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:: Casamento Misto: Casando com a família egípcia ::


A ordem cronológica normal em um relacionamento seria primeiro um tempo do que chamamos de namoro, que é onde os dois pombinhos apaixonados se conhecem melhor, apreciam as qualidades, analisam os defeitos e veem se há algum jeito de moldá-los ou se vale a pena conviver com eles para sempre amem, se não vale a pena, o relacionamento acaba e cada um vai pro seu lado, caso contrario logo vem o segundo step: o noivado, um passo para o casamento, e já da pra pensar em assuntos mais serios, como o financeiro, por exemplo, geralmente é nessa fase que o casal planeja onde que vão morar, trabalham feito loucos para ter tudo ao seu modo, princialmente a casa onde eles irão morar após o casamento, não importa se é alugada ou propria, quer dizer, até que importa, mas levando em consideração a situação economica do mundo, casa própria é privilegio de um pequeno grupo de casais em inicio de vida conjulgal, então, se não da pra comprar a casa própria antes de casar, mas o normal é que se tenha pelo menos uma alugada, nada de morar na casa dos sogros. Depois da vida material mais ou menor organizada, vamos então ao altar e pedir a Deus que os felizes para sempre seja uma realidade dia após dia…

Agora vem cá… Alguem me explica porque é que nos relacionamentos a distancia as coisas geralmente acontecem pelo caminho inverso?! Conheço várias brasileiras que casaram com egípcios que conheceram pelo mundão virtual e as historia são sempre tão parecidas, o “amor” é tão grande que tem que casar a todo custo e o mais rápido possível, essas questões de se conhecer melhor, saber os defeitos e qualidades do outro, conhecer a familia, a cultura do outro, planejar a vida após casamento… fica tudo pra depois do casamento, primeiro casa, depois vê isso. O amor é lindo, mas o risco que se corre numa aventura dessas é terrível, e nem todos tem a sorte de obter sucesso…

Depois de um ano e um mês de contato a distancia, eu e o falecido resolvemos casar. Meus conhecimentos de cultura egípcia eram pra lá de teoricos e os dele de cultura brasileira mais ainda, eu não sabia muita coisa das manias dele e o mundo virtual não deixava que eu percebesse os defeitos e muito menos se eu seria capaz de moldá-los ou de conviver com eles, levando em consideração que eu só aparecia por aqui de bom humor, ele tambem não teve muita chance de conhecer o meu lado negro e de igual modo, saber se seria capaz de conviver com ele. Surgiu a ideia de conhecer as familias primeiro e só depois pensar em casamento, assim como é nos relacionamentos convencionais, mas levando em consideração a distancia entre Brasil e Egito e a disponibilidade do bolso da minha saia e da calça dele, se fosse fazer da forma convencional, o casamento ficaria para depois, e bem depois. Tudo era muito relativo, o falecido tinha um flat meio caminho andado no Cairo, então a principio era mais lógico morarmos no Egitão, mas não é novidade que a realidade economica no Egitão não é das melhores, e assim como centenas de outros egípcios, o falecido pensava em tentar a vida fora dos limites egípcios. O Brasil agora era uma opção, mas aqui eu não tinha uma casa minha, e comprar um imovel agora seria impossível. O mais sensato era não casar agora e planejar melhor o futuro, correto?! Isso nos relacionamentos convencionais, mas como na maioria dos relacionamentos virtuais a cronologia dos fatos é aleatória e nunca sobra tempo pra planejamento… decidimos ficar no Egito mesmo, depois veríamos como que seria o futuro…

O falecido tinha um flat novo no Cairo, mas estava em processo de construção ainda. Era um flat de três andares, deixado pelo pai dele, um andar pra cada filho (ele e a irmã) e o outro para o pai e a mãe, mas daí o pai dele adoeceu e a construção do flat ficou pra depois, e eles continuaram morando no flat antigo, tudo isso antes do falecido sonhar em me conhecer. Quando nos conhecemos e decidimos casar, ele retomou a construção do flat dele, mas daí ainda faltava TODOS os moveis e esperar pra casar depois do flat todo pronto, levaria mais algum tempo. Nos casamentos convencionais os noivos esperam, mas nos casamentos a distancia, geralmente improvisam. A mãe do falecido, gentilmente, ofereceu a casa dela para morarmos, enquanto o nosso flat ia se organizando: pior coisa que eu poderia ter feito na vida!

