Arquivo da categoria: Casamento no Egito

Mantendo a privacidade


Quem me acompanha desde os primeiros posts do blog, sabe que passei uma temporada compartilhando minhas experiências nas Terras dos Faraós, em especial as que tinham alguma ligação com minha vida ao lado do ex habiby, ou como costumava chamar: falecido. Foram dezenas de posts que renderam milhares de visitas e centenas de comentários. Histórias que serviram de alerta para uns e diversão para outros, até mesmo pra mim que ficava rindo com as minhas próprias trapalhadas.

Naquela época tudo era muito recente, as mágoas estavam a flor da pele e de alguma forma eu tinha que colocar tudo pra fora, e pelo jeito encontrei essa oportunidade na tela do computador, e comecei a escrever sobre detalhes pessoais, alguns bem íntimos, e sem restrição alguma fiz da minha vida um marcador de livro em uma página aberta… Foi tudo válido e mais ainda por saber que pude usar todos os meus erros do passado pra tentar fazer um futuro diferente, não apenas para mim, mas também pra muitas pessoas que leram os inúmeros relatos postados aqui, mas cheguei a conclusão que chegou a hora de tirar esse marcador e guardar o livro…

Comunico a vocês que a grande maioria dos posts relacionados a minha vida pessoal no Egito não estão mais na rede. Agradeço de coração a todos que leram e comentaram as postagens. Está tudo bem guardado aqui comigo.

A brazucada e os casamentos virtuais


Esses dias eu estava cá com meus botões pensando nos inúmeros casos que conheço de relacionamento amoroso entre egípcios e estrangeiras, e vou contar a vocês, é incrível perceber como na maioria dos casos é sempre a mulher que tem que abrir mão das coisas, seja do seu conforto, seja da sua liberdade, seja da sua religião, seja até mesmo das economias conseguidas a custo de muito suor. Vocês conhecem a comunidade EGITO – DO NILO AO DESERTO? Não?! Então clica aqui e faz uma visitinha, garanto que não vão se arrepender.

Então, o pessoal lá na comunidade estava comentando sobre esses relacionamentos e surgiu esse comentario: “Porque tem tanto egípcio na internet procurando casamento?”, e logo eu lembrei dos pensamentos que eu estava compartilhando com meus botões. Porque é que a mulherada tem sempre que se sacrificar? Se o egípcio vai casar com uma egípcia, ele tem que dar apartamento do jeito que ela quer, tem que bancar do bom e do melhor e ainda tem aquela paradinha do dote, aí o egípcio encontra uma brasileira carente vagando por essa imensidão virtual, diz um ‘I love you’ aqui, um ‘bahebak’ alí e pronto, o casamento já está marcado, e daí a brasileira faz das tripas coração pra comprar a passagem pra ir pro Egitão conhecer o phophis e pior que isso, ela já vai certinha pra casar com ele, não sabe nem se vai se adaptar a cultura local, se o cara ronca ou tem mau hálito, o amor é lindo e ponto final.

Vocês tem noção do tamanho do risco?! Se tudo der certo, graças a Deus, mas e se não der?! O egípcio estará no conforto da sua pátria, e quanto a brasileira? Ela estará longe de tudo que lhe é familiar e agora com a dificil tarefa de voltar pra casa pra reconstruir a vida. A mulher abre mão da sua propria religião, conheço casos de mulheres, inclusive esta que vos escreve, que abriram mão até do seu conforto financeiro, e tudo em nome de um grande “amor”…  Aiii gente, até onde isso vale a pena?!  Não é que eu duvide da possibilidade de felicidade conjulgal por essas vias, mas depois de passar por certas situações, a gente chega a conclusão que prevenir ainda é a melhor opção. Poxa, se a mulher pode se sacrificar pra conhecer o bonitão da pirâmide, porque eles também não podem fazer uma forcinha, tirar a poupança da cadeira, pegar um vôo e vir aqui no Brasil conhecer a brasileira? Porque só ela que tem que se arriscar?

E o que mais me deixa de cabelos em pé em tudo isso é quando encontro alguma doida varrida corajosa que larga tudo aqui pra casar com o bonitão da pirâmide que financeiramente muito mal consegue manter a si mesmo, e pior ainda é quando ela já vai certinha de casar pra tentar trazer o cara pra tentar a vida aqui no Brasil. Tudo bem que o amor é lindo, mas é bom lembrar que ele não paga as contas…

:: Valentine’s Day no Egitão ::


A data era 14 e o mês era fevereiro. O que para nós é “Dia dos namorados”, lá no Egitão é “Valentine’s Day”. Ahhh mas antes de contar a minha historinha de Valentine’s day no Egitão, quero compartilhar com vocês algumas informações sobre a origem da data…

Valentine era um padre em Roma, quando o cristinanismo era uma religião nova. O imperador nesse tempo, Claudius II requisitou que os soldados romanos não se casassem. Claudius acreditava que, como homens casados, seus soldados iriam querer permancer em casa com suas famílias ao invés de lutar nas guerras. Valentine foi contra o decreto do imperador e casava secretamente os jovens. O padre foi preso e julgado à morte. Valentine morreu em 14 de fevereiro. Após sua morte, Valentine foi considerado santo e o dia 14 de fevereiro considerado o dia dos apaixonados, em homenagem a ele.

