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A superação de uma criança e o milagre divino


O ano era 1990. Ela estava com os pais e um sobrinho, aproveitando as férias de janeiro em uma praia maravilhosa. Em uma tarde de sol quente e vento aconchegante, eles resolveram dar uma volta a beira mar. Ela e o sobrinho se jogaram na água, aproveitando toda a diversão que o local tinha a oferecer. De repente o sobrinho mergulha e some da sua vista e segundos depois ela sente uma forte dor na perna esquerda e logo perde as forças. Ela não sabia nadar e a dor na perna não a deixava nem tentar se mover direito. Percebendo que a brincadeira não tinha sido uma boa ideia, o sobrinho a ajuda a sair do mar. Ela não comentou com ninguém sobre a dor que a incomodava, devia ser apenas um mal jeito. Logo passaria.

As ferias acabaram, eles voltaram pra casa e a vida seguiu a rotina diaria, a única diferença era aquela dor que insistia limitar as suas passadas, já não dava pra andar normalmente e isso começou a ficar cada vez mais evidente. Ela resolveu contar aos pais que a levaram ao médico e logo veio a sentença: fêmur deslocado. O sobrinho só queria tirar uma brincadeira, mas o puxão na perna esquerda havia sido tão forte que foi capaz de deslocar o osso. Isso explicava aquela dor insuportável. Mas a pior notícia ainda estava por vir, a perna afetada estava encurtando e talvez ela perdesse alguns dos movimentos.

Depois de muitas idas e vindas ao médico, a cirurgia foi marcada. Coincidentemente era o dia do aniversário dela, nunca havia passado pela sua mente que completaria seus 10 anos de idade dentro de um bloco cirúrgico.

A mente ainda estava sob o efeito da anestesia, ela não reconhecia as pessoas muito bem, tudo parecia girar. A  dor era insuportável e a fez chorar desesperadamente por duas horas seguidas, até que um remédio no soro a fez acalmar e dormir. Agora ela tinha um corte na perna, alguns parafusos que sustentavam o osso, impedindo que a perna encurtasse e um futuro incerto.

Cinco dias depois ela voltou pra casa e tentou levar a vida da melhor forma possível, era meio complicado levando em consideração seu aprisionamento em uma cama e quatro paredes, mas pelo menos ela ainda tinha a perna e a esperança de um dia voltar a andar. E assim foi por dois meses, isso mesmo, ela teve que ficar na cama por 60 dias até que finalmente pode colocar os pés no chão e tentar dar os primeiros passos.

Faltava o equilíbrio e sobrava medo, mas mesmo assim ela não desistiu. Ela não conseguia andar normalmente, o pé esquerdo não conseguia ficar para frente o que dava uma passada meio esquisita, mas aquilo poderia ser apenas consequencia de dois meses sem movimento, logo tudo voltaria ao normal. Era a esperança que ela tinha, mas a esperança morreu na visita seguinte ao médico…

Doutor, minha filha não está andando normalmente. Ela está puxando da perna e o pé está troncho – disse a mãe dela ao médico –

– Mãe, a senhora vai ter que se acostumar, porque essa será a realidade da sua filha de agora em diante. Quando ela completar 15 anos faremos uma outra cirurgia para a retirada dos parafusos e aos 18 anos poderemos tentar corrigir esse defeito na posição do pé dela, mas por enquanto ela tem que ficar assim…

A mãe dela fez o possível para não passar seu desespero e sempre mostrava aquela imagem de que logo tudo voltaria ao normal, mas a realidade falou bem mais alto assim que ela voltou as rotinas diarias. Ela não passava desapercebida na rua, seu modo de andar a fazia ser diferente das outras pessoas, mas pior mesmo era na escola, ela fazia questão de não sair da sala de aula, só pra não ter que expor seu jeito feio de andar, ela também havia perdido alguns movimentos na perna esquerda e o coração sempre batia mais forte quando a professora inventava de fazer alguma atividade onde os alunos tivessem que sentar no chão. Suas dificuldades eram bem visíveis e depois de algumas tentativas sem sucesso, ela tinha que ficar na cadeira mesmo. Ela tinha apenas dez anos e teria que esperar mais oito por uma remota possibilidade de andar normalmente…

