Arquivo da categoria: lua de mel no Egito

Mantendo a privacidade


Quem me acompanha desde os primeiros posts do blog, sabe que passei uma temporada compartilhando minhas experiências nas Terras dos Faraós, em especial as que tinham alguma ligação com minha vida ao lado do ex habiby, ou como costumava chamar: falecido. Foram dezenas de posts que renderam milhares de visitas e centenas de comentários. Histórias que serviram de alerta para uns e diversão para outros, até mesmo pra mim que ficava rindo com as minhas próprias trapalhadas.

Naquela época tudo era muito recente, as mágoas estavam a flor da pele e de alguma forma eu tinha que colocar tudo pra fora, e pelo jeito encontrei essa oportunidade na tela do computador, e comecei a escrever sobre detalhes pessoais, alguns bem íntimos, e sem restrição alguma fiz da minha vida um marcador de livro em uma página aberta… Foi tudo válido e mais ainda por saber que pude usar todos os meus erros do passado pra tentar fazer um futuro diferente, não apenas para mim, mas também pra muitas pessoas que leram os inúmeros relatos postados aqui, mas cheguei a conclusão que chegou a hora de tirar esse marcador e guardar o livro…

Comunico a vocês que a grande maioria dos posts relacionados a minha vida pessoal no Egito não estão mais na rede. Agradeço de coração a todos que leram e comentaram as postagens. Está tudo bem guardado aqui comigo.

:: Lua de Mel em grupo (últimos dias) – Parte X ::


Montazah

Montazah

Depois que Ahmed foi embora ainda ficamos mais dois dias em Alexandria, deixamos o flat onde ficamos por uma semana e fomos para o flat onde Shirley e Emad estavam, lembrando que a convite deles hein, não fomos de penetra não! O flat ficava numa área reservada, e da varanda da sala tinhamos uma visão privilegiada: um dos portões de Montazah. Nada melhor do que acordar de manhazinha e olhar para aquela imponencia, nem dava pra lembrar que existia uma mala sem alça no mundo chamada Ahmed… 😀

Aqueles dois dias foram super divertidos, tenho que concordar que não é nada normal dois casais em plena lua de mel dividir o mesmo teto, mas acreditem, foram os melhores dias que passamos! mas nem tudo pode ser Alexandria para sempre e muito menos lua de mel. A festa acabou e tivemos que voltar pro Cairo empoeirado, chegamos no começo da noite, o bem vindo foi aquele trânsito caótico e pra fechar com chaves de ouro a mãe do falecido estava lá com o humor na ponta da unha do dedo midinho do pé…

E a vida continuou na Terra do Faraó… aguardem os próximos posts e conheçam um pouco mais da vida de uma perfeccionista no país das imperfeições…

:: Lua de Mel em grupo (imagens) ::


Aí estão algumas imagens para ilustrar a minha Odisseia…
 Como ainda insisto em manter o anonimato, não vou postar todas as fotos que tenho aqui, quem sabe um dia…
Por enquanto vão dando uma olhada nessas…
Da varanda do flat...

Da varanda do flat...

A rua onde ficava o flat em que ficamos...

A rua onde ficava o flat em que ficamos...

Pequeno farol em Montazah

Pequeno farol em Montazah

Eu e o falecido - Minutos depois da ligação de Ahmed... lembram?

Eu e o falecido - Minutos depois da ligação de Ahmed... lembram?

Fortaleza de Qaitbey

Fortaleza de Qaitbey

Por do sol em Alexandria

Por do sol em Alexandria

 Amanhã tem mais. Aguardem!

:: Lua de Mel em grupo (voltando de trem) – Parte IX ::


– Vamos pra Montazah? – sugerí ao falecido –
– Boa ideia!
– Liga lá pro pessoal pra ver se eles querem ir com a gente…
– Tá bom, vou ligar agora mesmo

Havíamos planejado ficar uma semana em Alexandria, e aquele seria o último dia nosso e não havia lugar melhor que Montazah para as despedidas daquele lugar tão lindo. Marina e esposo não puderam ir com a gente, não lembro bem mas se não me engano, um dos dois tinha uma entrevista marcada pra aquele dia. O bando ficou desfalcado. Chegamos cedo, o local é imenso e eu queria passar por cada centímetro quadrado de terra. Tudo estava maravilhoso, até que o telefone do falecido tocou. Era a mãe dele. Obviamente que eu não entendí nada da conversa, mas ainda bem que expressões faciais são universais, e pela cara dele eu percebí que era problema…

Quem era?
– Minha mãe
– Humm ela tá bem?
– Tá sim, ela disse que teve um sonho ruim comigo e ligou insistindo que eu estava mal, por mais que eu explicasse a ela que estava tudo bem, ela insistia em dizer que não estava
– Ah tá! Fala pra ela que na verdade eu estou com um plano secreto de colocar veneno na tua comida e quando voltar pro Cairo colocar uma bomba no flat dela. O sonho pode ter sido um aviso… Argh
!!