No Brasil a origem é outra. O dia dos namorados é comemorado no dia 12 de junho, por anteceder o dia de santo Antonio, santo portugues considerado casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar. A data provavelmente surgiu no comércio paulista quando o publicitário João Dória trouxe a idéia do exterior e a apresentou aos comerciantes e depois foi assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do dia de São Valentim,  para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados. Como junho é um mês de vendas baixas, eles decidiram comemorar a data nesse mês, ideia que funciona até os nossos dias…

Claro que eu só vim saber disso depois que passei um dia dos namorados no Egitão, fiquei sem entender porque lá não era em junho como é aqui e porque era chamado de dia de São Valentim e não dia dos namorados, mas enfim, dia 14 de fevereiro lá estava eu no Cairão e já fui dizendo ao falecido que eu queria alguma programação diferente para comemorar aquele dia, afinal, era o primeiro dia dos namorados fora do mundo virtual e teria que ser comemorado em grande estilo.

Fomos a um restaurante as margens do Rio Nilo. A disposição das mesas era bem curiosa, era como se o restaurante fosse uma arquibancada, as mesas ficavam alinhadas horizontalmente e ao longo das “arquibancadas” tinha varias e varias arvores ornamentadas com umas luzes pequenas. Uma fofurinha! Escolhí ficar na “arquibancada” de baixo pra ficar o mais próximo possível ao Rio Nilo, se esticasse o braço um pouco mais, tocaria nas águas do rio. Um cenário perfeito para comemorar o Valentine’s day!

Fazia pouco tempo que eu estava no Egitão e ainda não tinha entrado no processo de aculturação, estava com a minha mente de turista achando que podia colocar em prática todos os meus costumes pátrios e mais que depressa já fui me grudando ao falecido, nada demais, só entrelacei meu braço ao dele e encostei minha cabeça no seu ombro direito, claro que a minha intenção posteriormente era abraçá-lo e dar uns beijos tambem. Algum mal nisso!? Não né?! Para os padrões brasileiros não, mas já para os egípcios…

– Ajbuvj nvjhv vuvsfvf – Falou o gerente do restaurante para o falecido –
– Bhujng  Jhiuhg ujj  – Falou o falecido para o gerente
– Ckomg Fnfan – Falou o gerente para o falecido –
– Dngin – Falou o falecido para o gerente

Lembram que eu não falava nada de árabe né e durante a conversa dos dois eu fiquei de lado com cara de paisagem só ouvindo sons que não me diziam nada…

O que foi que ele te falou? – Perguntei ao falecido –
– Ele me pediu para que não tivéssemos contato fisico porque isso está causando mal estar nos clientes
– Mas como assim?
– É que aqui é proibido casais ter contato físico em público
– Mas que contato físico!? Eu só encostei minha cabeça no teu ombro…
– É mas não pode…
– Tá bom, pede a conta e vamos pra casa…

Ainda ficamos uns 20 minutos lá, pra mim que não estava acostumada com aquilo foi um tédio, ficar olhando pra cara do falecido e não poder nem fazer um carinho no rosto, depois observei ao redor e percebí que a grande maioria dos clientes eram casais que estavam sentados um de cada lado das mesas, unicamente conversando como amigos de velhos tempos, pra minha mente brasileira essa era uma forma muito sem graça de comemorar o dia dos namorados. Tá bom, tambem não sou a favor de altos beijos e abraços na frente dos outros, realmente não é legal, mas daí não poder nem encostar a cabeça no ombro do camarada…

:: As estatísticas tinham razão! ::


–  O que?! Você vai casar?!
– Vou sim, encontrei um príncipe encantado, um homem gentil, lindo, maravilhoso que me ama e que vai me fazer a pessoa mais feliz desse mundo…
– Mas você é tão nova… Faz isso não… Faz tua vida, estuda mais, conquista a tua independencia financeira, depois tu pensa em casar
– O que? Que adianta ter independencia financeira, curriculo cheio de bons cursos, falar não sei quantos idiomas, mas não ter com quem dividir tudo isso, ficar velha… e sozinha…
– … casamento não é algo tão bom quanto parece… tudo é uma questão de sorte…
– Ah sai pra lá, porque o teu deu errado, todos os outros tem que dar tambem é?!
– O meu vai ser diferente, voce vai ver…

Essa foi uma das ultimas conversas que tive antes de largar todos os meus planos profissionais em nome do que até então eu achava ser um amor sem fim. Pois é, larguei T-U-D-O. Tinha acabado de concluir a graduação e já estava de olho em uma pós graduação, sem contar nos planos de um curso no Canadá e dependendo do desenrolar dos fatos, uma chance de emprego lá tambem. Estava começando a construir uma carreira profissional que prometia sucesso, mas de repente troquei todos os meus planos por aquilo que eu achava que me traria a tão procurada felicidade. Deixei a vida profissional do primeiro mundo pela vida de dona de casa no “pais das maravilhas”. Deixei meu emprego, meus amigos, meus estudos, minha família, deixei até meus pets idolatrados que eu não deixaria por nada nesse mundo, mas deixei…