Mas o médico não contava com a fé da sua mãe e muito menos com a dela. Elas acreditavam em milagres. Os anos passaram, muitas dificuldades tiveram que ser enfrentadas, obstáculos enormes foram deixados para trás e ano após ano a garota enfrentava sua realidade da forma mais otimista possível. Ela terminou seus estudos, enfrentou todo o preconceito e foi forte o suficiente para acreditar e esperar pelo milagre. Aos 15 anos ela não fez a cirurgia para a retirada dos parafusos e nem precisou aos 18 submeter-se a terceira cirurgia para a correção do defeito que havia ficado na posição do seu pé. Dia após dia o milagre foi acontecendo, seu pé foi gradativamente voltando para a posição normal e hoje aqui eu estou andando da mesma forma como eu andava quando tinha oito anos de idade…

Se você não acredita em milagres, passe a acreditar. Eles acontecem e eu sou um exemplo vivo disso. Eu poderia ser uma deficiente física hoje, mas eu abrí o caminho e o milagre divino me alcançou. O milagre pode estar a sua porta, você só precisa abrí-la.

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☆ Meu ídolo e eu – Parte 3 ☆


O tempo passa, a gente cresce e deixa de supervalorizar certas coisas de adolescente. A gente começa a pensar em vestibular, que profissão seguir, o primeiro namorado, o primeiro emprego e de repente aquele mundo encantado meio que some da nossa vida, e comigo não foi diferente. Além de ter amadurecido um pouco mais, as cruzadas tambem passaram por varias mudanças e as vindas de Junior ao meu estado passaram a ser cada vez menos frequentes e chegou uma fase que essas cruzadas deixaram de ser realizadas e eu tambem acabei perdendo o contato com Junior.  Saí da adolescencia, entrei na faculdade, arrumei emprego, conhecí o incrivel mundo da internet e deixei de ser aquela fã incondicional de anos atrás…

Um belo dia, daqueles que não temos nada que fazer e ficamos aqui fuçando a imensidão virtual, em busca de algo interessante, eu acabei encontrando uma página de Junior com um e-mail que supostamente seria dele, por curiosidade resolví adicionar, mas não estava achando que era mesmo ele, adicionei e deixei lá. Semanas depois ví que havia sido aceita, mas nem liguei de manter contato, achava que era algum fake, mas…. deixei lá adicionado. Ate que um dia quando eu menos espero, sobe a janelinha do MSN: “Ei! É você?!”. Olhei o nome da pessoa: “Junior”, olhei a foto, era a foto dele. Pensei cá com meus botões que aquilo só poderia ser brincadeira né, claro que não era o meu ex ídolo e era óbvio que ele nem lembraria mais de mim depois de tantos anos.

Respondí, mas ironizando, enquando ele tentava me convencer por a + b que era ele mesmo, o cantor que eu era tão apaixonada por ele. Aí eu pedí que ligasse a webcam pra eu ver se era mesmo ele, e ele disse que não ía ligar porque estava em casa e bagunçado e bla bla bla, e eu de cá: “Tá vendo! Você é um mentiroso! Claro que Junior não estaria aí do outro lado falando comigo…”, mas ele insistia que não era fake. Depois de muita agonia, ele resolve ligar a webcam e o audio, que não funcionava. Perguntei se ele tinha Skype, ele confirmou, me deu o nick, adicionei e eu liguei pra ele e quando ele atendeu que eu vi a imagem na tela do computador… eu só não tive um ataque cardíaco poruqe já não era mais aquela adolescente de 15 anos atrás, mas confesso que levei um susto… Era ele mesmo! E o cômico era que eu estava espantada por ser ele mesmo e ele espantado porque eu já não era mais aquela criança que ele tinha em mente, e enquanto eu dizia: “Gente! Eu não acredito! É você mesmo!!!”, ele dizia de lá: “Gente! Olha só como você cresceu, tá um mulherão agora!”. Foi engraçado e bem gratificante também. Conversamos um tempão, relembrando os meus momentos de fã incondicional e foi bem interessante porque pela primeira vez eu passei a ver meu ídolo como um ser humano normal, claro que eu continuava fã dele, mas agora eu admirava o seu trabalho, não era aquela coisa doentia de quase beijar o chão onde ele pisava.