Sogra é sogra até no Egito! Aff! Quando eu cheguei lá no Egitão a primeira coisa que eu tinha em mente era ser amiga da minha sogra, queria mostrar para a ONG das Sogras que nem todas as noras são ruins, mas depois de uns dias com a peça, me filiei de vez ONG das Noras e ví que elas, as noras, tem mesmo razão. Qualquer dia desses eu conto minha Odisseia com a ex sogra, tema pra uns dez tópicos…

Bom, continuamos o passeio… Emad e Shirley foram pessoas super agradáveis naqueles dias e não me arrependo um segundinho sequer por ter dividido a lua de mel com eles, nos divertimos muitoa. Já tínhamos feito uma boa caminhada pelos jardins de Montazah quando resolvemos parar em algum lugar pra almoçar, nisso o celular do falecido toca de novo…

Se for tua mãe fala pra ela que eu vou colocar o veneno hoje a noite… Grrrr

Nunca fui muito fã de celular, tenho o meu por questões de emergencia, mas nunca gostei de ficar “pendurada” e muito mais ainda de pessoas tentando me monitorar nos momentos mais inconvenientes que se possa imaginar, mas a ex sogra amava um monitoramento, ela bem que dava pra trabalhar no FBI e nas horas vagas dava pra contracenar em novela mexicana. A mulher amava um drama, no dia que o falecido não ligava pra ela, ela ligava fazendo um escandalo, dizendo ser vitima de despreso, até a pressão da velha subia (ou descia, nem lembro…), graças a Deus que ela não pediu pra vir a lua de mel conosco, mas faltou pouco. Já imaginou, ela e Ahmed juntos?! Eu teria tido uma síncope!

Ahmed está perguntando que horas a gente vai…
– O QUE?!

Emad e Shirley ficariam em Alexandria por mais dois dias, e no dia anterior ele tinha sugerido que ficassemos com eles pra voltarmos juntos ao Cairo, obviamente que eu fiquei meio sem jeito, afinal eles tambem estavam em lua de mel e ao meu ver seriamos inconvenientes se ficassemos no mesmo flat que eles, mas ele ficou insistindo e a verdade era que eu não queria mesmo ir embora dalí, sem contar que seria uma otima oportunidade de me ver livre de Ahmed…

Pra que ele quer saber que horas vamos?
– Porque ele vai com a gente
– Como, se nós vamos ficar mais dois dias aqui, e você não está pensando em chamar Ahmed pra casa de Emad tambem não né?!

Nem tínhamos acertado nada ainda, mas eu já falava como se tudo estivesse confirmado e Emad, muito inteligente, já pegou a situação no ar e foi logo insistindo que tinhamos que ficar lá com eles…

Mas e ele vai voltar de que?
– Não sei, isso não é problema meu
– Mas eu vou ter que ir lá no flat agora de todo jeito…
– PORQUE?!
– Tenho que entregar a bacia a ele

Lembram daquele dia da lavagem de roupa que Ahmed me emprestou a bacia lá do flat dele? Pois bem, não devolvemos a bacia no mesmo dia, e agora ele queria que o falecido fosse lá no flat pra dar a bacia a ele de todo jeito, sem contar que tinhamos que cancelar todo o plano de diversão a tarde porque Ahmed queria ir embora naquela hora e teriamos que adequar nossos planos ao dele…

Faz o seguinte, fala pra ele que devolveremos a bacia pro responsável do flat quando sairmos e fala pra ele que volte pro Cairo de trem porque recebemos o convite pra ficarmos mais dois dias aqui
– Mas ele veio com a gente…
– E vai voltar sozinho, qual o problema?!
– Mas…
– Entao tá, se você quiser ir com eles fique a vontade, eu vou ficar esses dois dias aqui…

Putzzz totalmente fora dos padrões comportamentais esperados para a esposa de um árabe, já que a grande maioria aceita tudo de bom grado (ou não!), mas primeiro que eu não sou árabe e segundo que eu já estava acima do meu limite com as inconveniencias de Ahmed e ter que cancelar meus planos por conta dele seria o fim. Ele acabou voltando pro Cairo de trem, morrí de pena da esposa e da filha dele, mas…

Amanhã tem mais, aguardem!