Na minha adolescencia e inicio de juventude eu sonhava com o casamento, entre tantas amigas, tinha uma que era a minha confidente e passavamos horas tricotando sobre as possibilidades amorosas que o futuro prossivelmente nos reservara, ela não era muito adepta a casamento, mas aturava meus comentarios sem fim sobre principe encantado e planos para o futuro. Na minha santa inocencia eu não conseguia entender porque grande parte dos casais que eu conhecia não era feliz, e porque os casados sempre aconselhavam os solteiros a não casar tão novos e aproveitar mais a vida. Aquilo era insano, pra mim o casamento era a fonte de felicidade, as pessoas que eram azaradas e não sabiam fazer por onde encontrar essa felicidade, mas eu poderia jurar de pes juntos que comigo a realidade seria diferente e que quando eu casasse teria um casamento que serviria de exemplo para toda raça humana. Sonhos de uma adolescente a caminho da juventude…

A adolescencia já era lembrança do passado, agora na fase adulta já pensava com mais seriedade na possibilidade de casar. Encontrei o principe encantado de uma forma surreal (em outro post contarei os detalhes desse encontro) e depois de um ano e um mês de contato já estávamos dividindo o mesmo teto.

Perdí a conta de quantos conselhos recebi, me encorajando a focar a minha vida em mim mesma ao invez de largar tudo por causa de um casamento, ainda mais este tipo de casamento (em outro post contarei as divergencias). A cada conselho eu eliminava uma amizade, alem de perfeccionista sou tambem cabeça dura, comportamento que estou tentando eliminar aos poucos, é bom aceitar que nem sempre temos razão, mas naquela época eu estava no meu mais alto nivel de dona da razão e levando em consideração o livre arbitrio, nem Jesus Cristo me convenceria o contrário. Geeeente, o falecido era o homem dos sonhos, sera que as pessoas não enxergavam isso?! Enxergavam sim, a transição entre sonho e realidade. Quem está de longe tem uma visão mais ampla. Hoje acredito nisso…

No inicio, como em todo inicio, a vida de casada seguia os planos dos meus sonhos de adolescencia, mas não demorou muito para que as estatísticas do IBGE batessem a minha porta e eu passasse a entender e aceitar os conselhos dos mais velhos no ramo. As brigas sem nenhum motivo lógico aparente, começaram a surgir, eu achava que tinha o controle da situação nas mãos e que com o diálogo tudo voltaria ao normal, afinal, o casamento era a fonte da felicidade e não era qualquer adversidade besta que me faria desistir de sonhar. A estatistica do IBGE insistia em bater a minha porta e de dentro de casa eu insistia em não fazer parte dos seus numeros, até que um dia ela entrou, me fazendo sentir na pele que a cada quatro casamentos, um acaba em divorcio…

:: Filhos já! ::


Sempre tive vontade de ter filhos, as vezes a vontade de ter filhos era bem maior do que a própria vontade de casar,  apesar disso sempre tive em mente em fonte Arial Black, negrito e vermelho intenso que filho é uma enorme responsabilidade que os pais carregam por um bom tempo das suas vidas, logo tudo tem que ser feito com o grau máximo de planejamento e responsabilidade, concordam? Sem contar que filho ocupa quase todo o tempo disponível e indisponível dos pais, o que acaba de certa forma afetando o relacionamento de ambos. Em resumo, apesar da minha vontade sem fim de ser mãe, a razão me dizia que o  mais aconselhável era esperar um tempinho depois do casamento para trazer  esse sonho para a realidade, só que no meu convívio egípcio a coisa parece que funcionava “um pouco diferente” daqueles meus conceitos trazidos da minha terra adorada, idolatrada, salve, salve…

– Olha, esse aqui é Siliman, um dos meus melhores amigos, e essa é a esposa dele. Eles vão ganhar um bebe em poucos meses – disse o falecido –

Lembram de Siliman? O amigo do falecido que dividiu a pizza conosco lá no dia do casamento no civil. Ele foi um dos primeiros vizinhos que eu conhecí lá na crownded Shoubra (bairro onde o falecido morava). Não fazia nem um ano que ele tinha casado e a esposa já estava com a barriga já saindo pela boca, era um menino e toda familia estava aguardando ansiosa a chegada do bebe.

Geeente mas eles não tem nem um ano de casado ainda, nem deu pra aproveitar o comecinho da vida de casado direito – comentei depois com o falecido –
– É mas filho é benção enviada por Allah
– Tá bom, mas nem pense que eu vou querer ter filho agora…
– C-O-M-O-?
– Primeiro eu vou curtir o casamento, daqui uns dois anos eu penso em filhos…
– Depois conversamos sobre isso…

Já haviamos falado sobre filhos antes e eu sempre comentava que não pretendia ter filhos assim tão rápido, mal tinha chegado ao Egitão, não tinha me habituado a nada, nem sabia ainda se moraria lá ou aqui no Brasil, imagina se eu faria essa loucura de botar uma criança no mundo… JAMAIS!