Casando com um egípcio, morando na casa dos sogros ou não, você tambem se casa com a familia dele, isso não tem como evitar, só que morando com eles o stress é pior ainda porque em T-U-D-O eles meterão o dedo, a não ser que você seja M-U-I-T-O sortudo e encontre uma família que saiba respeitar os limites alheios, coisa dificil no Egitão. A minha experiencia de morar com a sogra não foi das melhores, ela tinha lá suas qualidades, mas eu nunca que me acostumei com a mutação comportamental dela, e implorei ao falecido que resolvessemos logo aquela questão. Um belo dia ele chega com esse comentario:

– Olha, o nosso flat está quase pronto, poderemos morar lá em breve
– Que bom!
– É, mas minha mãe tambem está organizando o flat dela…
– O_O

Lembram que eu falei acima que o flat tinha três andares? Pois bem, quando o falecido começou a reorganizar o dele, mais do que depressa a mãe dele tambem organizou o andar dela e já estava dizendo que tambem se mudaria, e pro meu desespero, a irmã dele tambem estava com planos de concluir a construção do andar dela para se mudar tambem com o esposo e as duas filhas. Que coisa mais linda, nós ficariamos no 1º andar, a mãe dele no 2º e a irmã no 3º… Não deu tempo… antes disso viemos para o Brasil!

:: Casamento Misto: Problemas Culturais – Parte III ::


A brasileira que decide casar com um egípcio e acima de tudo vai morar no Egitão, deve ter em mente que lá no Egito ela tem que ser uma mulher a la Egitão, não adianta querer impor seus costumes brasileiros que a coisa não funciona, não adianta dizer que no Brasil é assim ou assado, no Brasil pode ser, mas a realidade agora é outra e é bom logo tendo em mente que terá que se adequar a ela. Se for morar aqui no Brasil nem precisa de preocupar tanto, quem deve se preocupar e muito é o pobre do egípcio que terá uma dificuldade de adaptação bem maior do que a brasileira teria lá no Egitão, mas aí já é outra história…

Bom, mas como disse a minha colega de Blog Anita, eu não havia evoluido o suficiente para mudar da água pro vinho, de forma tão instantanea assim, não imaginava que essa coisa de morar fora do Brasilzão pudesse ser tão complicada, e levando em consideração que a família do falecido era bem tradicional, essa complicação só tendia a crescer a cada dia…

Eu sabia que o contato entre homens e mulheres no Egitão era bem restrito, mas eu não sabia que em alguns casos esse “restrito” beirava o inacessível, e levei um choque quando frente a uma visita masculina, lá onde morávamos, eu fui “convidada” a ficar dentro do quarto, até que a visita fosse embora. Fato que se repetiu no flat de uma brasileira amiga minha, quando em uma visita que fui fazer a ela, a cunhada dela, que estava na sala conversando conosco, foi “convidada” a se retirar, quando o falecido ligou avisando que ía me buscar… Desculpem a minha intolerancia, mas da até a impressão que homem estranho, mesmo que esse estranho não seja tão literal, é sinonimo de perigo absoluto, e por isso as mulheres devem estar protegidas… Ah que saudade que eu tinha da patria amada, onde eu podia abraçar e beijar meus amigos homens e ter a consciencia de que tudo aquilo é amizade sincera, mas adiantaria alguma coisa eu dizer que no Brasil era assim ou assado?!…

Sempre desejei ter filhos, mas levando em consideração que filhos é MUITA responsabilidade, tentei convencer o falecido de que deveríamos tê-los quando tivéssemos a vida mais organizada, não sabíamos ainda onde que moraríamos definitivamente, mal tínhamos “organizado” o flat, já tínhamos planos de vir morar no Brasil, enfim… não era um momento muito propício para pensar em colocar filhos no mundo, pro meu alívio, ele acabou aceitando. Pro meu desespero ví que essa não era a realidade alí ao meu redor. Quando fomos pra lua de mel, a sogra quase que me pede pra voltar com um exame de gravidez positivo pra dar de presente a ela. Visitamos um casal que tinha pouco mais de um ano de casados, o album de casamento ainda tinha cheirinho de foto recem saida da loja, e eles já estavam lá com um bebezinho nos braços. O melhor amigo do falecido tinha casado ainda quando estávamos em contato virtual, agora a esposa dele estava com a barriga saindo pela boca e ele ainda reclamava que demorou demais pra engravidar… Adiantaria eu explicar pra eles que aqui no Brasil os casais não pensam em encomendar o bebe na noite de nupcias?! A ex sogra quase que derruba a piramide de Kefren, pedra por pedra, quando eu disse que só teria filhos em pelo menos uns três anos…

O flat tinha uma varanda e eu adorava ficar debruçada vendo o movimento lá embaixo, tinha uma padaria pertinho e eu achava o maximo ficar olhando o cotidiano das tias egipcias que brigavam por um lugar na “fila” pra pegar o pão. As unicas ocasiões em que eu via mulheres nas varandas era quando elas iam estender roupa, pegar as roupas secas ou limpar a varanda, e geralmente cobertas até a alma, só via o rosto e nada mais, fora isso eu era a única que ficava bancando o guarda noturno (ou diurno). O falecido as vezes pedia pra que eu não ficasse tanto tempo na varanda, enquanto a sogra já fechava a cara e se entocava na cozinha. Varanda não é lugar de mulher, sabe como é né, pode haver algum par de olhos masculino observando a feminilidade alheia. Adiantaria eu dizer que no Brasilzão a mulherada coloca até cadeirinhas na varanda ou nos calçadões da vida pra bater um papo?!… Não é tambem que a mulher no Egito tenha que ficar trancada dentro de casa, mas no Egito onde eu morei, elas só não deveriam ficar muito expostas ao público…

