Os dentes estragados

Era pouco mais das dez horas da manhã, eu estava voltando pra casa na companhia de um sol digno de aquecimento global em nível hard. Me aproximando de casa, avisto um grupo dos Testemunhas de Jeová que estavam onde?! Onde?! Na porta da minha casa! Consigo estacionar o possante em poucos segundos, mas desta vez passei pra mais de minutos, na tentativa desesperada de não cruzar meu caminho com o deles. Deu errado! Passaram por mim e perguntaram se eu morava naquela casa. Com o carro estacionado bem em frente à garagem, não dava pra arrumar uma desculpa esfarrapada. Afirmei mas já em tom de “estou ocupada e não tenho tempo pra conversa religiosa”.  A mulher pergunta se eu teria tempo para ouvir uma palavra, pensei em dizer que não, mas minha resiliência falou mais alto,  fiz cara de paisagem e na tentativa de me sair, falei que era evangélica, jurando que ela me agradeceria e iria embora, mas ela insistiu, queria que eu recebesse uma literatura. Pego a literatura com aquelas imagens de pessoas, leões e cordeiros brincando de roda e quando me tento ir embora, a mulher cisma de querer explicar o texto… O problema é que até então eu não tinha prestado muita atenção aos detalhes faciais da mulher, até que frente a minha simpatia, ela me dá um sorriso e eu entro em desespero…

O sorriso da criatura era a cara da extrema pobreza africana, pra ser mais exata, os dois dentões da frente, metade deles já tinha ido embora e a outra metade lembrava a Torre Eiffel invertida, e aí ficou tenso manter algum contato daí em diante, meus olhos criaram vida própria e insistiam em fitar as duas torres invertidas, pensei olhar nos olhos da criatura, mas ela poderia achar que eu era do grupo GLS, o que não faz meu estilo, pensei olhar pro nariz, mas também não era muito confortável, tentei olhar pro horizonte, mas era muita falta de educação não olhar pro rosto dela enquanto ela me convencia sobre um mundo mágico em um futuro próximo…

No auge do desespero, repeti umas três vezes que eu já era evangélica e que já estava por dentro de todas aquelas historinhas bonitinhas sobre o paraíso, até que ela se deu por convencida, me agradeceu a atenção, abriu aquele largo sorriso desfalcado e foi embora. Eu fiquei traumatizada e com a imagem da Torre Eiffel invertida até agora no juízo…

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