:: Lua de Mel em grupo (Em sintonia) – Parte VIII ::


Quem foi que disse que lua de mel em bando é ruim? Você só precisa saber escolher bem seu bando… Depois de muito sacrifício e algumas cenas dignas de novela em horário nobre na Globo, eu conseguí despistar Ahmed e cia. Ele continuava no flat acima do nosso, mas já não telefonava mais e de uma vez por todas passou a fazer os roteiros de turismo dele sozinho. Al’hamdulilah!

Tudo mudou quando Ahmed e cia sairam de cena. Passamos a dividir melhor o tempo, durante o dia saíamos sozinhos e a noite lá estávamos em bando: eu, o falecido e os dois casais amigos nossos. Se alguém teve uma lua de mel mais agradável eu desconheço, (pós Ahmed é claro!). Passamos por Montazah, Fortaleza de Qaitbey, Biblioteca de Alexandria, Zoológico… em Montazah e Qaitbey fiz questão de ir duas vezes e teria ido outras dez se tivesse tido mais tempo disponível, são lugares simplesmente lindos!! Andamos pela praia de madrugada a dentro, coisa que no Brasil, dependendo do local, não se faz nem em sonho. Na casa de Marina preparamos o jantar as duas da madruga, rimos de certos costumes egípcios que só eles mesmo entendem, comemos bolo de cenoura com cobertura de chocolate (Hummmm!), observamos eles brincarem no Play Station e em meio a comentários árabes calorosos, a única coisa que eu entendia era “GOLLLL”. Andamos pelas ruas de Alexandria sentindo aquele cheirinho de praia (motivo de festa pra quem mora no Cairo empoeirado), comemos koshery no barzinho lá do tio egípcio e ainda tomamos sorvete lá no outro tio que moldava o sorvete com o polegar, nojento para os padrões brasileiros, normal para o tio egípcio e divertido para quem estava saindo do período “ahmediano”… Voltamos pra casa ora com Guns N’ Roses aos berros no carro de Emad e eu quase tendo uma síncope quando ele acelerava ou inventava de pendurar o pé na janela do carro ora com o falecido jurando que tinha incorporado Airton Sena e que as ruas de Alexandria eram as pistas de Fórmula I, isso sem contar quando eles não inventavam de demonstrar suas habilidades automobilísticas e ver quem ultrapassava quem… Bem que dizem que existe um negócio chamado adrenalina 😀

Mas nem tudo pode ser perfeito quando Ahmed está por perto, e vocês nem imaginam o que aconteceu…

Aguardem! 😀

:: Lua de mel em grupo (no Cafe com Ahmed) – Parte VII ::


Passamos a sair em grupo. Quem vem acompanhando minha Odisseia jura que eu não queria de jeito nenhum companhia no período da lua de mel, mas não era bem assim, afinal teoricamente teríamos a vida inteira pra fazer “o que vocês estão pensando” (não vou contar isso aqui não que pode ter criança acordada, mas os adultos entenderam né?!  😀 Então, eu queria companhia sim, desde que essas companhias só entrassem em cena quando eu as chamasse, só que Ahmed, além de ter entrado em cena assim de para quedas, insistia em aparecer nas horas menos apropriadas, sem contar em certas ocasiões digamos que mais “pessoais”, se é que os adultos me entendem, e quando menos esperávamos o telefone tocava ou alguem batia a porta, e quem era?! Quem?! Michael Jackson?! (Lembrando que na época ele era vivo), Silvio Santos?! Barack Obama?! Osama Bin Laden?! Hosni Mubarak?! Nada!! Quem mais poderia ser?! Ahmed!! Pois é, até “nessas horas” eu tive que aturá-lo, e tinha que parar tudo e atender o telefone, porque se desligasse ele vinha bater a porta e quando ele vinha bater a porta, ele tocava a campainha umas três vezes, se ninguem viesse, ele começava a bater na porta, se não houvesse resposta, ele começava a chamar pelo falecido, então pra evitar reclamações com os vizinhos, era melhor atendê-lo… Grrrrr!