Alguns dias depois visitamos outro amigo do falecido…

– Esse aqui é “Fulano” (esquecí o nome dele), esta é a esposa dele e esta é a filha… Eles são recem casados como nós – disse o falecido –

Posteriormente ela me mostrou as fotos do casamento, o album ainda tinha aquele cheirinho de coisa nova, tinham pouco mais de um ano de casados e já com um bebe de colo.

Aqui é assim com todo mundo?
– Assim como?
– Já engravidam na noite da lua de mel…?
– Porque voce fala assim? Filhos são bençãos…
– É, alem de bençãos são responsabilidade e dão um trabalho danado tambem
– [alguns segundos de silencio]

Um belo dia o falecido estava conversando com a mãe dele e me chama para participar da conversa. A mãe dele me chamando pra conversar, não deveria ser nada bom, mas vamos nessa…

Eu estava aqui conversando com minha mãe…
– Humm que bom…
– E ela quer saber quando que teremos filhos

Não tinhamos nem duas semanas de casados, eu não estava nem acostumada ainda com a ideia da perda do status de solteira, estava perdida tentando entender as tantas regras do mundo árabe, imagina se eu era doida de querer filho em meio a tudo isso! Sem contar que não estava no script planejar filhos com a sogra, mas ela me chamou como se aquele assunto fosse da competencia dela e eu tivesse satisfações a dar, fato que só piorou meu relacionamento com ela.

Falei a ela que eu só ía ter filhos em pelo menos dois anos e expliquei todas as minhas razões. Pergunta se ela me entendeu… Claro que não! O argumento dela era que ela já estava velha demais e que antes de morrer queria ter o prazer de ter nos braços o filho do único filho homem que ela tinha… Drama de novela mexicana na versão egípcia é intragável!! A criatura não tinha uma dor de cabeça mas depois que soube que não teria um neto em menos de dois anos já disse que estava com o pé na cova… sogra é sogra até no Egitão!

Ah! Não tive filhos com o falecido não, graças a Deus! Mas aquele sonho de ser mãe ainda continua exatamente o mesmo de anos atras… 🙂

:: O primeiro almoço depois de casados ::


O falecido sempre teve um grande problema quando o assunto era comemorar algum acontecimento, ele tinha uma tendencia de comemorar em bando aquilo que a principio era pra ser comemorado a dois. Desde o início de tudo decidimos que não faríamos festa de casamento, as comemorações seriam feitas entre eu e ele, esse tinha sido o acerto no mundo virtual e agora lá estava eu no mundo real, esperando que tudo ocorresse como planejado. Depois de uma manhã inteira na parte burocrática do casamento eu planejava ir a algum local com ele para comemorar o acontecimento, cá com meus botões eu imaginei que os dois amigos dele que foram as testemunhas iriam para as suas respectivas casas e enfim poderíamos estas a sós. Um dos amigos foi embora, enquando o outro nos acompanhou, pensei que ele pegaria apenas uma carona até o ponto de ônibus mais próximo até que percebí que o falecido estava indo em direção oposta e nada do amigo descer do carro. O cara era gente boa, um dos poucos amigos legais que o falecido tinha, mas mesmo assim eu não pretendia dividir aquele momento com ele, só que no decorrer do caminho eu ví que eu teria que fazer isso. O falecido começou a combinar com ele onde que iriamos almoçar, obviamente eu fiquei p da vida porque ele deveria combinar isso comigo, não é mesmo?! Só mantive a calma primeiro porque eu tinha simpatizado com o tal amigo, como falei antes, ele era gente boa e segundo porque ele tentava traduzir pra mim tudo que se passava ao redor, percebia quando eu estava por fora do mundo e tentava me colocar nele. Ele acabou percebendo que o falecido tinha me deixado em segundo plano, e pediu que eu sugerisse um local para fazermos um lanche. Coisa linda pra cara do falecido né!

Eu estava com curiosidade de saber como era uma pizza no Egitão, então escolhí ir a Pizza Hut. A pizza não foi lá das melhores, apesar da sua boa aparência, o encontro tambem não foi lá dos mais romanticos, o amigo do falecido falava mais que eu e ele juntos, ainda bem que ele era muito bem humorado, o que acabou sendo a graça do encontro. Ficamos pouco mais de uma hora nesse local e voltamos pra casa, eu ainda estava em mente que a noite o falecido teria aprontado alguma surpresa pra mim, um jantar em um daqueles navios chiquetérrimos as margens do Nilo quem sabe… Que ilusão!! Foi outra a surpresa que me esperou quando a noite chegou…

[…]

Confiram o cardápio daquele dia…

... Antes

... Antes

... Depois

... Depois

:: Assinando o contrato de casamento ::