Todo casal, misto ou não, gosta de contato físico, concordam?! Não estou falando de beijos, abraços e afins, mas de simplesmente estar juntos… Certo dia fomos ao flat novo para ver como que estava as obras lá, o contrapeso (a sogra) foi junto e enquanto ela organizava não sei o que lá, eu e o falecido ficamos sentados em um banco improvisado e a anta apaixonada aqui, inocentemente entrelaçou o braço no braço do falecido e ficou lá com cara de paisagem olhando pras paredes cheias de cimento do flat. Quando o contrapeso viu aquela cena perguntou que pouca vergonha era aquela, logo o falecido se afastou de mim e explicou que não era legal contato fisico em publico e principalmente na frente dos mais velhos. Gente, mas o que era um braço entrelaçado e uma cabeça no ombro?! Pro Brasilzão, a coisa mais simples e fofinha que existe, pro contrapeso egípcio, uma pouca vergonha. Adiantaria eu explicar que no Brasil era diferente?!…

Aí eu lembro de uma frase que Anita escreveu tambem, essa coisa de que o amor supera qualquer barreira é mentira. Concordo plenamente! Dependendo da barreira, chega uma hora que o amor cansa, e as vezes é melhor deixar a barreira lá quietinha na dela, e prosseguir a vida por outro caminho. Conhece a frase: “Não adianta dar murros em ponta de faca” ? Essa frase se encaixa perfeitamente em muitas situações vivenciadas em um casamento entre pessoas de culturas diferentes…

O sono me pegou!… Amanhã tem mais 😉

:: Casamento Misto: Problemas Culturais – Parte II ::


Essa questão das vestimentas sempre foi um ponto muito difícil na minha aculturação. O falecido até que era relax nisso, ele pegava no meu pé, mas nada que viesse a me sufocar, o problema, como sempre, estava na sociedade que cobrava a torto e a direito! Eu nunca fui de usar roupas escandalosas, sou evangélica e a denominação a qual faço parte preza muito por essa questão de não ser vulgar no vestir, preza tanto que em certas regiões do Brasil, essas regras chegam a beirar o absurdo, se por um lado essas regras aqui no Brasil me estressavam, por outro me prepararam ao longo dos anos para o que me esperava no Egitão, o problema é que lá tudo era três vezes mais do que aqui, o que me sufocava profundamente…

Certa vez fui a uma clínica médica com a ex cunhada e depois de alguns dias vendo apenas mulheres COMPLETAMENTE vestidas, só com mãos e rosto de fora, algumas nem o rosto dava pra ver, fiquei super feliz em ver uma mulher de seus trinta anos mais ou menos, vestida a la brasileira: uma calça comprida marrom, uma bota de salto alto, uma blusa de frio bem composta, mas que dava formato e leveza ao corpo, cabelos loiros bem cuidados e soltos, e uma maquiagem em um tom que combinava com a cor da roupa. Fiquei tão feliz em ver aquela mulher, bom saber que nem tudo alí era abayas (vestidos), hijab (veu muçulmano que cobre o cabelo e o pescoço) ou niqab (veu que cobre toda a cabeça, rosto e pescoço, deixando apenas os olhos aparecendo), eu já não me sentia uma estranha no ninho. Pensei em comentar com a ex cunhadinha, mas nem deu tempo, ela se virou pra mim e disse:

– Isso é um absurdo! Onde que vamos chegar?!

Procurei os quatro cantos da clinica pra ver se via algo errado, olhei as cenas que passavam na TV, o que cada paciente fazia e não encontrei nada de absurdo…

O que foi que houve?
– Olha aquela mulher…
– Que mulher?
– Aquela lá sem o hijab

Era a mulher que eu acabei de descrever acima…

Humm o que ela tem?
– Você ainda pergunta?! Olha a roupa dela… Isso é uma pouca vergonha…

Acabou minha esperança de usar modelito a la Brasil no Egitão, qualquer coisa semelhante, seria visto como pouca vergonha pela sociedade islâmica e pela familia do falecido… Juro que a mulher estava bem vestida, minha tia seria capaz de usar uma roupa daquela pra ir a igreja, entraria e sairia sem problema algum… Acorda!! Estamos falando de Egito e no Egito aquilo era vulgar, e eu tinha duas escolhas: respeitar a cultura local e me adequar a ela ou tentar impor a cultura brasileira e ser vista com maus olhos, com muito esforço, escolhí a primeira. Não tinha roupa vulgar, pelo menos não para os padrões brasileiros, mas me despedi de algumas blusas com decotes e ajustes censurados, e passei a usar o que aqui minhas amigas chamariam de vestido improvisado: blusas grandes, com decotes minúsculos, que me deixavam como a terra no principio de tudo: sem forma. Minha salvação era os casacos, os jogava por cima e saia por alí, tentando não pensar nas blusas que haviam ficado guardadas na mala 😦

