:: As estatísticas tinham razão! ::

–  O que?! Você vai casar?!
– Vou sim, encontrei um príncipe encantado, um homem gentil, lindo, maravilhoso que me ama e que vai me fazer a pessoa mais feliz desse mundo…
– Mas você é tão nova… Faz isso não… Faz tua vida, estuda mais, conquista a tua independencia financeira, depois tu pensa em casar
– O que? Que adianta ter independencia financeira, curriculo cheio de bons cursos, falar não sei quantos idiomas, mas não ter com quem dividir tudo isso, ficar velha… e sozinha…
– … casamento não é algo tão bom quanto parece… tudo é uma questão de sorte…
– Ah sai pra lá, porque o teu deu errado, todos os outros tem que dar tambem é?!
– O meu vai ser diferente, voce vai ver…

Essa foi uma das ultimas conversas que tive antes de largar todos os meus planos profissionais em nome do que até então eu achava ser um amor sem fim. Pois é, larguei T-U-D-O. Tinha acabado de concluir a graduação e já estava de olho em uma pós graduação, sem contar nos planos de um curso no Canadá e dependendo do desenrolar dos fatos, uma chance de emprego lá tambem. Estava começando a construir uma carreira profissional que prometia sucesso, mas de repente troquei todos os meus planos por aquilo que eu achava que me traria a tão procurada felicidade. Deixei a vida profissional do primeiro mundo pela vida de dona de casa no “pais das maravilhas”. Deixei meu emprego, meus amigos, meus estudos, minha família, deixei até meus pets idolatrados que eu não deixaria por nada nesse mundo, mas deixei…

Na minha adolescencia e inicio de juventude eu sonhava com o casamento, entre tantas amigas, tinha uma que era a minha confidente e passavamos horas tricotando sobre as possibilidades amorosas que o futuro prossivelmente nos reservara, ela não era muito adepta a casamento, mas aturava meus comentarios sem fim sobre principe encantado e planos para o futuro. Na minha santa inocencia eu não conseguia entender porque grande parte dos casais que eu conhecia não era feliz, e porque os casados sempre aconselhavam os solteiros a não casar tão novos e aproveitar mais a vida. Aquilo era insano, pra mim o casamento era a fonte de felicidade, as pessoas que eram azaradas e não sabiam fazer por onde encontrar essa felicidade, mas eu poderia jurar de pes juntos que comigo a realidade seria diferente e que quando eu casasse teria um casamento que serviria de exemplo para toda raça humana. Sonhos de uma adolescente a caminho da juventude…

A adolescencia já era lembrança do passado, agora na fase adulta já pensava com mais seriedade na possibilidade de casar. Encontrei o principe encantado de uma forma surreal (em outro post contarei os detalhes desse encontro) e depois de um ano e um mês de contato já estávamos dividindo o mesmo teto.

Perdí a conta de quantos conselhos recebi, me encorajando a focar a minha vida em mim mesma ao invez de largar tudo por causa de um casamento, ainda mais este tipo de casamento (em outro post contarei as divergencias). A cada conselho eu eliminava uma amizade, alem de perfeccionista sou tambem cabeça dura, comportamento que estou tentando eliminar aos poucos, é bom aceitar que nem sempre temos razão, mas naquela época eu estava no meu mais alto nivel de dona da razão e levando em consideração o livre arbitrio, nem Jesus Cristo me convenceria o contrário. Geeeente, o falecido era o homem dos sonhos, sera que as pessoas não enxergavam isso?! Enxergavam sim, a transição entre sonho e realidade. Quem está de longe tem uma visão mais ampla. Hoje acredito nisso…

No inicio, como em todo inicio, a vida de casada seguia os planos dos meus sonhos de adolescencia, mas não demorou muito para que as estatísticas do IBGE batessem a minha porta e eu passasse a entender e aceitar os conselhos dos mais velhos no ramo. As brigas sem nenhum motivo lógico aparente, começaram a surgir, eu achava que tinha o controle da situação nas mãos e que com o diálogo tudo voltaria ao normal, afinal, o casamento era a fonte da felicidade e não era qualquer adversidade besta que me faria desistir de sonhar. A estatistica do IBGE insistia em bater a minha porta e de dentro de casa eu insistia em não fazer parte dos seus numeros, até que um dia ela entrou, me fazendo sentir na pele que a cada quatro casamentos, um acaba em divorcio…

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2 Respostas para “:: As estatísticas tinham razão! ::

  1. Imagino que seja difícil escrever assim tão francamente!
    Relembrar e partilhar uma parte da nossa vida na qual apostamos na felicidade é bem dolorido, pelo menos na minha opnião.
    Será que ficou dramático? Não é essa a intenção!
    Sempre venho por aqui…bjos e parabéns!LI

    • Oi Li,

      Primeiro agradeço de coraçao as visitas aqui no Blog, é isso que me da mais animo para continuar postando 🙂

      Bom, falar sobre o lado ruim tem lá sua parcela de dor sim, só nao doi mais porque apesar de tudo, procuro tirar dessa parte ruim experiencias que me façam crescer e ser mais cuidadosa quando tiver que tomar decisoes que comprometam meu futuro, sem contar que tudo isso pode servir tambem de experiencia para outras pessoas que estao ao meu redor, entao a gente acaba encontrando uma forma proveitosa para usar situaçoes que um dia nos fizeram sofrer tanto…

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