Depois de todo processo na embaixada brasileira fomos pro lado egípcio da coisa pra tentar casar, esquecí o nome do local, na época eu estava ocupada demais pra decorar nomes, mas era algo do tipo forum ou cartório, por aí… Meu primeiro choque nesse dia foi perceber que o contrato de casamento era preenchido manualmente. Putzzz ninguem informou ao pessoal dalí que existia computador e impressora não?! Pra complicar, a mulher que preencheu o documento tinha uma letra pior do que criança de jardim da infancia, e em árabe então, vocês já imaginam a garrancheira que foi… O clima lá tambem não era nada dos melhores, estava mais pra assinar documento de sentença de morte do que de casamento, aqueles funcionários dariam certinho pra trabalhar em delegacia naqueles bairros pesados do Rio de Janeiro…

Voltando ao casamento, teria que levar duas testemunhas, cá com meus botões eu pensava que essas testemunhas eram casais, como é aqui no Brasil, mas não, o falecido levou dois amigos dele. Enquanto passamos pela primeira sala pra preencher os papeis, os amigos ficaram lá no hall esperando, juntamente com outras dezenas de estrangeiras e suas testemunhas, que estavam alí pra casar tambem. Na primeira etapa me assustei com a forma que a mulher lá preencheu o documento, eu não entendia nada de árabe, mas sabia diferenciar uma letra legível para um monte de garranchos, e aquilo alí era dos piores… Ela preencheu cinco folhas, as folhas mais pareciam aqueles curriculum vitae que antigamente a gente comprava nas lojinhas de variedades, voces lembram?

Fomos pra uma outra sala e sentamos frente a um homem com cara de mau que começou a falar com o falecido…

– Ele está pedindo teu passaporte
– Ele não fala inglês não?!
– Não
– Geeeente mas que absurdo, como que o camarada trabalha num orgão onde lida diretamente com estrangeiros e ele não fala inglês?!
– Em casa a gente vê isso, da o passaporte pra ele…

Tá bom, eu estava exigindo demais para os padrões do Egitão. Dei o passaporte pro cara de mau e fiquei lá com cara de paisagem esperando os próximos episódios. Ele escreveu pra lá, escreveu pra lá, folheou meu passaporte, me fez algumas perguntas bobas, voltou a escrever e depois me deu um papel lá pra eu assinar.

– Ele ta mandando você assinar aqui
– Assinar o que!?
– Esse documento…
– Assinar? Mas como que eu vou assinar uma coisa que eu não sei o que eu estou assinando?! Ah mas não vou assinar mesmo!! Fala pra ele me dizer o que está escrito ai que eu assino, sem saber o que ta ai eu não assino nem na China…

O falecido falou lá com ele que respondeu com uma voz alterada…

– Ele está perguntando se eu já não falei a você sobre as leis egípcias
– Fala pra ele que isso não é da conta dele, e que eu só vou assinar essa porcaria aqui quando eu souber o que está escrito (estava tudo em árabe)

Obviamente que o falecido não traduziu ao pé da letra (acho né!), mas o fato é que o cara mau lá teve que explicar item por item e esperar que o falecido traduzisse pra mim para que então eu assinasse. Assinei (antes nem tivesse assinado!). Fomos pra uma outra sala e me sentí a analfabeta! Lá vem o cara com aquelas buchinhas de carimbo…

Coloca o dedo aí… – disse o falecido –
– Fala pra ele que eu sei assinar…
– Assinar o que?
– Assinar o documento! Lá no Brasil os analfabetos que assinam assim com o dedão, manda o tiozinho aí ler nos meus documentos meu grau de estudo e ele vai ver que eu tenho capacidade de assinar meu nome, se quiser faço até uma forcinha e assino em árabe…
– Lá no Brasil, aqui é diferente…

Não tinha escapatória, tive que sujar minhas mãos com aquela tinta preta e “assinar” em cinco páginas, tanto eu quanto o falecido, depois os dois amigos dele tambem assinaram e teoricamente, eu já estava casada, mas ainda tinha que esperar quase duas semanas pra pegar o documento…

:: Os funcionários atrapalhados da embaixada brasileira ::


Poucos dias depois voltei a embaixada para dar entrada nos papeis. Madeline estava muito ocupada e tive que ficar esperando no sofá baixinho da sala de espera. O porteiro era um cara gordo, com cara de poucos amigos, desde a primeira vez que eu o ví que não simpatizei com ele, para uma embaixada brasileira, ele estava muito distante dos nossos padrões de simpatia. Assim como toda mulher, tenho mania de banheiro, vivo com impressão de que meus cabelos não estão arrumados ou que já é hora de dar uma arrumada na maquiagem. Observei que naquele ambiente mesmo tinha um WC e perguntei ao cara fechada se eu poderia usá-lo. Ele disse que sim. Ao sair do banheiro tentei fechar a porta mas a maçaneta estava dura demais, então deixei a porta encostada…

– FECHE A PORTA!!!

Eu jurava que aquilo não era comigo! Me dirigí ao sofá pensando cá com meus botões como que um cara poderia ser tão grosso assim. Daqui a pouco ele repetiu: “FECHE A PORTA!!!”, foi que eu fui entender que aquilo era comigo…

Está falando comigo?! – perguntei –
– SIM!
– Ah tá, em português dizemos: “Por favor, você pode fechar a porta?”