Tudo bem que isso é uma questão pequena, com o tempo a gente até que se acostuma e em certas ocasiões chega até a achar que a rigidez egípcia no vestir é algo positivo, mas ter esse hábito não é nada fácil, ainda mais em um país islâmico onde alguns grupos religiosos meio que exageram na modestia. Como eu falei acima, não tive problemas com o falecido em relação a isso, mas o mundo ao redor cobrava demais, qualquer coisa que acentuasse a beleza feminina em público era vista como vulgar, dentro de casa, estando eu e ele sozinhos, eu poderia andar até vestida a la madrinha de bateria de escola de samba, mas na rua, eu tinha que ser o mais imperceptível possível.

Isso me fez lembrar agora uma certa brasileira que casou com um egípcio mais rígido, e ao vê-la de salto alto foi logo tratando de proibí-la de usar aquele acessório, segundo ele, o salto alto chamava a atenção do homens alheios e ele não admitiria uma coisa dessas com a esposa dele. Coitada, ela que era vidrada em salto alto e afins, teve que escolher entre a sua vaidade e seu casamento… Complicado, não?!

Tudo bem, ninguem vai acabar um casamento porque na cultura do outro aquele modelito é visto como imoral, mesmo na nossa pátria sendo a coisa mais simples do mundo, para essas situações é necessário adaptação, o problema é que nem sempre estamos preparados pra isso e essa preparação, na maioria das vezes, é desgastante, principalmente se ser cabeça dura faz parte do nosso comportamento, mas se a outra pessoa faz por onde merecer, vale a pena o esforço, e assim eu me esforcei, até onde o falecido fez valer a pena…

Amanhã tem mais…

:: Casamento Misto: Problemas Culturais – Parte I ::


Não foi tão difícil lidar com os problemas religiosos no meu casamento misto, se dependesse deles, eu estaria casada até hoje e por incrível que pareça, feliz! Isso se não morasse no Egito é claro. O falecido era tranquilo, no Egito a família e a sociedade sutilmente exigia que eu não fosse cristã, mas aqui no Brasil o falecido me deixava livre para ser o que eu bem desejasse ser. Eu poderia ir a igreja sete dias na semana e ele não reclamava nada, chegou até a ir uma vez comigo e por incrível que pareça, me cobrar reverencia dentro da igreja (shame on me!), paralelo a isso ele era livre para ser muçulmano na intensidade que ele desejasse ser, cheguei a procurar uma mesquita para que ele não se sentisse tão deslocado, religiosamente falando, e até lembrava a ele as cinco orações diarias. A vida era traquila apesar dos detalhes que falei no post passado…

Paralelo aos problemas religiosos tive que lidar com outro problema tão delicado quanto: o cultural. Uma das coisas mais difíceis para um estrangeiro é seguir regras que pra ele não faz o mínimo sentido. O turista que vai ao Egitão nunca vai entender essas coisas porque o turista no Egito pode ser ele mesmo, afinal, ele não está alí pra ficar e as pessoas que lidam com ele não vão exigir que ele siga os costumes locais, eles não são nem doidos para contrariar os responsáveis por uma de suas maiores fonte de renda, concordam?! Mas quando vamos a qualquer país na intenção de fazer parte do mesmo, temos que ter em mente que temos que estar totalmente abertos a nova cultura, e que se quizermos conviver em paz e ganhar a confiança do nativo, teremos que desligar o botão pra muita coisa e nos adaptar à nova cultura, processo lento e dependendo da situação, nada agradável!

A minha grande dificuldade no Egitão foi me adequar ao estilo de vida esperado para uma mulher egípcia. Eu entendia de estilo de vida da mulher brasileira, independente, dona do seu proprio nariz, que sai com as amigas sem necessariamente ter que dar satisfação a ninguem, que tem milhares de amigos homens, os beija, abraça, chama até de meu amor, mas tudo na mais pura amizade, estava acostumada com aquela mulher vaidosa, cabelos ao vento, meio quilo de maquiagem (putzzz exagerei legal agora!), estilo de vestir chamativo (sem ser vulgar, é lógico!), aquela mulher que se quiser dançar em uma festa, ela dança, se ela quiser dar altas gargalhadas frente a uma piada engraçada ela dá, aquela mulher que sonha em casar, mas que casa por sentimento e não já tendo em mente que o dever dela são todos os afazeres domésticos, botar filhos no mundo e andar à sombra do marido…

Bom, a lista de problemas culturais é um tanto grandinha, e pra não cansar os preciosos olhos dos meus leitores, vou dividí-la em algumas partes. Hoje quero compartilhar com vocês alguns detalhes de vestimentas e maquiagem…

Meu segundo dia de moradora no Egitão foi meio estressante, eu já sabia que a mulher lá tinha algumas restrições, mas não pensei que seria apresentada à elas tão rápido assim:

