tem mais… 🙂

Anúncios

18 Respostas para “:: Lua de Mel em grupo (na cozinha) – Parte III ::

  1. kkkkkkkkk ai meu deus, carne de ema rsrsrs ai Nadir isso pra mim ta sendo muito legal ler viu, mas acho q pra vc q viveu naod eve ter sido bom não né?? rsrs
    beijos e vou continuar lendo heheh

  2. essa foi cruel,ema,nossa que dureza…..

  3. Eu tbem me dei mal com o arroz do Egito…Se não sei fazer arroz nem aqui, imagine lá! (só consigo, mais ou menos, com o parboilizado)

    • Mulherr o que é aquilo?! O arroz fica grudado, usei todas as dicas que minha mãe tinha me dado, mas não teve jeito. Aqui eu acerto fazer sem problemas, mas lá… e ainda por cima com o amigo grude dele que não largava do pé, eu não tinha nenhuma condição psicológica de tentar descobrir o segredo do arroz…

  4. me acabei de ris de suas “experiências” nupciais, relmente hj é pra rir, mas imagino como deve ter ficado frustrada.

  5. Hauhahuhau! Mulher, que odisseia! Mas jogar comida fora, 7aram… Eu teria jogado a panela na cabeca dele! Parabens, voce foi guerreira!

    • E eu não fiquei com vontade de armar um barraco não?! Só que eu já vinha tão estressada com o tal Ahmed, que achei melhor evitar mais confusão..

  6. E, aqui eles comem carne de avestruz e camelo…eu ja comi de camelo, lembra um pouco a de carneiro, a de avestruz nunca comi… sinceramente,que coisa doida tudo isso…agora a gente da risada, mas fico imaginado sua frustracao naquela epoca, deve ter sido terrivel…alem do que, a culpa do arroz nao foi sua, pois o arroz daqui e horrivel mesmo, eu tambem passei por isso e ate hoje odeio o arroz daqui, estou sempre tentando marcas diferentes para ver qual e o menos pior…agora, ele jogar fora, e pecado, e dos grandes… voce poderia ter feito bolinho de arroz com esse arroz que ele nao gostou, misturava cebola, salsinha, farinha, ovo, leite, fermento…delicia!!!…rs…beijo!

    • Ainda bem que a carne da ema era gostosa, menos mal né… tambem não culpo o falecido não, tanto eu quanto ele somos filhos únicos, os pais sempre faziam de tudo, então no dia que tivemos que nos virar sozinhos… deu nisso! Agora não tinha custado nada ele perguntar pro cara do Carrefour se tinha carne bovina né, afinal, ele era quem falava árabe e não eu, mas…

      Quanto ao arroz eu nem tive chance de pensar em reaproveitar pra alguma coisa, ele já foi logo dizendo que não prestava e que ía jogar fora…

  7. ahhh esqueci, mas o “falecido” não tem senso mesmo,, aff jogar o arroz fora!!!! ò.O´

    • Pois é, falou que não estava com uma aparência boa e que não ía comer aquilo. Tudo bem que a aparencia não estava mesmo boa, mas o gosto estava bom, só que não teve acordo. Confesso que fiquei chateada com essa atitude dele, ainda mais que eu tinha feito tudo com tanta dedicação, não tive culpa se esse tipo e arroz não funcionava com o arroz de lá… =(

  8. hum mas nesse dia o ahmed fez falta, vai ver q ele q “entende de tudo” saberia compra a carne de vaca kkkkkkkkkkkk (brincadeira ) Mas o que tem de errado com o arroz no Egito? qual o segredo colocar mais água?

    • Mas no dia que a gente comprou a carne, Ahmed estava conosco, foi no dia que chegamos a Alexandria, só que eu já estava tão p da vida com ele que dispensei a ajuda, mas foi bom, pelo menos comi carne de ema 😀

      Quanto ao arroz de lá, ele não fica soltinho como os daqui. Tentei fazer um arroz com cebola, cenoura e afins, aqui quando eu faço fica uma beleza, mas lá ficou grudado O_O

  9. Carne de Ema???!?!?!?!? O_O
    Bom, acho que ao comprar a carne, a única certeza que você tinha era que NÃO ERA SUÍNA! hahaha

    Eu também não consegui cozinhar o arroz egípcio!!! O_O

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s