– Vamos sair com o pessoal pra um Café hoje a noite? – perguntou o falecido –
– Humm legal, eu estava pensando sobre isso mesmo. Liga pro pessoal e vê com eles qual o melhor horário… Chama Ahmed tambem…
– WHAT?!
– Chama Ahmed…
– Are you kidding?!
– Não to tirando onda não, chama lá ele

Bom, vocês lembram dos mandamentos de Deus né? Pois bem, tem um bem complicado que uma vez a cada ano eu consigo seguí-lo: amar o próximo como a mim mesmo. Amar o próximo é algo já complicado e quando esse próximo é o contra peso da tua lua de mel aí é que o negócio complica, mas naquele dia eu tinha acordado com a alma limpa e decidí fazer o bem pra ver se assim ganhava uma pedrinha na minha coroa que a essas alturas, depois de tanto stress deveria estar pior do que anel de camelô da 25 de março.

Bom, tínhamos ido a um outro Café dias antes e eu tinha amado, então porque naquele Café seria diferente?! Bom, o local não era tão aconchegante como o primeiro que tinha três sofás enorme numa area reservada só pra nós, pinturas lindissimas nas paredes… Bom, esse agora era bem menor que o primeiro, com espaço bem limitado e umas cadeiras de madeira dura que só vendo, claro que não existe cadeira de madeira mole, mas uma almofada até que ía bem, os membros inferiores traseiros agradeceriam…

Nos organizamos lá e por alguns segundos ficamos um olhando pra cara do outro, não sei o que cada um pensou, mas cá com meus botões eu imaginei: “Isso tá começando a ficar chato”. Surgiu a ideia de jogar. É… a principio me pareceu legal até eu perceber que só os homens jogariam e nós mulheres ficaríamos olhando sem entender muito bem porque o círculo pequeno de madeira ora estava em cima e ora estava na parte de baixo, sem contar que eles comentavam sobre o jogo em árabe, esquecendo completamente as três patetas brasileiras que falavam ingles e estavam alí alheias a tudo, ou quase tudo já que uma delas tinha alguns conhecimentos básicos em árabe.

A cena foi a seguinte: os esposos das duas brasileiras jogando juntos, o falecido jogando com quem?! quem?! quem?! Ahmed!! (E quando o cara lá trouxe o joguinho eu fiquei jurando que o falecido iria jogar comigo…Grrr) Uma das brasileiras brincando com a filha de Ahmed e arriscando uma palavras árabe com ela, a outra brasileira, juntamente com a esposa de Ahmed, olhando o marido jogar, cada uma sabe Deus pensando o que, e eu de cá olhando o falecido jogar com Ahmed e ainda tentando entender porque a bolinha de madeira estava em cima e não na parte de baixo. Que diversão!! Ainda pensei em me juntar com as mulheres do grupo e tentar jogar conversa fora enquanto eles jogavam, mas o local era apertado e na posição em que estávamos, juntar-se significaria atrapalhar os jogadores.

– Muito legal aqui não é? Está gostando? – pegunta o falecido –
– Legal?! Só se for pra você porque eu estou odiando… Vamos embora?
– Mas embora agora? Quer jogar?
– Não, perdi a vontade…

Sou péssima em esconder os sentimentos, juro que tentei diversas vezes fazer isso, mas nunca dá certo, e quando o burro está amarrado, não adianta! Daqui a pouco aquela luz em minha direção, era Ahmed tirando foto minha e do falecido.

Fala pra ele parar de tirar foto que eu não estou a fim

O falecido até que pediu, mas quanto mais ele pedia mais ele tirava fotos. Comecei a sentir cada nervo da minha orelha queimando e uma vontade enorme de pegar aquela máquina dele e jogar de rio Nilo a fora, ainda hoje quando olho pras fotos posso ver as orelhas em chamas. Ainda ficamos mais uns minutos naquele Cafe, voltei pra casa decidida a não colocar em prática mais mandamento nenhum durante aquele periodo de lua de mel, pelo menos não com Ahmed…

:: Lua de Mel em grupo (Visitando amigos) – Parte VI ::


Tínhamos um casal de amigos virtuais, coincidentemente ela também era brasileira e a pouco tinha ido ao Egito com o mesmo propósito que eu: casar-se com um egípcio e viver feliz para sempre. Eles moravam em Alexandria, então aproveitamos a oportunidade para conhecê-los. Ainda tínhamos outro casal amigo que naquele dia estaria chegando a Alexandria para tambem passar a lua de mel, e mais uma coincidencia: ela era mais uma brasileira que tinha ido ao Egito com aquele mesmo propósito que falei acima. Ela eu já tinha conhecido pessoalmente aqui no Brasil, na verdade viajamos juntas ao Egito, uma outra história cheia de coincidencias e aventuras. Qualquer dia desses eu conto a vocês…

Fomos os seis pra um Café alí próximo, e pela primeira vez longe de Ahmed, pude ter alguns momentos muito agradáveis na até então estressante lua de mel. O ambiente do Café era simplesmente demais, dava até pra se sentir na sala de casa. Naquela noite me divertí muito, tiramos incontáveis fotos, comemos muito, falamos besteiras, coisas sérias e o melhor de tudo: compartilhamos nossas histórias tão cheias de coincidencias, afinal de contas não é todo dia que três brasileiras casadas com três egípcios se encontram, não é mesmo?!