– Hoje vou te levar pro Khan el Khalili. Lá tem uns Cafes muito legais, tenho certeza que você vai gostar muito, tem tambem dezenas de lojas, você pode comprar o que você quiser lá…  – disse o falecido –

Wow!! Compras?! E o que eu bem quisesse?! Era tudo que eu queria…

– Ótimo. Vou me arrumar então…

Era inverno, a temperatura estava em torno de 7°C, clima da Sibéria para uma pobre Nordestina acostumada a um “inverno” de 20ºC e poucos, mas sorte minha, porque se eu tivesse pego o verão do Egito, aí sim eu teria com certeza tido serios problemas culturais. Vestí uma calça jeans um pouco justa, uma blusa de mangas compridas justa tambem, uma bota de salto alto e um sobretudo por cima. Quando eu ía saindo a mãe do falecido me olha e diz que a roupa não estava legal, o problema era que a blusa não era comprida o suficiente para cobrir toda região da frente. Não!! Não!! A barriga não estava aparecendo, mas segundo o conceito egípcio uma boa mulher nunca sai a rua mostrando detalhes do corpo, e como a blusa era curta, estava mostrando os quadris, sem contar que a calça era justa. Juro que não tinha nada demais no modelito, isso segundo os conceitos brasileiros de vulgaridade, mas para o egípcio, eu estava beirando o inaceitável… Era meu segundo dia de Egitão, e na intenção de agradar a sogra sargentão, troquei a blusa e coloquei uma que havia ganho da cunhada: uma blusa preta ENORME que aqui no Brasil dava pra ser usada como vestido sem bronca nenhuma, era uns 20cm acima do meu joelho, e bem folgada, dando aquele ar de linha reta sem fim, só não fiquei com cara de tronco de bananeira porque a cor não era verde…

Não sou tão apegada a maquiagem, quer dizer, sempre gostei de olhos bem destacados, e dizem que eu tenho olhos bonitos, então esse tipo de comentario só colabora né :P, mas de modo geral não sou tão vidrada em maquiagem, só que a sogra cismou que eu tinha que colocar alguma coisa no rosto, e por mais que eu explicasse a ela que eu não queria, ela já ia falando com o potinho nas mãos… Tá bom!! Tá bom!! Vamos mais uma vez agradar… Nunca ví demorar tanto pra passar uma base, e quando eu me olho no espelho…

 – WHAT THE HELL IS THAT?!

Ainda bem que ela não entendia inglês! Eu estava ganhando pra Gasparzinho, a cara era um reboco só de base branca que dava medo, enquanto eu me desesperava, o falecido dizia que eu tinha ficado linda. Geeente, como que alguem pode achar uma cara rebocada de base branca como a neve, linda?! Mas tudo bem, lá vai eu a la Gasparzinho para o Khan el Khalili, meu desespero só não foi maior porque ao longo do caminho encontrei outras caras rebocadas também, e percebí que aquilo era “normal” por alí. Tenho fotos fantasmagóricas desse dia, qualquer hora dessas mostro a vocês…

Mas tudo isso foi a piece of cake, frente a outros problemas culturais que enfrentei na Terra dos Faraós. Amanhã vocês conhecerão outros episódios… 🙂

:: Casamento Misto: Problemas religiosos ::


Apesar do enorme abismo cultural e religioso que nos separava, eu e o falecido nunca tivemos problemas em relação a essas questões. Religiosidade nunca foi o meu forte e graças a Deus que ele era um muçulmano tranquilo, pequeno detalhe que cooperou bastante para os bons momentos que tivemos ao longo da vida de casados. Eu não via muito objetivo lógico em dezenas de tradições religiosas que ele seguia, mas eu respeitava a devoção que ele tinha a elas, ele sonhava que eu largasse o cristianismo e fosse tão muçulmana quanto ele era, mas respeitava a minha decisão de permanecer no cristianismo, em relação a isso, viviamos em harmonia. Mas a nossa vida de casados não se resumia a nós dois, paralelo a isso eu tinha que lidar com uma sociedade islâmica e ele tinha que lidar com uma sociedade cristã, e aí o universo todo parece que conspirava, só não ao meu favor!