Já faz uns bons anos que não nos vemos pessoalmente, atualmente ele mora nos Estados Unidos, o que fez com que um encontro fora do mundo virtual ficasse pra um futuro incerto, mas é muito gratificante hoje poder ser amiga de quem já foi meu ídolo, e o melhor de tudo também é saber que ele também não esqueceu de mim 😉

E você ai, já teve um ídolo no tempo de adolescencia? Me conta então como que foi…

Ah! Não esqueçam de dar uma lida na parte 1 e parte 2 de “Meu ídolo e eu”…

☆ Meu ídolo e eu – Parte 2 ☆


Hoje ele está assim:

Bonitão, pinta de galã global, nem parece que está 16 anos mais velho. Não que naquela época ele não fosse bonito, pra começo de historia eu era fã numero um do camarada e pra mim ele era o homem mais lindo da face desse universo, mas hoje tenho que adimitir que ele está bem melhor. Bom, voltando ao passado…

Depois daquele inesquecível 30 de janeiro, eu ainda tive, naquele mesmo ano, outros encontros com meu ídolo, todos nas temporadas de cruzadas que ele participava no estado onde moro. No mês de junho a minha cidade foi contemplada na tal temporada e eu quase beiro a morte quando soube que Junior estaria presente. A essas alturas a minha mãe, hiper, super, mega, ultra, poli, master comunicativa, já estava quase sendo membro efetivo da cruzada, e eu acabava pegando carona também, e em consideração a essa amizade e sabendo que eu morria de amores por Junior, Gilvan Costa, o responsável pela cruzada, promete que traria Junior na minha casa assim que a cruzada acabasse… Ahhhh mas quando eu soube disso fiquei capaz de ter um derrame cerebral de tanta felicidade. Eu não lembro de nada da cruzada, mas lembro de quando Junior chegou a minha casa. Eu poderia morrer naquela hora que pra mim eu já tinha vivido o suficiente (adolescente é o cúmulo da lolice né?!). Eles não demoraram muito aqui em casa porque além de já ser bem tarde, meu pai não tinha nada de simpatia com “os crentes” e alem disso, na época ele já estava bem doente, daí que o clima não estava dos melhores pra festa, mas mesmo assim eu me sentí realizada e literalmente feliz…

Lembro de um absurdo que eu fiz naquele dia, marquei o sofá onde Junior sentou e por muito tempo eu tinha uma adoração por aquele sofá, claro, meu ídolo havia sentado nele! E lembro que ele havia me pedido uma caneta emprestada, e imaginem a minha besteira, eu poderia jogar meu rim fora, mas aquela caneta tinha qe ser guardada a sete chaves, porque meu idolo tinha pego nela. Engraçado que um dia desses eu estava arrumado o fundo do meu baú e adivinha só o que eu encontro: a caneta! 16 anos depois, ela ainda estava lá guardada…

Tem mais… amanhã eu conto! 😛

☆ Meu ídolo e eu – Parte 1 ☆


 

Quem aqui já teve um ídolo e por este fez besteiras faraônica, levanta as mãos   \o/
Eu nem acredito nisso, mas eu já fui uma dessas fãs inconsequentes que matava e morria por seu ídolo. Na época eu era adolescente, devia ter meus 13 anos, por aí… Ahhh pera aí, deixa eu pegar minha agenda, pra poder contar a vocês tudo bem certinho…

Vamos lá?! Estou perdendo um momento precioso de não lembrar das minhas lolices de adolescente né, mas… simbora!

