:: Casamento Misto: Problemas Culturais – Parte III ::

A brasileira que decide casar com um egípcio e acima de tudo vai morar no Egitão, deve ter em mente que lá no Egito ela tem que ser uma mulher a la Egitão, não adianta querer impor seus costumes brasileiros que a coisa não funciona, não adianta dizer que no Brasil é assim ou assado, no Brasil pode ser, mas a realidade agora é outra e é bom logo tendo em mente que terá que se adequar a ela. Se for morar aqui no Brasil nem precisa de preocupar tanto, quem deve se preocupar e muito é o pobre do egípcio que terá uma dificuldade de adaptação bem maior do que a brasileira teria lá no Egitão, mas aí já é outra história…

Bom, mas como disse a minha colega de Blog Anita, eu não havia evoluido o suficiente para mudar da água pro vinho, de forma tão instantanea assim, não imaginava que essa coisa de morar fora do Brasilzão pudesse ser tão complicada, e levando em consideração que a família do falecido era bem tradicional, essa complicação só tendia a crescer a cada dia…

Eu sabia que o contato entre homens e mulheres no Egitão era bem restrito, mas eu não sabia que em alguns casos esse “restrito” beirava o inacessível, e levei um choque quando frente a uma visita masculina, lá onde morávamos, eu fui “convidada” a ficar dentro do quarto, até que a visita fosse embora. Fato que se repetiu no flat de uma brasileira amiga minha, quando em uma visita que fui fazer a ela, a cunhada dela, que estava na sala conversando conosco, foi “convidada” a se retirar, quando o falecido ligou avisando que ía me buscar… Desculpem a minha intolerancia, mas da até a impressão que homem estranho, mesmo que esse estranho não seja tão literal, é sinonimo de perigo absoluto, e por isso as mulheres devem estar protegidas… Ah que saudade que eu tinha da patria amada, onde eu podia abraçar e beijar meus amigos homens e ter a consciencia de que tudo aquilo é amizade sincera, mas adiantaria alguma coisa eu dizer que no Brasil era assim ou assado?!…

Sempre desejei ter filhos, mas levando em consideração que filhos é MUITA responsabilidade, tentei convencer o falecido de que deveríamos tê-los quando tivéssemos a vida mais organizada, não sabíamos ainda onde que moraríamos definitivamente, mal tínhamos “organizado” o flat, já tínhamos planos de vir morar no Brasil, enfim… não era um momento muito propício para pensar em colocar filhos no mundo, pro meu alívio, ele acabou aceitando. Pro meu desespero ví que essa não era a realidade alí ao meu redor. Quando fomos pra lua de mel, a sogra quase que me pede pra voltar com um exame de gravidez positivo pra dar de presente a ela. Visitamos um casal que tinha pouco mais de um ano de casados, o album de casamento ainda tinha cheirinho de foto recem saida da loja, e eles já estavam lá com um bebezinho nos braços. O melhor amigo do falecido tinha casado ainda quando estávamos em contato virtual, agora a esposa dele estava com a barriga saindo pela boca e ele ainda reclamava que demorou demais pra engravidar… Adiantaria eu explicar pra eles que aqui no Brasil os casais não pensam em encomendar o bebe na noite de nupcias?! A ex sogra quase que derruba a piramide de Kefren, pedra por pedra, quando eu disse que só teria filhos em pelo menos uns três anos…

O flat tinha uma varanda e eu adorava ficar debruçada vendo o movimento lá embaixo, tinha uma padaria pertinho e eu achava o maximo ficar olhando o cotidiano das tias egipcias que brigavam por um lugar na “fila” pra pegar o pão. As unicas ocasiões em que eu via mulheres nas varandas era quando elas iam estender roupa, pegar as roupas secas ou limpar a varanda, e geralmente cobertas até a alma, só via o rosto e nada mais, fora isso eu era a única que ficava bancando o guarda noturno (ou diurno). O falecido as vezes pedia pra que eu não ficasse tanto tempo na varanda, enquanto a sogra já fechava a cara e se entocava na cozinha. Varanda não é lugar de mulher, sabe como é né, pode haver algum par de olhos masculino observando a feminilidade alheia. Adiantaria eu dizer que no Brasilzão a mulherada coloca até cadeirinhas na varanda ou nos calçadões da vida pra bater um papo?!… Não é tambem que a mulher no Egito tenha que ficar trancada dentro de casa, mas no Egito onde eu morei, elas só não deveriam ficar muito expostas ao público…