No Egito em que eu viví, a grande maioria das pessoas valorizava a religião acima de qualquer outra coisa neste planeta, fato que colocou o falecido em calças curtas. Ele nunca sequer perguntou se eu tinha algum pensamento remoto em me converter ao islamismo, mas eu sabia que ele era cobrado por isso. As pessoas não estavam muito interessadas no meu nome, mas de cara já queriam saber se eu era muçulmana, e quando ele dizia que eu era cristã, as reações não eram muito acolhedoras. Eles aceitavam, mas era como se falassem: “Tá bom, ela é cristã, mas você tem a missão de trazê-la para o nosso grupo”, o que não foi muito diferente com ele quando viemos morar no Brasil… A mãe dele tinha uma aversão tão grande a tudo que não fosse islâmico que chegou ao ponto de me proibir categoricamente de usar um pingente em formato de cruz que eu tinha, isso sem contar nas diversas vezes em que a irmã dele tentou me evangelizar e me convencer de que o islamismo era a única religião correta no mundo. Psiu! Não estou dizendo que é assim em todo o Egito tá, nada do que eu falo aqui deve ser tomado como regra, algumas pessoas tem sorte, outras não, no meu caso com o Egito, fiquei no segundo grupo… A pressão sobre ele começou a ficar tão intensa que quando as pessoas perguntavam a ele qual era a minha religião, ele dizia que eu era muçulmana, fato que me irritava profundamente e me fazia questionar qual era o problema em ser cristã naquele país! Cristãos e muçulmanos dividem o mesmo espaço geográfico, dizem que vivem bem, só não sei afirmar de forma geral na prática até que ponto vai a literalidade desse “bem”, comigo foi tudo muito parcial. Gostaria muito de ter a opinião de um copta (cristão do Egito), um evangélico ou católico que tenha morado lá… de repente o problema foi só comigo…

Mas os problemas religiosos não pararam por ai… Infelizmente o link com essas informações foram perdidos em uma visita de um Cavalo de Troia ao meu antigo computador, mas na epoca eu tinha encontrado por aqui algumas informações sobre leis no Egito, e tinha lido lá que a esposa cristã não tinha os mesmos direitos que a esposa muçulmana, claro que eu achei que aquilo era alguma pegadinha ou palavras de alguem mal informado e nem dei muita importancia. Ía perguntar ao falecido a respeito, mas em meio a tanta coisa pra fazer, eu acabei esquecendo. Até que certo dia fui dar uma olhada na certidão de casamento:

– Geeente mas porque é que tem que colocar a religião no documento?!  Qual o interesse do governo em saber se a pessoa é muçulmana, cristã, judia, hinduista, ateia…?!  – Perguntei ao falecido –
– É que dependendo da religião a pessoa terá 100% dos direitos constitucionais. A esposa muçulmana tem todos esses direitos, as que seguem outra religião tem algumas restrições…
– Mas como assim?! A religião de cada um é algo que não interessa ao governo, que tem a ver leis do país com a escolha religiosa de cada um?!
– Mas é assim…

Eu havia esquecido que no Egito o Estado e a religião andam de mãos dadas, não da pra saber onde que termina um e começa o outro, e já bem consciente de que nem eu e nem o falecido mudaríamos a realidade do país, e que eu havia casado com o falecido e não com o governo egípcio, achei melhor nem tocar mais no assunto, mesmo achando tudo aquilo um preconceito religioso sem fim. Ahh! Tambem não conseguia aceitar o fato de que o homem muçulmano podia casar com uma cristã ou uma judia, mas a mulher muçulmana não podia casar com um homem judeu ou um cristão. Porque será hein?!…

Alguns meses depois lá estávamos nós falando sobre filhos, e como era de se esperar, não demorou muito para que o assunto religião fosse acoplado a conversa:

– Meus filhos serão muçulmanos! – Falou o falecido –
– W-H-A-T-?

Essa parte não estava no script, se não me falhe a memoria, poucos meses atras ele havia dito que a educação religiosa dos filhos seria condicionada ao sexo delas, se fosse uma menina seria educada no cristianismo e se fosse um menino seria educado no islamismo. É, mas agora ele tinha mudado de ideia, argumentava que o cristianismo do Brasil era uma bagunça e que ele não permitiria que os filhos dele fossem criados dessa forma, como se o estilo de vida de um cristão brasileiro fosse o mesmo estilo de todos os outros milhares de cristãos espalhados pelo nosso território… mas meus argumentos de nada valiam, filho de muçulmano TINHA que ser muçulmano e ponto final. Nada contra ter filhos educados no islamismo, desde que eu tivesse o mesmo direito de apresentá-los ao cristianismo. Esquece! Esses direitos só existiam na minha cabeça brasileira. Esse era o único tema ligado a religião que colocava o falecido e eu em pé de guerra. Esses filhos nunca vieram… graças a Deus!!

… dos problemas de um casamento misto, esses foram dos menores. Apesar de tudo, nos entendiamos, era só não tocar na questão da religião que os filhos seguiriam 😀

E quanto aos problemas culturais?! Ahh só amanhã agora … Aguardem! 😉

:: Casamento Misto: Sentindo na pele a realidade ::


Já havia vivido esse dilema em casa antes mesmo de ter pensado em casar. Meu pai era católico e minha mãe evangélica, apesar da diferença religiosa, a convivencia até que era “harmônica”. Meu pai era o que eu chamaria de católico não praticante, minha mãe era que era ‘evangélica beata’ e as vezes ficava estressada quando meu pai achava que não precisava toda aquela devoção. Para evitar atritos ela deixava de frequentar a igreja na intensidade que ela desejava. Meu pai tambem não gostava muito daquelas visitas religiosas que de vez em quando apareciam aqui em casa e normalmente cantavam hinos ou faziam orações em um tom de voz um pouco mais elevado, na verdade ele não era muito simpatizante dos “crentes”, como ele chamava, respeitava mas não queria muito contato.