Ele nem me respondeu, continuou com aquela cara amarrada esperando que eu me levantasse e fechasse a porta, nem me dei ao trabalho de explicar que a maçaneta estava dura, fiz a maior zuada pra que ele percebesse que eu não tinha fechado não foi por falta de educação, mas pela incompetencia dele de passar a manhã toda com a bunda pregada naquela cadeira e  não ter coragem de colocar nem um oléozinho na fechadura…

O que foi que houve? – perguntou o falecido –
– O que houve? Ensina ao teu conterraneo a ter bons modos, no curso de português onde ele estudou, não ensinaram a pedir as coisas com educação não?!

Ainda bem que exatamente nessa hora Madeline com sua cabeleira caindo nos olhos deu as caras e acabei deixando o mau educado do porteiro pra lá. Expliquei que eu queria dar entrada nos papeis do casamento, e como de costume ela me mandou esperar, segundos depois ela volta dizendo que o consul ía falar comigo. Putzzz de novo?! Aguardei uns 15 minutos até que ele apareceu na porta da sua sala com seus belo par de olhos verdes dizendo que eu podia entrar, desta vez o falecido entrou comigo. Sentei lá em frente ao consul e fiquei esperando que ele falasse o que queria falar comigo…

Então!? – disse o consul –

Fiquei calada olhando pros olhos verdes dele, esperando…

Pode falar minha jovem…
– Falar?
– Sim, você não queria falar comigo?
– Na verdade não, eu vim aqui dar entrada no documento do casamento e Madeline me mandou esperar poruqe o senhor queria falar comigo…
– Certo, então você resolveu casar mesmo…

Nem preciso dizer que Madeline deu uma mancada né e eu e o consul ficamos com cara de paisagem um esperando o outro falar. Coisas de Madeline… mas ele disfarçou bem, me desejou boa sorte e mais uma vez se colocou a minha disposição. Voltei pra Madeline que deu entrada no tal documento que eu só pude pegar uma semana depois. Uma semana pra me dar um documento cujo texto já estava pronto em algum arquivo no computer e ela teria apenas que acrescentar os meus dados e pegar a assinatura do consul. Quanta dificuldade hein…

Ainda não estava casada, isso foi apenas o começo da Odisseia…

:: Casando-se no Egitão – Parte I ::



A Odisseia já começou aqui no Brasil com uns tais de exames pré nupciais que eu inventei de fazer. Um sofrimento a parte pra quem não gosta de mostrar “certos detalhes pessoais” (entenderam né?!). Na época eu tinha outro Blog e olhem só o que comentei lá:

Inventei de fazer exames pré-nupciais… Ai meu Deus! Esquecí que apenas o exame de sangue não seria capaz de me deixar livre do processo, tem um outro lá que eu não fui muito com a cara dele, esse negócio de mostrar “certas particularidades” à pessoas alheias não da muito certo não, claro que os médicos nem ligam pra isso, é o trabalho deles, mas e eu?! Ninguém pensa nos meus sentimentos, na situação constrangedora que serei exposta… Ai meu Deus! Mulher sofre… Mas se tem que ser assim então vamos nessa, seja lá o que Deus quiser…

Não sei de onde eu tirei a ideia de que tinha que ser daquele jeito, mas enfim… foi! Hoje não faria mais isso, no final de todas as contas é um gasto desnecessário. Bom, depois disso lá vai eu pras burocracias no cartório daqui do Brasil, tinha que levar comigo a certidão de nascimento atualizada e o certificado de estado civil. Lá no Egitão a Odisseia começou pela embaixada brasileira. Foi quando eu conhecí Madeline, bem conhecida entre a brazucada que precisa dos serviços da embaixada…

             – Olá, bom dia. Eu vou me casar com um egípcio e queria dar entrada nos papeis pro casamento…
            – Humm você vai se casar… [ela da uma pausa e me olha nos olhos] Aguarde um momento por favor.
             – Está bem
             – O que foi que ela falou? – perguntou o falecido –
             – Ela mandou esperar…

Madeline é uma egípcia inconfundível com a sua cabeleira preta bem cheia caindo nos olhos, tão cheia que da aquela aparência meio “perucada”, ela fala um português carregado de sotaque, está sempre ocupada, com a mesa abarrotada de papeis. Uns se deram bem com ela outros não, meus encontros com ela foram marcados por atrasos, atrasos e mais atrasos, sem contar o humor dela que parecia uma TPM eterna… sobrecarga de serviços?! Sabe Deus…

O consul quer falar com você – Disse Madeline

 Wow! O consul iria falar comigo?! Que chique! Nunca tinha sido recebida nem pelo prefeito da minha cidade, e ainda se quisesse teria que passar por uma enorme lista burocrática, e agora com burocracia zero eu teria uma audiencia com o consul?! Tava começando a sentir importante. Eu estava com Shirley, que tinha ido ao Egitão com o mesmo propósito: casar-se. Madeline nos levou a sala do consul, enquanto isso o falecido e Emad ficaram esperando no hall da embaixada.