Todo casal, misto ou não, gosta de contato físico, concordam?! Não estou falando de beijos, abraços e afins, mas de simplesmente estar juntos… Certo dia fomos ao flat novo para ver como que estava as obras lá, o contrapeso (a sogra) foi junto e enquanto ela organizava não sei o que lá, eu e o falecido ficamos sentados em um banco improvisado e a anta apaixonada aqui, inocentemente entrelaçou o braço no braço do falecido e ficou lá com cara de paisagem olhando pras paredes cheias de cimento do flat. Quando o contrapeso viu aquela cena perguntou que pouca vergonha era aquela, logo o falecido se afastou de mim e explicou que não era legal contato fisico em publico e principalmente na frente dos mais velhos. Gente, mas o que era um braço entrelaçado e uma cabeça no ombro?! Pro Brasilzão, a coisa mais simples e fofinha que existe, pro contrapeso egípcio, uma pouca vergonha. Adiantaria eu explicar que no Brasil era diferente?!…

Aí eu lembro de uma frase que Anita escreveu tambem, essa coisa de que o amor supera qualquer barreira é mentira. Concordo plenamente! Dependendo da barreira, chega uma hora que o amor cansa, e as vezes é melhor deixar a barreira lá quietinha na dela, e prosseguir a vida por outro caminho. Conhece a frase: “Não adianta dar murros em ponta de faca” ? Essa frase se encaixa perfeitamente em muitas situações vivenciadas em um casamento entre pessoas de culturas diferentes…

O sono me pegou!… Amanhã tem mais 😉

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6 Respostas para “:: Casamento Misto: Problemas Culturais – Parte III ::

  1. Eu acho que vc foi pro Egito muito despreparada! Eu estou no planejamento de casar tbm com um estrangeiro (paquistanês), mas já estou ciente de tudo isso que acontece la. Do que pode, do que não pode. Acho q isso é extremamente importante na decisão de querer abrir mão ou não. Apesar de ser uma coisa bem incerta (aff, ainda dependo da decisão dos pais dele, momento tenso!!) mas ja fiz questão de perguntar TUDO! Número de filhos, quanto tempo esperar pra tê-los, como são os pais dele, onde vamos morar, pesquisei em tudo que foi site como se veste lá, perguntei como é relacionamento de casal, o que pode e o que nao pode fazer na frente das pessoas, enfim… TUDO TUDO TUDINHO MERMO!!! Fica a dica pra quem pretende entrar numa dessa, já evita muita coisa!

    • Eu realmente fui despreparada sim, na minha época não tinha o leque de informações que temos hoje, só tinha uma única comunidade no Orkut sobre brasileiras que se relacionavam com egípcios e todas elas tão desinformadas quanto eu, tinha umas três que eram casadas mas moravam aqui no Brasil, então não conheciam a realidade de morar no Egito, do Egitão só conheciam o mundo dos turistas, então foi tudo um tiro no escuro que infelizmente deu errado… Hoje não, as informações batem uma na outra, quebra a cara quem quer..

  2. Wally elsissy

    Lembrando que… ao casar com um egípcio, você casa com toda a família dele… principalmente se for morar lá…

    • Bem lembrado Wally! Sem contar que muitas das brasileiras que vão morar lá, ficam morando na casa dos pais do egípcio, até que se organizem e tenham seu próprio flat, e isso é algo que NÃO deveria ser feito, se morar com família já é uma coisa complicada, com familia egípcia então é complicada ao quadrado 😦

  3. rsrsr esse negócio de não ser evoluida eh serio viu, nao sou evoluida pra uma montao de coisas…rsrsrs
    Eh colega, tua sogra era um chaveiro messssmo heim, afff que aguenta-la pendurada 24 hrs por dia nao devia ser facil. Eu teria um surto!!!!!
    Bjaoooo

    • Esse foi um dos grandes problemas na minha vida no Egitão: a sogra. Ele tinha um flat proprio, novinho em folha, mas como não estava pronto ainda, e não sei porque raios a maioria desse povo que se casa pela net faz o caminho inverso da coisa: primeiro casa e depois organiza a vida, então nós casamos e ficamos morando com a sogra, enquanto o flat terminava de ser organizado, e sogra é sogra em todo mundo né! A minha não podia ser diferente, paralelo a isso, eles eram de uma familia muito tradicional, o que só complicava a minha evoluçaõ 😦

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