Nunca houve imposição quanto a minha educação religiosa, pro meu pai era indiferente se eu seguisse o catolicismo ou o protestantismo, já minha mãe queria a todo custo que eu fosse tão religiosa quanto ela era. Eu podia seguir os ideais deixados por Lutero, mas quando o assunto era frequentar uma igreja, o tempo meio que fechava. Até hoje eu não entendo a razão disso, mas ele não deixava que eu tivesse muito contato com o pessoal da igreja, fato que deixava minha mãe insatisfeita, porque ela queria que eu fosse bem envolvida nas atividades de lá, mas em nome da boa convivencia no lar, ela relevava. Nunca presenciei nenhuma briga deles dois por causa de religião, mas sei que minha mãe deixou de fazer na vida religiosa muitas coisas que ela gostaria porque de uma forma ou de outra isso aborreceria meu pai. Se por um lado ela o agradava, por outro lado desagradava a si mesma, e assim foi por longos 15 anos, até que por consequencia do uso do cigarro meu pai veio a falecer e aí ela ficou livre para ser a barata de igreja que ela sempre sonhou 😛

Virei gente grande e resolvi casar! Ele, um muçulmano de berço que morava no Egitão, eu, uma evangélica de berço que morava no Brasilzão. Wow! Quanta diferença pra uma só casal!! Ganhei atestado internacional de loucura pelos amigos mais próximos e conselhos ao uso de remedios de tarja preta pelos mais distantes. Todos viam que aquilo não era uma boa ideia, mas como nós não poderiamos ser diferentes dos casais apaixonados do planeta terra, éramos consciente sim do abismo que nos separava, mas tínhamos certeza que o “amor” construiria uma ponte e no final tudo daria certo, as pessoas era que não entendiam nada de amor verdadeiro!

Você vai casar com um muçulmano?!
– Vou sim, porque?!
– Mas você é evangélica…
– Tá e daí?! Ele é um muçulmano, mas é tão humano quanto qualquer evangélico do planeta, e o que vale é o carater e não a religião!
– Mas nos países árabes os cristãos não tem a mesma liberdade que, por exemplo, tem aqui no Brasil…
– Ahh que nada, cada um segue a sua religião, ninguem é obrigado a se converter não
– E os filhos?!

[…]

Esse era o tipo de conversa que já havia virado uma constante na minha vida desde o dia que eu havia resolvido assumir publicamente que eu me casaria com um muçulmano. No começo eu vivia perdendo a paciencia, principalmente quando os menos informados diziam que todo muçulmano é terrorista, coisa que pra quem tem um pouco mais de acesso ao mundo islâmico, sabe que é uma baita mentira, mas com o tempo eu aprendi a desligar o botão pra esse tipo de comentario e focar a vida nos preparativos da nova vida a la egípcia. Me preocupava a questão dos filhos, obviamente eu queria imortalizar meus ideais religiosos, e a ideia era fazer isso atraves dos meus filhos, mas eu tambem sabia que o falecido, habibi na época, tambem tinha esse mesmo objetivo…

Já pensou quando tivermos filhos?! – Comentei meio sem jeito –
– No que?
– Religião…
– Já sim…
– E aí…?!
– Podemos fazer um acordo. Se for um menino eu ensino no islamismo, e se for uma menina, você ensina na sua religião…
– Tá bom então. De acordo!

Tá vendo! Agora as pessoas vinham com aquele papo de que não podia dar certo casamento entre um muçulmano e uma cristã… Ele foi tão tolerante comigo que deixou até que eu criasse os filhos na minha religião! Que bonitinho!!

A princípio a ideia era morar no Egito por uns bons anos, o falecido tinha um flat próprio, só precisava os moveis e uns pequenos detalhes que logo seriam resolvidos. Morar na terra dos Faraós era algo bem glamuroso pra mim, beirei uma síncope quando soube que moraria a poucos minutos do Museu do Cairo, menos de uma hora e eu estava em Giza e de frente as pirâmides. Wow!! Simplesmente surreal!! Mas apesar disso me preocupava a minha realidade do cotidiano, principalmente no que diz respeito a religião, nunca fui barata de igreja, mas eu queria ter a garantia de que independente disso eu seria livre pra ser o que eu quizesse ser…

Tem igreja aí no Cairo? – Perguntei ao falecido –
– Não muitas, mas tem sim
– E se eu quiser frequetar alguma?
– Qual é o problema? Aqui você será livre igual aí no Brasil
– Jura?! Você me levaria em uma igreja?
– Claro!

