† Legalismo e Liberdade Cristã †

Ela nunca foi aquele tipo de cristã digna de aplausos, pelo menos não pela maioria religiosa que incansavelmente busca aqueles que sigam tradições, na verdade ela sempre teve aversão as tradições, principalmente as religiosas que em muitas vezes em nada acrescenta, mas ela era cristã e apesar de todos os seus erros, estava lá tentando dar o melhor de sí para Deus. Ela fazia parte do grupo de liderança de jovens da sua igreja, não era de muita oração e em uma primeira olhada não se destacava muito na multidão, mas quando o tema era fazer alguma coisa acontecer, ela era a primeira a renunciar horas de sono e de divertimento secular, para que no dia determinado, tudo acontecesse como planejado. E assim como estava em seus planos, tudo acontecia da forma como havia sido determinado para acontecer, ninguém nem imaginava de onde tinha vindo todo o esforço e dedicação para que todos aqueles projetos fossem transformados em ações. Como qualquer ser humano, ela esperava que o reconhecimento humano viesse, mas a ausência dele não a fazia sentir menos merecedora, afinal, no fim de todas as coisas, a melhor recompensa viria de Deus, que tudo vê… e assim foi por muito tempo a sua vida no meio religioso onde vivia.

A atmosfera religiosa não era muito acolhedora, a tradição era a base de tudo e ela era obrigada a seguir regras que ela nunca foi capaz de entender até que ponto elas melhorariam seu relacionamento com Deus, mas não tinha muita escolha, se ela não seguisse as regras as severas punições viriam sem misericórdia, muito pouco se falava de como ser mais amigo de Deus ou como respeitá-lo mais, mas todos sabiam muito bem o que aconteceria se alguma das regras religiosas fossem quebradas.

Um certo dia, após o término do culto, o superior marcou uma reunião com a equipe de liderança que ela fazia parte, uma reunião sem aviso prévio, o que a fez pensar que seria algo relacionado a mais uma festividade que estava as portas. Todos sentaram em círculo e começaram a falar de assuntos relativos ao funcionamento das normas da igreja e por fim, o superior olha pra ela com aquele olhar de juiz prestes a dar a sentença e diz: “O último assunto tem a ver com você”. Sem entender muito bem o que estava se passando, ela começou a sentir os nervos começarem a ferver, ela cuidava da parte financeira do grupo e o olhar acusador do ‘juiz’ não lhe trazia conforto, principalmente porque ela sabia o nível da sua honestidade e uma acusação indevida poderia ser o começo de uma guerra.

Naquela época havia sido lançada uma moda entre a juventude acerca do uso de um determinado acessório, que era terminantemente proibido no meio religioso que ela vivia, mas não encontrando base para aquela proibição e odiando o tradicionalismo incondicional que a cercava, ela resolveu aderir a nova moda, não pensando muito nas consequências drásticas que poderia lhe sobrevir, mais do que depressa, o seu superior foi avisado e sem perda de tempo, ela foi colocada na cadeira dos réus e sem direito a defesa…

– Temos lhe observado e visto que você agora está usando este acessório, e você sabe que isso não é permitido na nossa igreja – Disse o superior –

Mas claro que ela sabia da proibição, mas por outro lado ela sentia que sua liberdade de escolha estava sendo roubada, e pior ainda, de uma forma sem justificativa alguma, já que o uso do tal acessório não estava ferindo a moral de ninguém….

– Nós vamos lhe dar 30 dias para você pensar bem no que está fazendo e deixar de usar este acessório, caso contrario, teremos que afastar você de todas as suas responsabilidades

Ela jamais imaginou passar por uma decepção assim, e ainda tendo plateia e tudo mais para assistir a condenação. Ser tirada de todos os cargos não lhe pesava, o que pesava mesmo era ter todo o seu trabalho desconsiderado e jogado no esquecimento, unicamente por conta de um simples acessório que estava sendo bem mais importante do que toda a sua dedicação e honestidade em cumprir com a tarefa que lhe tinha sido confiada…

– Vocês não precisam esperar 30 dias, podem me tirar de todos os cargos, só peço uma coisa, sejam sinceros com as pessoas e justifiquem o motivo pelo qual eu estou sendo tirada do grupo, eu lido com finanças e uma saída brusca pode parecer infidelidade para muita gente – Disse ela ao seu superior –

– Mas pense bem, você está trocando Deus por este acessório…

– Eu jamais trocaria Deus por qualquer coisa neste mundo, Ele está em primeiro lugar na minha vida, quero apenas ser livre e não abro mão do livre arbítrio que Deus me deu

Os lideres não abriram mão das suas tradições e ela não abriu mão do seu livre arbítrio. Ela foi tirada de todas as responsabilidades no seu grupo religioso e seu pedido de justificativa não foi aceito. Se por um lado ela pecou, não obedecendo as ordens dos seus lideres, por outro lado seus lideres também pecaram, omitindo o verdadeiro motivo da sua saída, levando assim as pessoas a suposições maldosas, se por um lado ela não foi flexível o suficiente, por outro lado a tradição religiosa foi bem mais válida do que toda uma dedicação voluntariamente empregada no crescimento da própria instituição…

… de uma coisa eu tenho certeza: no final de tudo, cada um terá de Deus, a recompensa que merece…

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5 Respostas para “† Legalismo e Liberdade Cristã †

  1. É uma pena que a pessoa não tenha a opção de ficar na igreja onde mais se identifica, mais se agrada, se desenvolveu, contribuiu, enfim… onde foi crescendo como pessoa e como cristã.
    Tudo por causa de um simples detalhe, que apagam da mente das pessoas toda uma trajetória de vida!
    Força, a vida continua.

  2. Revoltante o fato de não reconhecerem o verdadeiro valor das coisas..e o apego às pequenas coisas..Triste..=/

  3. Me vi em alguns trechos…sei exatamente a personagem principal desta história sentiu….passei por situação semelhante,que ainda doi.

  4. Sinto muito por mais esta pessoa injustiçada. Tbm por meus filhos e por outras tantas q passaram por isto. Conheço esta história de ingratidão, julgamento e condenação, que posteriormente é aditivada de difamações impiedosas e caluniadoras.
    Nos ‘adjetivam’ com tdo que Ñ somos. Passamos a viver em uma Inquisição psicológica ou ostracismo imposto, já que as demais técnicas de tortura e destruição, não mais são permitidas.
    Amor Cristão? Onde? Compaixão? Quando? Apenas, antes de do ‘apelo’ ser aceito e o batismo efetivado. Depois tda sua vida é fiscalizada, a procura do mais ridículo motivo p/ condenação ao pé-na-bunda e desrespeito a sua opinião. Vc ñ mais existe. Torna-se gado tangido ao gôsto dos que arvoram-se ‘porta-vozes do Salvador’. É ferrado com a marca Ñ de Cristo(Ele Ñ usa estas ferramentas!!), mas sim da placa da denominação. Veste então a camisa da empresa…Desculpe, ‘igreja’ e aí de vc se ñ der a vida por ela.

    Afinal, aceitamos a Cristo ou a normas determinadas por cultura, hábitos e costumes. E sabemos que, são elas…coisas terrenas.

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