:: Lua de Mel em grupo (Lavando roupa) – Parte V ::


Nunca gostei de roupa branca, e no Egito então pensei seriamente em extinguir tudo que fosse branco do meu guarda-roupa. Em Alexandria nem tanto, mas no Cairo a poeira reina soberana e o que é branco pode ficar cinza em questão de segundos. Ainda tem o fato que lá no Egitão não existe área de serviço com espaço pra estender roupas, as roupas são estendidas em varais que ficam nas varandas dos flats, os egípcios me desculpem mas isso deixa a paisagem meio estranha, quando as Isauras resolvem lavar roupas no mesmo dia então, a fachada dos flats fica com aquela aparencia meio favelada. Não poderia esquecer de dois detalhes muito importantes e irritantes tambem, como estamos falando em flats, obviamente que os apartamentos ficam um acima dos outros, correto?! e levando em consideração que as roupas ficam estendidas ao ar livre, eu posso dizer que isso pode ser motivo de stress quando o assunto for estender roupas e mais ainda pra as pessoas que tem o azar de morar nos primeiros andares. Explico.

Os egípcios ADORAM um tapete, eles sentem prazer em ver o chão repleto daqueles tapetes BEM enfeitados, chegam a fazer trilhas de tapetes de chão a fora. Lembra que eu falei que no Cairo a poeira reina soberana? Pois é, e poeira ama um tapetinho dando de bobeira, daí é costume das Isauras egípcias tirar sempre a poeira dos tapetes, e onde é que elas fazem isso?! NA VARANDA!! Já imaginou, você lava suas roupas brancas e coloca em exposição lá na varanda da sala, quando você menos espera, a vizinha de cima joga aquele tapete ENORME pro lado de fora e começa a bater nele e você presencia uma a uma particula de poeira abraçar em slow motion sua roupa que até então estava branquinha como a neve… A pobre da vizinha não tem outro lugar pra tirar a poeira do enorme tapete dela e você não tem outro lugar pra estender suas roupas, que impasse! Ahh sem contar que tem aquela outra situação onde suas roupas estão quase secas, quando vem a vizinha de cima e estende as delas completamente molhadas. O que acontece?! A roupa da vizinha começa a pingar gotinhas de água na sua roupa que “estaria” quase pronta pra ser tirada do varal… Nem adianta explicar a ela que no Brasil existe uma coisa chamada área de serviço que não funciona, tentei fazer isso e não obtive muito sucesso não. Não há muito que fazer, ou você ora e implora a Deus que nenhum tapete ou roupa pingando apareça acima da sua cabeça ou então improvisa uma area de serviço dentro de casa mesmo, e daí você só vai ter que lidar com a poeira do ar, coisa que não há ministério da saúde ou das “lavadeiras de roupa” que dê jeito…

Mas, lavar roupa pra mim nunca foi tão estressante como aquele dia lá em Alexandria, muitas roupas do falecido eram brancas e eu já pensava na possibilidade de algum tapete aparecer acima e estragar tudo (não! não! Ahmed não limpou o tapete dele nessa hora… :D). Como em todo flat egípcio, esse tambem não tinha area de serviço, o banheiro era enorme e dava pra me virar lá, mas como nada poderia ser nessa lua de mel, não tinha máquina de lavar roupa, e meu “estressômetro” já começava a dar sinal de aumento de nível. Eu havia aprendido que devemos separar as roupas brancas das escuras, comecei a fazer isso no quarto, mas percebo que só havia uma bacia disponível no flat, então pensei em lavar as brancas primeiro e depois lavaria as outras…

– Só tem uma bacia, você viu? – perguntou o falecido –
– É eu ví mas eu vou lavar primeiro as brancas e depois as outras
– Espera, eu vou arrumar uma bacia pra você
– Não precisa comprar bacia não, depois vai dar trabalho pra levar isso pro Cairo, deixa eu me viro com essa mesmo.
– Mas eu não vou comprar bacia não…
– E você vai arrumar onde?
– Vou pedir a de Ahmed emprestada…