Lanier Moraes era o nome da figura, não tinha mais que 40 anos, era alto, magro, cabelos castanhos claros e um belíssimo par de olhos verdes. Cá com meus botões eu imaginei que ele fosse conferir os documentos, mas pra minha surpresa ele começou a nos aconselhar. Perguntou se sabíamos a realidade do Egito, o modo de vida da mulher egípcia, a poligamia masculina que era permitida no país, entre tantas outras coisas. Ao final de uns poucos minutos de conversa nos deu seu cartão de visita e se colocou a nossa disposição. Saí da sala achando que ele não tinha o que fazer, eu pensando que ele ia ver a documentação e “me liberar” pra casar, lá vem ele com aqueles papos de “tenha cuidado”, querendo se meter na minha vida. Engraçado que hoje eu enxergo o que ele tentou me mostrar naquele dia… como ele foi meu amigo e eu não percebí isso!! Saindo da sala dele voltei pra Madeline:

Você vai dar entrada nos papeis hoje mesmo? – perguntou Madeline –
– Sim

Já não bastava o consul com aquelas conversas todas de que a vida no Egito não era a mesma coisa que no Brasil e bla, bla, bla, agora teria que aturar Madeline tambem?! Ah não!

Seu noivo já lhe explicou como são as leis aqui no Egito?
– Não
– Faça o seguinte, volte pra casa, converse melhor com ele e volte aqui depois, é melhor.

Não acredito no que eu estava ouvindo, por acaso eu tinha pedido a ela alguma “consultoria conjulgal”?! Tudo bem que eu tinha conhecido o falecido na Internet, que tinha mantido contato com ele por um ano e um mês e depois disso tinha largado tudo no Brasil e me mandado pro Egitão e dois dias depois de ter chegado lá, sem nem ter conhecido na prática a familia dele (e ele mesmo) direito, já estava dando entrada nos papeis do casamento, mas o que de anormal tem nisso, não é mesmo?! Esse povo mal amado que não entende a lógica do amor, aí fica querendo colocar terra na felicidade dos outros… coisa feia!

O falecido estava aqui do lado sem entender nada do que Madeline falava, depois de explicar tudo a ele, ele disse que não precisava fazer nada as pressas, a essas alturas ele já tinha perdido a paciencia com Madeline e decidiu ir embora e voltar na semana seguinte…

:: Mulheres pra lá! Homens pra cá! ::


A campainha de casa tocou, pela pequena abertura na porta percebí que era dois amigos do falecido. Eu queria fazer amizade com as pessoas da vizinhança, me sentir mais inserida naquela nova realidade. Já sabia algumas palavrinhas em árabe e queria mostrar pra todo mundo meus dotes linguisticos, achava tambem que seria uma maneira de deixar o falecido orgulhoso de mim, afinal eu estava fazendo um esforço faraônico pra aprender aquela lingua dele tão difícil. Já fui preparando algumas frases decoradas pra não fazer feio na frente dos amigos dele. Eu já sabia que o contato entre homens e mulheres no Egito era o mais básico possível, só não contava com certos extremos…

Vai lá pro quarto! – Disse o falecido –
– Mas porque? Eu quero conhecer os teus amigos…
– Vai lá pro quarto!!
– Mas eu não quero ir pro quarto!! Eu quero fazer amizade com as pessoas
– Eles são homens estranhos pra você…
– Tá e o que tem? Posso conhece-los e fazer amizade…
– Aqui não funciona assim, vai lá pro quarto e só sai quando eles forem embora

A mãe dele já tinha se entocado no outro quarto já a muito tempo, só eu que ainda estava lá tentando entender porque raios esses amigos dele não podiam me ver. Fiquei lá trancada no quarto igual leão em jaula de zoológico. Só vim perceber depois que quando o homem não tem intimidade com a família ele não pode ter acesso as mulheres da casa…

Outro dia tinhamos marcado pra sair e eu tinha me arrumado primeiro que ele, era de tarde, horario em que o povo fazia fila na padaria alí perto e eu achava legal ficar na varanda observando a forma como eles se comportavam, apesar de quase ter uma síncope sempre que via alguma tiazinha egipcia colocar o pão pra esfriar no capô do carro do vizinho, lembram?

Ei vai pra onde? – perguntou o falecido –
– Tô alí na varanda olhando o movimento enquanto voce se arruma…
– Não, fica lá na sala..
– Não, eu vou lá pra varanda, gosto de ver o pessoal lá pegando os pães…
– Fica lá na sala…
– EU NÃO QUERO FICAR NA SALA!! Qual o problema que tem na varanda?
– Você já viu alguma mulher nas varandas aqui na rua?
– Não
– Pois é, varanda não é lugar de mulher ficar, e alem do mais a rua está cheia de homens que vão ficar olhando pra você…

A verdade é que eu NUNCA ví uma sombra de uma mulher sequer na varanda daquela rua, e até que via alguns vultos que estendiam as roupas e logo entravam, sem contar que pra ir a varanda elas tinham que colocar o hijab ou niqab (veus muçulmanos), tinham que ser o mais imperceptivel possível. Na ocasião eu estava com uma blusa amarela e vermelha, com meio quilo de maquiagem na cara e cabelos ao vento, e para os padrões das mulheres da rua, uma aparição minha na varanda com aquele look, daria mais IBOPE que Gisele Bündchen na Fashion Week. Pra evitar confusão e tentar ingressar na aculturação, fiquei na sala andando de um lado para o outro por 20 minutos até que o falecido se arrumou e saimos.