A cada dia mais eu me certificava de que aquela loucura tinha sido o que de mais insano eu tinha feito em toda minha vida. A diferença cultural e religiosa existiam sim, mas na prática a toleracia e respeito transbordavam. Eu tinha medo da família, principalmente da mãe do falecido, a típica sogra sargentão, mas ele sempre me garantia que todos já sabiam que eu era cristã e que tinham me aceitado da forma que eu era, e que ninguem iria me obrigar a deixar de seguir minha religião para seguir a deles. Que bonitinho!!

O casamento era dos mistos, um dos mais complexos, mas o amor é lindo não é mesmo?! Tínhamos certeza de que seríamos felizes e a religião jamais seria motivo de serios problemas em nossas vidas. Casamos certos dos felizes paa sempre, mas não demorou muito pra que a realidade se mostrasse bem diferente dos planos dos nossos sonhos…

Amanhã vocês saberão porque…  Encontro marcado amanhã neste mesmo endereço!

Até mais! 😉

:: Dilema do Casamento Misto ::


O amor é lindo e capaz de ultrapassar qualquer barreira de um casamento misto. É claro que pode haver um perfeito entendimento apesar da diferença religiosa, com certeza haverá o respeito mutuo e cada um será livre para seguir os preceitos que pareçam mais corretos. E quanto aos filhos?! Ah os filhos tomarão conhecimento dos dois caminhos e terão plena liberdade de seguir o caminho da sua escolha. Não, ninguém será obrigado a fazer nada, afinal de contas, as religiões respeitam o livre arbítrio e acima de tudo isso está o amor, que como eu falei acima, é lindo e capaz de transpor qualquer barreira de um casamento misto.

É crescente o número de casais de credos diferentes que estão rumo ao altar, com aquela mesma esperança que todos os nossos ancestrais um dia tiveram: viver felizes para sempre. Casam e realmente vivem uma fase de felicidade sem fim, mas como toda fase tem um fim, logo o “felizes para sempre” se transforma em “felizes por fases” e daí pra frente muitos conceitos passam a ser revistos e o amor por vezes não parece tão lindo como no começo.

Por mais democráticas que as religiões sejam, mas lá na essencia da questão bem sabemos que cada grupo quer perpetuar a sua espécie, no caso das religiões, as suas ideias. Em um casamento misto a liberdade religiosa é apenas uma máscara que esconde a intenção da continuidade de uma ideia, sempre haverá a esperança de que o outro deixe seus preceitos e siga uma nova fé, ainda que nenhum dos lados tenha a coragem de assumir isto.

Administrar um casamento misto quando apenas o casal está envolvido na questão é uma tarefa relativamente fácil, tudo dependerá das religiões em questão e especialmente da cultura de ambos, mas ainda assim a convivencia pode ser menos complicada, mas logo os filhos chegarão e é aí onde chegamos ao ponto de ebulição, que pode vir a ser um ponto de explosão quando alem da religião existe tambem questões transculturais envolvidas. Não é bom achar que haverá tolerancia, porque na maioria dos casos não há mesmo. O objetivo religioso é a perpetuação de seus preceitos, e a educação de um filho é uma estratégia infalível para isso. Os filhos são os responsáveis pela transmissão de conhecimento às gerações vindouras, por isso eles precisam ser bem preparados pelos pais, e em materia de religião, a questão é muito mais séria do que possamos imaginar.

Vivemos em uma sociedade machista e por mais que as mulheres busquem direitos iguais, esses nunca virão. Deus criou homem e mulher de forma peculiar, e essas peculiaridades permanecerão ainda por muitos séculos, queira a classe feminina ou não. A mulher sempre será vista em segundo plano, e em materia de familia ela dificilmente terá a última palavra. Se por um lado isso da a ideia de que ela terá um homem que estará a frente de qualquer problema por outro lado da a ideia de que o seu livre arbitrio e as suas opiniões pouco importam. E no casamento misto, onde que fica a mulher na decisão de qual caminho religioso os filhos devem seguir?! Dependendo da religião, a opinião dela é literalmente anulada, os filhos terão que seguir a religião do pai e não se fala mais nisso!

O número de uniões entre pessoas de religião e nacionalidade diferentes vem aumentando a cada dia, principalmente entre casais apaixonados que se conhecem aqui nessa imensidão virtual, e movidos por aquela historia de que o amor é lindo e que serão felizes para sempre, embarcam em uma aventura que nem sempre tem um final esperado, e isso me preocupa profundamente. Tenho recebidos vários e-mails pingando de amor, de brazucas apaixonada que querem saber como casar com seus amados estrangeiros, que documento levar, que documento trazer, e elas estão tão preocupadas com o casamento no papel que esquecem do casamento no dia a dia, não analisam as renuncias que terão que fazer, os desafios que terão que enfrentar, a realidade que as espera lá do outro lado da fronteira, muitas não conhecem nem o básico da cultura que as espera, nada!! Não! Não quero com isso dizer que é impossível haver felicidade em um casamento onde ambos não professam a mesma fé e cultura, mas se essa felicidade é difícil de encontrar entre casais que falam a mesma linguagem de mundo, muito mais será entre casais que vem de mundos diferentes…