Nem deu tempo dizer que eu não queria nada emprestado de Ahmed, ele foi dizendo que ía pegar com ele e já foi saindo. Eu já sentia cheiro de problemas no ar. Comecei a pedir calma a Deus, por pouco não acendí uma incenso e fiz meditação budista pra ver se ajudava tambem, não que eu acreditasse na fé budista, mas em se tratando de Ahmed eu já estava apelando pra tudo. Bom, mas era apenas uma bacia, certo!? Não tinha motivos pra stress… Errado! Ahmed tambem veio junto… sentou-se na sala e ficou lá olhando pra minha cara, e ainda veio me dar dicas de como lavar roupa branca, mais um motivo para que eu odiasse roupa branca!

Eu já estava estressada demais em como lavar roupa sem ter uma area de serviço, uma maquina de lavar e ainda ter que estender num varal que ficava na varanda da sala, peguei a bacia de Ahmed e coloquei toda a atenção no problema que eu teria que resolver. Pela primeira vez na lua de mel, o falecido fez uma boa ação. Desde logo cedo ele tinha percebido que meu humor não estava dos melhores, então dez minutos depois Ahmed foi embora e o falecido foi me ajudar a lavar as roupas…

Amanhã tem mais, não perca! 😉

:: Lua de Mel em grupo – Parte IV ::


– Pra onde você vai? – perguntei –
– Vou lá no flat de Ahmed, ele me ligou pedindo que eu fosse lá
– […] (olhar pegando fogo)
– Volto já…
– […] (cabeça em chamas
)

Pelo menos da ultima vez que o tal Ahmed tinha ido ao flat onde estávamos, ficou bem entendido que a presença dele não era bem vinda, ele só não tinha entendido ainda que a ida do falecido ao flat dele não era bem aceita da mesma forma. Hoje eu penso em tudo isso e morro de pena da mulher do Ahmed, perdí uma boa chance de fazer amizade com uma pessoa super doce (nem sei como já que eu não falava árabe e nem ela falava inglês), mas o fato é que a insensatez do marido dela conseguia me tirar do sério. Enfim, enquanto o falecido estava lá no flat de Ahmed (um andar acima do nosso), vestí a roupa de Isaura e fui colocar as bagunças do flat em ordem. Uns quarenta minutos depois o falecido voltou…

– Eles mandaram lembranças pra você
– […]
– Ouviu o que eu disse?
– Ouví…
– Você não vai perguntar por eles?
– N-Ã-O-!
– Tá bom, esquece…
– JÁ ESQUECÍ
!

Pois é, eu tinha que me lembrar que Ahmed estava acima do meu teto (literalmente) e que a qualquer momento a campainha poderia tocar e ele estaria sorridente, pronto para estragar a sonhada lua-de-mel, a melhor opção era manter distancia… Naquele dia ficamos o dia quase todo no flat, a noite sugerí que fôssemos dar uma andada pela orla, essa área de Alexandria é linda, cheia de fontes e muros cuidadosamente decorados. Por volta das 21 horas saimos de casa, o falecido ainda estava arrumando alguma coisa lá no quarto, quando eu abro a porta da sala e dou de cara com Ahmed e cia que vinham descendo as escadas…

“Cristo Redentor!!! Tô começando a ver assombração…” – pensei comigo mesma

Nao sei se eles chegaram a me ver, mas mais que depressa fechei a porta e fiquei por alí na sala esperando o falecido, como se nada houvesse acontecido…

– Que foi que houve? – perguntou ele –
– Nada não, porque?
– Não sei, você tá com uma cara estranha…
– Nada, é impressão sua… vamos?!

Parece piada, mas quando ele abriu a porta, a “assombração” estava lá na frente, como se estivesse esperando ele sair, dei um “good night” meia boca e descí as escadas a ponto de bala. Ainda parece piada, mas quando eu olho… a assombração entrou no carro tambem!!!!