Em outra ocasião eu estava meio entediada de tudo e pedí ao falecido que me levasse ao flat de uma amiga minha, eu ficaria lá enquanto ele iria fazer umas coisas dele e na volta me pegaria. Estavamos na sala jogando conversa fora: eu, minha amiga, o marido e a cunhada dela. Nisso o falecido liga avisando que estava vindo me buscar, quando ele tocou a campainha, o marido da minha amiga fez um sinal pra a irmã dele que se levantou do sofá e foi pro quarto. Lembram da historinha que eu contei logo no começo desse post? Pois é, foi a mesma situação. O falecido era um homem estranho para a irmã do amigo dele, logo eles não podiam ter contato. Ela ficou lá pra dentro trancada no quarto e eu fui embora sem ter como me despedir dela…

Outro dia o falecido foi convidado pra um noivado. Noivado no Egitão é sinonimo de FESTA. O negócio é animado e meio! Passamos primeiro na casa do noivo, onde estava acontecendo um almoço. Todos alí eram estranhos pra mim e pra completar, ninguem falava inglês…

Você tem que ficar lá naquele quarto – disse o falecido –
– Mas eu não conheço ninguem aqui, deixa eu ficar contigo…
– Não pode, aqui as mulheres ficam separadas dos homens…
– Genteee mas eu vou ficar perdida alí, ninguem fala inglês e meu árabe resume-se em dez palavras decoradas
– Mas elas são legais, você vai gostar…

Os homens estavam na sala e as mulheres lá trancadas dentro de um quarto, a essas alturas eu estava começando a ficar com trauma de quarto. O falecido falou lá alguma coisa pra a mãe do noivo, que me puxou pelo braço lá pra dentro do quarto. As mulheres eram uma alegria só, conversavam, riam, comiam, enquanto isso lá estava eu sentada no canto, alheia a tudo. Não tinha muito que fazer a não ser ficar olhando pra elas e tentar imaginar o que elas estavam falando e fazer de conta que eu estava amando estar alí. Olhava pela brechinha da porta e via o falecido lá na sala em meio aos homens na maior alegria e fumaça de cigarro.

Ao sairmos da casa do noivo fomos pra cidade da noiva que ficava em Giza (bairro das pirâmides). Ao chegar lá procurei um lugar pra me sentar perto do falecido, as pessoas ali tambem eram desconhecidas e pra variar, não falavam inglês e eu não queria repetir a dose de ficar com cara de paisagem em meio a infindáveis conversas cruzadas em árabe…

Tá vendo aquelas cadeiras alí na frente? – Perguntou o falecido
– Tô vendo sim…
– Você pode ficar alí…
– Tá bom, vamos!
– Não, eu vou ficar aqui…
– Mas porque?
– Porque os homens não podem ficar sentados perto das mulheres aqui não

Ai meu Deus! Tudo de novo! A mulherada era super simpática, mas como fazer amizade se ninguem falava ingles e eu não falava árabe? Fiquei lá sentada com cara de paisagem apenas retribuindo os sorrisos que as mulheres me davam, quando vinham conversar em árabe eu dizia: “I don’t speak Arabic, do you speak English?!”, e daí elas respondiam em árabe e eu ficava capaz de falar até birmanês de tanto desespero.

Outro dia fui com a irmã do falecido a um salão de beleza, chegando lá fomos informadas que a dona do salão tinha dado uma saída e quem estava atendendo era um rapaz. A irmã do falecido então desistiu de fazer a depilação que ía fazer no rosto. Fiquei curiosa e perguntei porque, ao que ela me respondeu que jamais iria deixar que um homen estranho tocasse na sua pele, religiosamente isso não era correto. Perguntei o que ela faria então se fosse a um pais como o Brasil por exemplo, e um homem estranho a cumprimentasse com um aperto de mão…

Eu apertaria a mão dele, mas com algum lenço ou coisa do tipo que não deixasse que a pele dele entrasse em contato com a minha…

[…]

Wow! Que misturada de situações eu fiz aqui, mas acho que deu pra vocês perceberem que amizade entre homem e mulher no Egito não existe né, sem contar que em público mulher tem que ser o mais imperceptível possível. Nunca conseguí entender a dinâmica da comunicação interpessoal no Egito, as regras do meio onde eu vivi eram complexas demais pra minha pobre mente ocidentalizada…

Ai que sono… amanhã prometo fazer um post mais caprichado… A essas alturas da madruga já não consigo raciocinar muito bem. Agradeço a todos que estão acompanhando a minha Odisseia faraônica, e deixo essa ‘fotinha’ pra vocês…

Noivado que fomos em Giza. Animação garantida...

Noivado que fomos em Giza. Animação garantida...