O ano?! 1994. Eu ainda ía fazer 13 anos. Naquela época Internet era pra gente podre de rico né, então vocês já sentem o drama que era ser fã de alguém, pra completar, meu ídolo era do meio gospel, então ele não estava nos programas de TV, meu contato com ele se resumia a uma radio evangélica, que ficava ligada quase que 24 horas e quando a música dele começava a tocar eu ficava capaz de ter um ataque cardíaco, parava tudo e corria pro “pé do radio” pra ficar ouvindo…

Naquela época, era bem comum o que chamamos de “Cruzadas Evangelísticas” e esse meu ídolo era um dos cantores oficiais desse evento, e aqui no estado onde moro tinha um político que era responsável pela serie de cruzadas por esses lados de cá e em janeiro de 1994 estava marcado uma temporada. Na época meu pai era vivo e não gostava nada “dos crentes”, como ele mesmo chamava, mas milagrosamente ele ‘deu permissão’ pra que eu fosse pra um dia desse evento. Vocês não tem noção da minha felicidade. O dia?! 30/01/1994. Eu tinha toda a coleção de LP desse cantor (pra quem não alcançou essa época, o LP era tipo um CD gigante :P) e lembro que ficava ouvindo as músicas e olhando, com cara de paisagem, pra a foto dele… Eu hein! Aquilo chegava a ser quase um amor platônico!

Bom, chegou o dia do evento e logo cedo lá estava eu… Minha mãe, ultra, mega, master, poli, super, hiper comunicativa, foi logo tratando de fazer amizade com o organizador do evento, e eu, sempre muito tímida, ficava escondida à sombra dela só esperando o resultado, e… passada de vergonha. Como eu já esperava, ele me apresentou ao camarada e disse que eu era SUPER fã do cantor e que tinha ido alí pra conhece-lo pessoalmente e bla bla bla, nisso chega um carro, um escort marrom claro (ainda lembro!) e imagina quem sai dali de dentro… MEU ÍDOLO! Primeiro que eu fiquei espantada com o tamanho do cara, ele devia ter uns dois metros de altura e depois fiquei extasiada sem saber o que fazia da vida. Aí o responsavel pela cruzada, que a essas alturas já estava chamando minha mãe de mãe, me puxou pelo braço pra me apresentar pro cantor, ahhhh mas eu tremia, eu suava, eu ria, eu chorava, pense numa agonia! E ele foi tão gentil comigo, me abraçou, me beijou, me deu atenção, tirou fotos, deu autógrafo… e eu tô aqui com o coração batendo lá na órbita de Plutão. Pense num dia inesquecível! E isso foi só o começo de muitos micos que paguei por causa desse meu ídolo… Sente só a fotinho do momento e o primeiro autógrafo que peguei dele. Detalhe, a foto está péssima, afinal naquela época não existia maquina digital e eu nem sabia que raios era Photoshop, e segundo, o autógrafo, tadinho, mudou até de cor… 😀

Passei a semana toda olhando pra esse autógrafo... Cobrí todo com fita durex pra conservar... Pense numa adoração!

 

Olha a situação da foto, eu e meu modelito dos anos 90 (que mico!), ao meu lado, meu ídolo, olha só o tamanho desse homem, e olhem que eu não sou tão baixinha assim viu! Ao lado dele, o cara responsável pelas cruzadas aqui e em seguida uma amiga da minha mãe, que tambem era fã do mesmo ídolo que eu…
Ahhh mas tem tanta história pra contar que vocês nem fazem ideia, que tal deixarmos um pouco pra amanhã?!
Ahhh vocês querem saber quem é o idolo né?! Pois bem, ele se chama Junior, na época era bem conhecido no meio evangélico com o hino “Soldado Ferido”, ele morava no Paraná, hoje em dia ele é pastor lá nas terras do Tio Sam.
Na minha época de fã, ele estava assim: