☆ Um inferno chamado Ensino Fundamental ☆

E daí que apareceu uma oportunidade para dar aulas em turmas do Ensino Fundamental. Bom, criança nunca foi meu forte, mas em se tratando de escola particular, eu tinha aquela ilusão de achar que a meninada era mais comportada, e com isso em mente fui embora rumo ao desafio. Na primeira aula a situação já foi bem tensa, a minha vida inteira dei aulas a adultos e nesses últimos dois anos em escola técnica, onde muitos alunos tem idade de ser meus pais, e por incrível que pareça nunca tive problema com eles e conseguí fazer com que as aulas sempre fossem bem proveitosas. Nunca precisei de gritar em sala de aula, muito pelo contrario, tinha dias que eles estavam prestando tanta atenção as aulas que o silencio chegava até a de certa forma incomodar. Era essa a minha realidade profissional. Agora lá estava eu em uma sala de sexta serie, quarenta alunos numa faixa etária de 12 anos, a grande maioria gritando ao mesmo tempo e por mais que eu tentasse pedir silencio, era como se não houvesse ninguém alí na frente, por mais que eu tivesse tentado preparar uma aula atrativa, em dez minutos tudo estava desvirtuado. Tentei organizar a sala de forma educada, não funcionou. Tentei ser mais firme, continuou sem funcionar. Alterei o tom da voz, eles conseguiam gritar mais do que eu. Parti pra violencia e quase quebro o lapís de tanta pancada no quadro negro (branco, né?!), nada mudou. Olhei pros quatro cantos da sala, lembrei da educação dos meus alunos da escola técnica e pensei cá com meus botões: “O que é que eu estou fazendo aqui? SOCORRO!” Duas horas de aula e eu simplesmente não tinha mais voz pra nada e a garganta queimava! Saí daquela escola com vontade de não pisar mais alí nem em sonho, mas cá comigo ainda pensei que aquela euforia toda poderia ser decorrente da volta as ferias, quem sabe se na proxima semana, já de volta a rotina, eles não estariam mais calmos… Vamos para uma segunda tentativa!

E daí que hoje lá estava eu novamente na mesma escola, frente aos mesmos alunos… Passei a semana toda preparando uma aula cheia de flu-flu pra ver se conseguia chamar a atenção deles… Adivinhem só! Hoje eles estavam piores que semana passada, e a odisseia foi a mesma, tentei de todas as maneiras possiveis fazer com que eles ficassem quietos, mas eles simplesmente ignoravam a minha presença, confesso que me sentí a ameba da bosta do cachorro sarnento. Essa situação nunca havia acontecido comigo! Dei as aulas que tinham que ser dadas e fui direto pra sala da coordenação pedir a carta de alforria. Tirei o peso de um tronco das costas! Que alívio!

A noite lá estava eu de volta a escola técnica, depois de umas ferias prolongadas, com meu povo querido, de volta ao meu mundo! Que felicidade! Fiz questão de sair abraçando um a um e agradeci profundamente a Deus pela vida deles. Alí sim eu estou no paraíso!

Só tenho que dar os parabens aos meus colegas de profissão que lidam com essa galerinha do ensino fundamental, vocês são uns herois e tem o dom que definitivamente eu não tenho… mais uma vez, meus mais profundo parabéns!

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6 Respostas para “☆ Um inferno chamado Ensino Fundamental ☆

  1. Esse comentário poderia ter sido escrito por mim!!! Muito bom. Sã
    o suas, minhas palavras.

  2. Oi,
    Fui professora no Ensino Fundamental e Médio de 2003 até 2007 em escolas públicas, aqui em São Paulo. Realmente, ás vezes me senti esta amega que você adjetivou a si mesma. Se quiser ser professora, tem que dar aula particular; é mais gratificante e você se sente realmente um professor. Tive esta experiência e foi muito compensador. Hoje não dou mais aula em escola alguma. Sou revisora de textos em uma empresa e estou muito feliz com a minha carreira profissional.

    • Nadir Araújo

      Que bom ter a participação de quem já sentiu isso na pele, assim você consegue sentir exatamente o que eu sinto…
      Pior que semana que vem eu terei que dar mais uma aula a essas turmas porque a professora que a escola conseguiu pra me substituir não poderá comparecer semana que vem, já estou aqui angustiada da vida… 😦

  3. Passei dois meses sendo voluntária em uma escola pública, dando reforço em Língua Portuguesa p/ as cri’on’ças e pré-a’borr’escentes. Sempre ia com a maior boa vontade e voltava esgostada. Ao final, já estava deprimida de ver q todo empenho ñ adiantava em nada. Apenas 20% dos alunos eram interessados. Pensei em ir a casa dessas poucas crianças e ministrar aulas de graça. Mas, os outros saberiam de alguma forma e esses interessados poderiam ser perturbados ou perseguidos por despeito. Fiquei uns dias bem triste por não poder fazer mais nada.

  4. Minha nossa senhora da bicicletinha…e eu ainda penso em ser professora..rs…Na verdade é um sonho de infância,que aos poucos tá sendo esquecido..
    Realmente é complicado lidar com esses adolescentes…affe..p

    • Nadir Araújo

      Bom, de repente tu tens vocação pra lidar com criança né… Eu definitivamente não tenho!
      E pra te ser bem sincera, vida de professor é um sofrimento, muita exigencia e o salario nem vale a pena.
      A menos que você seja professora de universidade, aí ainda pode ser que valha alguma coisa…

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