Posso saber que palhaçada é essa? – perguntei em meio tom ao falecido –
– Vou dar uma carona a eles até o centro
– […] (olhar de metralhadora prontinha pra mandar a vítima pro outro mundo
)

Chegando no centro foi um deus nos acuda pra arrumar um lugar pra estacionar o carro, e eu cá com meus botões tentando entender porque ele tinha que estacionar, já que ele iria só deixar Ahmed lá com a família e teoricamente, depois disso iríamos passear na orla pra ver as fontes e as paredes decoradas, lembram?! Mas daí eu imaginei que lá no Egito não era permitido parar em qualquer canto, então fiquei caladinha pra não me precipitar, só esperando o que ele iria fazer. Quando ele estacionou, fechou os vidros do carro e desceu…

Você vai ficar aí?! – perguntou ele –
– Nós não acertamos pra ir pela orla pra tirar umas fotos nas fontes e naquelas paredes…?!
– Foi, mas já que estamos aqui vamos dar uma volta, depois a gente vai

Quase que eu pergunto a ele se não tinha nenhum advogado alí por perto que pudesse fazer o divorcio e dalí mesmo eu já ia pro aeroporto pegar o primeiro voo pro Brasil, mas como ele me pediu de forma educada, e ainda era muito cedo pra pensar em divorcio, eu resolvi ceder (de novo!). Fomos andar pelo centro da cidade e como eu odiei tudo aquilo, eu nunca gostei de andar de loja em loja, muito menos em locais cheios demais, onde as pessoas ficam batendo umas nas outras e competindo por um pedaço de chão. Depois de uma hora andando eu aviso alguma coisa verde e amarela poucos metros a frente, era uma cafeteria brasileira!!! Meu orgulho não deixou, mas quase que eu agradecí a Ahmed por ter tido a brilhante ideia de pedir carona ao falecido, pelo menos eu tinha tido a chance de achar algo brasileiro lá no Egitão.

OLHA LÁ!!! OLHA LÁ!!! –  comecei a gritar feito uma doida –
– Que foi?!
– É uma cafeteria brasileira! AHHHH EU QUERO IR PRA LÁ!!!!

Nunca fui fã de café, nunca parei em nenhum estabelecimento aqui no Brasil pra tomar uma gota de café que fosse, mas dias depois de estar longe da pátria amada, idolatrada, salve, salve, eu estava a brasileira mais patriota que você pudesse imaginar, e dando atenção a qualquer cosia que fosse do Brasil, e ao ver essa cafeteria queria ir pra lá de todo jeito, tomar café, saber se tinha algum brasileiro por lá, falar português, enfim, matar a saudade! Ao ver a loja eu já fui atravessando a rua em direção a ela, quando percebi que Ahmed chamou o falecido, e ele me puxou de volta. Óbvio que eu não entendí literalmente o que eles conversaram, mas pela expressão facial e “braçal” de Ahmed, eu deduzi que ele falou que aquele lugar não era interessante pra ir…

Mas pra porque você quer ir alí? É só uma cafeteria! – disse o falecido –
– Pra você é só uma cafeteria, mas pra mim é uma cafeteria BRASILEIRA

Falei isso e já fui atravessando a rua, entendí quando ele pediu pra Ahmed esperar, e voces acreditam que Ahmed ficou lá do outro lado da rua de braços cruzados esperando que saíssemos lá da loja?! e pior ainda, o falecido ficou o tempo todo me apressando pra sairmos de lá, não ficamos nem dez minutos lá dentro, saí com o humor pra lá de Bagdá e depois daí sabe pra onde fomos?! Pra outra rua cheia de lojas dos dois lados e andar por mais uma hora a procura de produtos de interesse exclusivo de Ahmed, até parecia que o falecido era o motorista dele. Quando se deram conta do quanto tinham andado, perceberam que estavam longe demais do carro e daí decidiram pegar um onibus pra voltar. O ônibus parecia um trenzinho, tinha três repartições, e eu fiquei extremamente aborrecida porque ao entrar em uma dessas só tinha eu e a esposa de Ahmed de mulher, o restante era mais ou menos uns 15 homens, que ficaram nos olhando como se tivessemos acabado de aterrissar de Marte. Daqui a pouco sobe um rapazinho e fala alguma coisaa no ouvido de Ahmed que cochicha no ouvido do falecido.

Vamos pro outro onibus! – disse o falecido –
– Mas porque se aqui tem lugar disponivel?
– Nesse aqui mulher não pode ir
– Argh!

Pegamos o carro e voltamos pro flat, jurava que o falecido iria deixar Ahmed e cia lá e finalmente iriamos pro nosso passeio. Chegando lá ele estaciona o carro e desce, pensei que ele iria pegar alguma coisa no flat, então fiquei lá sentada esperando. Ele pegou uns pacotes de Ahmed na mala, veio na janela do meu lado e…

Você não vai sair dai?
– Sair daqui?! Mas não combinamos de passear na orla?!
– Foi, mas eu estou tão cansado, podemos fazer isso amanhã
?

