Bullying, eu sentí na pele!

Atualmente ouvimos muito falar  sobre bullying, e com o massacre da Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro, o assunto volta as páginas principais. Isso me tras a memória um certo tempo da minha infância. Naquela época o bullying nem tinha nome, mas a realidade era a mesma…

Tive uma criação um tanto rígida, minha mãe era extremamente religiosa, e eu tive a “sorte” de pegar aquela época em que o sistema da igreja era a lei absoluta e deveria ser seguida incontestavelmente. Minha criação religosa ficou a cargo da minha mãe, então da pra ter uma ideia de como a coisa foi tensa né?!

Meu pai estava em uma faixa etária meio distante do acompanhamento de uma filha de 10 anos de idade, além de que eu nem era nascida e ele já lutava contra uma doença respiratória que a cada dia diminuia seus dias de vida, ele nunca imaginou que os cigarros sem fim o levaria a essa realidade. Ele era extremamente sério, ex delegado de policia, e parecia que os anos de trabalho em um ambiente tão austero tinham tirado dele o colorido da vida.

Religião e seriedade ao extremo fizeram com que eu me tornasse uma criança tímida e solitária, ter contato com os coleguinhas fora do ambiente escolar era algo meio burocrático, os colegas evitavam ir a minha casa e eu não podia ir a casa deles, meus pais não deixavam, a menos que fosse para fazer trabalhos escolares, mas com rigorosos horários a serem cumpridos. O resultado de tudo isso? Eu era a aluna mais tímida da minha sala, aquilo não me fazia nada bem e não era o que eu queria, mas a timidez era sempre mais forte do que eu.

Certo final de ano os professores inventaram uma comemoração e criaram um desfile dos alunos, cada aluno receberia uma faixa que correspondia ao seu comportamento em sala de aula, e qual não foi a minha decepção quando chegou a minha vez…

Eu era muito tímida sim, mas a timidez não impedia de ter um bom comportamento, extremo respeito aos professores e boas notas em todas as materias, tanto que em épocas de prova, sentar perto de mim era visto como algo vantajoso, então imaginei que a minha faixa de “miss estudante” teria haver com algo do tipo, mas infelizmente não foi, nem de longe, o que eu esperava…

“E agora com vocês, Nadir com o título de Miss Tô por fora!!” – falou a diretora aos berros no microfone

Ainda consigo lembrar com perfeição do sentimento que me envolveu naquela hora, grande parte dos alunos me olhava e caia na risada, enquanto eu não estava achando graça nenhuma na brincadeira, na hora tive vontade de xingar a professora, de partir pra cima dela, de mandar todo mundo pro espaço e sair correndo dalí. Quanto mais eu demorava, mais ela repetia: “Vamos miss to por fora, venha pegar sua faixa“, fui até ela de cabeça baixa, voltei pro meu assento com aquele rótulo infeliz no meu corpo e lá fiquei de cabeça baixa até o final da “festa”.

O que a professora conseguiu com isso?! A didática dela fez com que eu afundasse mais ainda e o processo para vencer aquela timidez ficou ainda mais lento, e ainda tive que ter muita paciencia e força de vontade até que os alunos esquecessem aquela comemoração infeliz e aquele título estúpido que me deram.

Os anos passaram e graças a Deus que o bullying não fez comigo o que fez com o matador de Realengo, superei todas as minhas dificuldades e de aluna tímida passei a professora. Da pra acreditar?! Dia desses eu estava em uma sala com quase 50 alunos e ao mesmo tempo que dava aulas, lembrava da minha timidez de anos atras e pensava cá com meus botões: “Poxa, quem diria…”

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6 Respostas para “Bullying, eu sentí na pele!

  1. Mais uma q sofreu… Eu!
    Sabe aqueles caderninhos que perguntam “a pessoa mais bonita da sala, sua melhor amiga e na última folha deixe uma mensagem pra dona do caderno…” Eu sempre ganhava nas perguntinhas de “a menina mais metida, mais chata, mais feia”, sei lá… tudo q era de ruim kkkk … Ah, não podemos também esquecer das bolinhas de papel que voavam direto pra minha cabeça, apelídios, piadinhas, roubo de lanche, ocultação de materiais de estudo, etc.
    Hoje, refletindo, lendo e estudando sobre psicologia, eu entendo q foi apenas uma forma de inveja, vontade de ter as minhas qualidades, já que eu era/sou uma ótima aluna…
    Acho q vocês professores têm um papel muito importante, ao notarem que outros alunos “perseguem” alguém, devem repreender … Essa tua professora, afff sem comentários… porque uma criança não sabe o trauma que pode causar em outra, mas um adulto ???? Espera-se que ele entenda q o outro vai se magoar, vai sofrer.
    O caso daquele rapaz… foi rejeitado em todos os meios q ele conviveu, certamente seus professores e parentes foram omissos, aliado a tudo isso, certamente tinha tendência a desenvolver transtornos mentais… deu no que deu.
    Bom, mas bola pra frente né!
    Graças a Deus Altíssimo estamos bem e felizes 😉

    • Meu problema era sempre relacionado a timidez, eu odiava quando se referiam a mim como uma pessoa tímida, bom, na verdade eu era mesmo, mas não porque eu tivesse escolhido ser assim, eu tentava ser mais extrovertida, mas a pressão era tanta que eu me afundava mais ainda na minha timidez. Hoje eu ainda me considero uma pessoa um tanto quanto tímida, mas tô vencendo meus obstáculos…

  2. Só de ler meu coração doi.

    Tbem sofri com apelidos ridculos, mas eu era o oposto…brigava, xingava, revidava…..era o terror da sala…….e olha eu de professora tbem….kkkkk

    Triste o fim desse rapaz e graças a Deus tivemos finais felizes.

    Beijos e fiquem com Deus

    Barbrinha

  3. Olá Nadir, tudo bem?
    Puxa, mas que professora ridícula aquela ! Graças a Deus você foi uma vitoriosa, venceu aquela barreira e seguiu em frente mas infelizmente nem todos conseguem. Mas creio que com o caso de Realengo, os gestores de instituições de ensino em geral devem estar repensando e muito seus métodos educacionais. E infelizmente às vezes tem que acontecer tragédias como essa para que se acorde…

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