Arquivo da categoria: Egípcios no Brasil

Mantendo a privacidade


Quem me acompanha desde os primeiros posts do blog, sabe que passei uma temporada compartilhando minhas experiências nas Terras dos Faraós, em especial as que tinham alguma ligação com minha vida ao lado do ex habiby, ou como costumava chamar: falecido. Foram dezenas de posts que renderam milhares de visitas e centenas de comentários. Histórias que serviram de alerta para uns e diversão para outros, até mesmo pra mim que ficava rindo com as minhas próprias trapalhadas.

Naquela época tudo era muito recente, as mágoas estavam a flor da pele e de alguma forma eu tinha que colocar tudo pra fora, e pelo jeito encontrei essa oportunidade na tela do computador, e comecei a escrever sobre detalhes pessoais, alguns bem íntimos, e sem restrição alguma fiz da minha vida um marcador de livro em uma página aberta… Foi tudo válido e mais ainda por saber que pude usar todos os meus erros do passado pra tentar fazer um futuro diferente, não apenas para mim, mas também pra muitas pessoas que leram os inúmeros relatos postados aqui, mas cheguei a conclusão que chegou a hora de tirar esse marcador e guardar o livro…

Comunico a vocês que a grande maioria dos posts relacionados a minha vida pessoal no Egito não estão mais na rede. Agradeço de coração a todos que leram e comentaram as postagens. Está tudo bem guardado aqui comigo.

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A brazucada e os casamentos virtuais


Esses dias eu estava cá com meus botões pensando nos inúmeros casos que conheço de relacionamento amoroso entre egípcios e estrangeiras, e vou contar a vocês, é incrível perceber como na maioria dos casos é sempre a mulher que tem que abrir mão das coisas, seja do seu conforto, seja da sua liberdade, seja da sua religião, seja até mesmo das economias conseguidas a custo de muito suor. Vocês conhecem a comunidade EGITO – DO NILO AO DESERTO? Não?! Então clica aqui e faz uma visitinha, garanto que não vão se arrepender.

Então, o pessoal lá na comunidade estava comentando sobre esses relacionamentos e surgiu esse comentario: “Porque tem tanto egípcio na internet procurando casamento?”, e logo eu lembrei dos pensamentos que eu estava compartilhando com meus botões. Porque é que a mulherada tem sempre que se sacrificar? Se o egípcio vai casar com uma egípcia, ele tem que dar apartamento do jeito que ela quer, tem que bancar do bom e do melhor e ainda tem aquela paradinha do dote, aí o egípcio encontra uma brasileira carente vagando por essa imensidão virtual, diz um ‘I love you’ aqui, um ‘bahebak’ alí e pronto, o casamento já está marcado, e daí a brasileira faz das tripas coração pra comprar a passagem pra ir pro Egitão conhecer o phophis e pior que isso, ela já vai certinha pra casar com ele, não sabe nem se vai se adaptar a cultura local, se o cara ronca ou tem mau hálito, o amor é lindo e ponto final.

Vocês tem noção do tamanho do risco?! Se tudo der certo, graças a Deus, mas e se não der?! O egípcio estará no conforto da sua pátria, e quanto a brasileira? Ela estará longe de tudo que lhe é familiar e agora com a dificil tarefa de voltar pra casa pra reconstruir a vida. A mulher abre mão da sua propria religião, conheço casos de mulheres, inclusive esta que vos escreve, que abriram mão até do seu conforto financeiro, e tudo em nome de um grande “amor”…  Aiii gente, até onde isso vale a pena?!  Não é que eu duvide da possibilidade de felicidade conjulgal por essas vias, mas depois de passar por certas situações, a gente chega a conclusão que prevenir ainda é a melhor opção. Poxa, se a mulher pode se sacrificar pra conhecer o bonitão da pirâmide, porque eles também não podem fazer uma forcinha, tirar a poupança da cadeira, pegar um vôo e vir aqui no Brasil conhecer a brasileira? Porque só ela que tem que se arriscar?

E o que mais me deixa de cabelos em pé em tudo isso é quando encontro alguma doida varrida corajosa que larga tudo aqui pra casar com o bonitão da pirâmide que financeiramente muito mal consegue manter a si mesmo, e pior ainda é quando ela já vai certinha de casar pra tentar trazer o cara pra tentar a vida aqui no Brasil. Tudo bem que o amor é lindo, mas é bom lembrar que ele não paga as contas…

:: E quando a vida no Egito da errado?! ::


 

O Egito de hoje está bem distante do Egito das nossas aulas de historia, o glamour ficou em algum lugar nos tempos faraônicos e deu lugar ao que é hoje um país de economia difícil e habitantes que sonham com uma vida melhor em alguma outra parte mais desenvolvida do planeta. Tendo em vista a dificuldade na liberação de visto de estudante ou de turismo, o caminho mais viável para certos egípcios acaba sendo o casamento com estrangeiras, desta forma eles tem a chance de ter um visto garantido para outro país e assim a oportunidade de uma vida melhor. Por outro lado, a mulher brasileira, cansada daqueles homens que só pensam em momentos de diversão, lança-se pela imensidão virtual na esperança do encontro com o príncipe encantado e dá de cara com aquele egípcio romântico que diz que a ama e quer formar uma família com ela. O encontro perfeito: o egípcio tem a chance de deixar o Egito e a brasileira tem a chance de encontrar o homem dos seus sonhos. Até aí nada demais, afinal de contas todos nós estamos à procura de uma vida financeira e sentimentalmente melhor. Muitos casais embarcam nessa aventura e com um pouco de sorte e muita cumplicidade conseguem alcançar seus objetivos, consequentemente formando o casal feliz de todos os sonhos dos solteiros. Mas a realidade nem sempre é tão perfeita como parece…

Já sabemos que o Egito é um país de economia difícil, mas é lógico que existem egípcios bem sucedidos, o detalhe é que estes dificilmente estarão na net à procura de relacionamento amoroso, pelo menos não encontrei nenhum nos casos que me rodeiam. Não, não é errado manter um relacionamento com uma pessoa que esteja na estaca zero da vida, o problema é quando a pessoa em questão não tem disposição suficiente para crescer e pretende viver de carona no crescimento alheio…

É crescente o caso de brasileiras que casam com egípcios financeiramente mal resolvidos, por diversos motivos, a vida no Egito não da muito certo e frente a esta realidade embarcam na aventura da tentava de vida no Brasil, e é aí onde o sonho pode tornar-se um pesadelo. Se emprego está difícil para os nativos, imagina só pra um estrangeiro.  Essa mudança demanda esforço mutuo: da brasileira no sentido de ser paciente frente o difícil processo de aculturação do egípcio, e do egípcio no sentido de se adaptar a nova realidade e fazer por onde se adequar a mesma. Quero trocar umas idéias com vocês a respeito dessa fase ‘de volta ao Brasil’, amanhã estarei de volta com as minhas impressões a respeito…