Saí do carro sem falar o ponto de um “i”, subí pro apartamento, tomei um banho e fui dormir…

[…]

Amanhã tem mais… 😛
Deixem comentários hein!

:: Lua de Mel em grupo (na cozinha) – Parte III ::


Segundo dia em Alexandria…

Acordei cedo e fui logo pra cozinha. Pra falar a verdade nunca fui adepta dessa vida de Isaura (fundo musical: lere lere lerelerelere…). Tive um reinado de filha única, preciso explicar mais alguma coisa?! Apesar disso eu estava tentando dar o melhor de mim nessa nova fase. Resolvi começar pelo arroz. Um arroz lá cheio de ‘pra que isso’ que minha mãe havia ensinado, das vezes que eu tinha feito no Brasil tudo havia corrido como mandava o figurino, então não tinha porque temer, certo?! Errado! Depois desse dia eu aprendí que até o arroz falava um outro idioma… Com o arroz brasileiro eu tinha sucesso na comunicação, já com o egípcio tudo era divergência. Juro que eu caprichei e segui o manual de instrução que minha mãe havia me dado antes de casar, mas depois de feito o negócio ficou com aquela aparencia de ‘unidos venceremos’ 😦

Ah! Preciso abrir um parenteses aqui. No dia anterior havíamos ido ao Carrefour e enfrentei uma Odisseia na hora de comprar a carne. O falecido não entendia N-A-D-A  a respeito, e eu por outro lado não entendia C-O-I-S-A   N-E-N-H-U-M-A, pra completar o nome das carnes estava em árabe, e eu estava em um alto grau de analfabetismo no mesmo, e em inglês. Falo inglês, mas meu “vocabulário carnívoro” estava paupérrimo, conseguia lembrar ainda de ‘meat’, ‘chicken’ e ‘beef’, mas naquela imensidão de tipos de carne não tinha nada parecido, apelei até pro ‘bull’, mas nem isso!

– Você fala árabe, não fala?! – perguntei pro falecido – Teoricamente você entende o que está escrito aqui, então procura alguma coisa aí que tenha a ver com carne de boi, porque se depender do meu inglês, vamos comer ovo frito.
– Tá, mas eu não entendo de tipo de carne não…
– Pergunta pra quem entende então, chama um desses que trabalha aqui, eles devem saber…

É mas a vergonha e o orgulho do falecido não deixaram que ele fizesse isso, e ele simplesmente disse que eu escolhesse qualquer uma, afinal era tudo carne mesmo! Pensei em chamar algum funcionário, ficar de quatro e imitar uma vaca pra ver se ele entendia o que eu estava querendo comprar, mas além de não ter essa coragem toda, eu não sabia se as vacas árabes tambem ‘falam’ MOOOOOONNNNN. Pra não perder a pouca paciencia que ainda me restava, dei uma vista rápida nas carnes e peguei uma que lembrava a que minha mãe sempre compra aqui em casa…

No flat quando fui temperar a carne, do jeito que minha mãe havia me ensinado, percebí que a carne tambem falava outro idioma, não sei eu tinha ficado daltonica ou se precisava voltar ao oftalmologista com urgencia, mas o fato é que eu estava vendo a carne meio azulada. Olhei a validade e estava no prazo, o cheiro não estava de carne estragada, a aparencia em si tambem não… vai ver que as vacas no Egito tomavam alguma coisa que deixava as carnes daquele jeito, pensei cá com meus botões. Quando o falecido acordou o almoço estava pronto, ele elogiou tudo, até a carne azulada, mas quando destampou a panela do arroz…

– Que foi que houve? Tá diferente do arroz da minha mãe…
– Que coincidencia! Do da minha tambem… – respondi

A aparencia não estava das melhores, mas o gosto estava bom, só que o falecido jogou tudo fora, por pouco não joga a panela tambem. Acho que esse foi meu primeiro trauma de casamento. Ah e eu tenho lá culpa do arroz de lá do Egito não funcionar como o arroz daqui do Brasil?!

Ah! Lembram da carne azulada? Quando voltamos pro Cairo, a mãe dele pediu pra ver a nota da compra (alguem me explica porque?!), e com um ar meio curioso, ela perguntou:

– Humm carne de ema tem gosto de que?! :S

[…]

Sentiram falta de Ahmed e cia, acertei?! Nesse dia ele foi visitar uns parentes, al’hamdulila! 😀

Amanhã tem mais… 🙂