:: “Visitas” em horários impróprios ::

Dez horas da manhã, estou em frente ao computador com a mente a mil, tentando organizar a aula que ministrarei dentro de poucas horas e já cronometrando o tempo que levarei para terminar os últimos detalhes da aula, tomar um banho, passar por todo o processo de arrumação e afins, almoçar, dar uma arrumada na cozinha e me mandar pelo mundo o mais depressa possível pra não chegar atrasada à escola. Ahh isso porque tenho um anjo em casa (minha mãe) que já fez todo o almoço, dando-me assim um tempinho a mais para caprichar nas aulas. Em meio a cada minuto cronometrado, a campainha toca…

– Bom dia! – um cara estranho me sauda –
– Bom dia!

Respondo quase o mandando ir embora, afinal tenho hora marcada para estar no trabalho e não posso perder tempo com estranhos, mas como ainda me resta um pouco de educação…

– Queria conversar um pouco com você… – disse o cara –

Conversar?! Como assim conversar?! As dez horas da manhã a única coisa a que eu estou disponível é pensar na aula que eu terei que dar daqui a pouco, o tempo está voando e não posso ocupá-lo com situações que não estão nos meu planos. Não respondo nada, apenas olho seriamente para o desconhecido, esperando que ele fale logo o que ele quer e me deixe livre para fazer o que eu preciso… Nisso o cara pega uma pasta preta e tira um folheto de dentro dela, logo entendí que ele era um seguidor dos Testemunhas de Jeová… Ninguem merece! Será que não tinha uma hora mais conveniente para falar sobre religião?!

– Você sabe porque é que tem tanta gente deprimida nesse mundo?! – ele me pergunta mostrando um folheto com o título: “Consolo para os deprimidos” –

Olho pra cara dele e penso na aula que eu tinha que terminar de organizar, olho pro relógio e vejo os ponteiros correndo e já visualizo um possível atraso no trabalho, coisa que eu O-D-E-I-O e penso seriamente em responder assim:

– Sei sim! Tem muita gente deprimida no mundo porque no horario em que essas pessoas estão hiper ocupadas, cheias de atividades que requer prazo para serem cumpridas, a campainha da casa toca em horarios impróprios com pessoas desconhecidas que querem debater religião, e o atraso nas atividades do dia-a-dia causa uma depressão irreparável nas pessoas…

Masssss lembrei da educação que meus pais levaram anos para me dar, e achei melhor não descer do salto assim por um motivo tão besta… Com cara de poucos amigos e olhando pro relógio, devolvo a pergunta a ele:

– Humm me diga então porque tem tanta gente deprimida nesse mundo…

Ele não me responde, abre o folheto e começa com assuntos religiosos. Com cara de nenhum amigo e quase que apontando o relógio para ele, falo que eu sou evangélica e que na minha casa todos somos, lemos a bíblia e não damos lugar para depressão em nossas vidas. Ele me da o folheto, agradece a atençaõ e vai embora…

Volto para o computador e percebo que meu tempo livre já esgotou e que terei que acertar os últimos detalhes da aula quando chegar à escola (raiva!)

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9 Respostas para “:: “Visitas” em horários impróprios ::

  1. Hello
    Oi querida…é uma pena que você tenha se sentido assim…
    Sei que tem dias que estamos tão estressadas que não queremos realmente falar com ninguém.. ainda mais quando temos muito trabalho a fazer..da próxima vez que te visitarem, pode dizer sinto muito mas estou muito ocupada..e realmente eles te entenderão.. visto que tem por objetivo realmente compartilhar boas coisas com as pessoas.. ok? Um grande abraço.

    • A Perfeccionista

      Olá Elisa,

      Obrigadão pela visita ta?! 😉

      Olha, eu não tenho nada contra a visita e dialogos sobre religião, lá na igreja onde eu faço parte tem grupos que também fazem isso, hoje em dia nem tanto, mas antigamente faziam muito aos domingos a tarde. A grande questão que eu sempre levanto, é em relação aos horarios que isso é feito, muitas vezes horarios inconvenientes…

  2. Aqui há um enxame dessas pessoas, principalmente aos domingos de manhã…O que me parece é que essas pessoas tem faxineira prá cuidar de seus afazeres domésticos pois, é só pensar em lavar o carro ou a garagem e lá vem eles…Devem achar que ninguém trabalha! e que temos o direito de dormir um pouco mais no fim de semana ou termos a liberdade de fazer nossas coisas sem sermos importunados!
    E chegam com aquele ‘posso falar com vc’ e eu digo, pode colocar o folheto na caixa do correio que eu estou ocupada e depois eu leio…
    Mas não, o que querem é algo ‘$$$’pelo que estão deixando…E a mulher disse ‘nós aceitamos uma contribuição’ e eu respondi: ok, então pode pegar de volta e levar seu folheto embora.
    Ah, cansa…Não usam simancol…

    • Aqui graças a Deus que não pedem contribuição não, só ficam mesmo querendo debater assuntos religiosos ou de auto ajuda. Nada contra, de repente até alguem está precisando de ouvir algumas palavras de incentivo. O problema é que eles sempre vem em horários inconvenientes e pra mim que não gosto de debater religião então, é outro problema a parte 😦

  3. e eu que sou muçulmana então.. os evangélicos e testemunhas acham que somos o demo, não sei pq!! Qdo na rua me param e falo tenho religião, sou muçulmana, eles sempre se exaltam: “ai meu deus, mas você ainda tem tempo! Deus vai te iluminar, te ajudar a ir para o caminho certo de Jesus!!!”

    0_o

    e se eu falo que Jesus não é Deus para mim, então, a casa cai.

  4. hahahah
    mas isso ja me aconteceu algumas vezes… mas teve um cara que foi tão chato, tão chato que eu subi no salto com ele, pois dizer que eu era católica e já tinha minhas práticas religiosas não resolveu. Ai o caldo esquentou…rsrsrs mas as outras eu contornei sem stress…
    Bjos

  5. Clóvis Júnior

    Já que você ouviu o cara e recebeu o folheto, dê uma lida e, se for interessante o conteúdo, ou seja, se houver alguma dica real sobre depressão, você coloca um resumo no blog. Assim, todos os seus leitores conhecerão a história da visita inoportuna até o fim. rsrs
    Shalom!

    • O conteudo é interessante sim, a grande questão é que o pessoal desse grupo escolhe uns horarios muito inconvenientes para estarem de porta em porta, e esse grupo que veio aqui em casa ontem sequer perguntou se eu tinha disponibilidade de ouvi-los, o que me irritou profundamente, ainda mais porque eu já estava cheia de atividades do trabalho pra fazer.

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