Arquivo da categoria: Religião

Uma infância na ditadura religiosa


Lá no Uma mãe das Arábias encontrei o pessoal falando sobre religião, sobre o que é certo, quem está errado e daí que lembrei da minha infância religiosa…

Eu nascí num lar evangélico (Assembleia de Deus) onde a tradição sempre deu as ordens. Eu era o patinho feio da sala de aula, a farda da escola era uma bermuda, mas a minha tradição religiosa dizia que eu tinha que usar saia,  as meninas da sala cortavam cabelo, usavam batom e brincos, eu morria de vontade de ser “normal” como elas, mas a minha tradição religiosa dizia que eu tinha que ser diferente.

A minha tradição religiosa me deu o título de “Miss tô por fora” em uma brincadeira de final de ano da escola. Também puderas, com a lista de proibição lá da minha igreja, era um tanto complicado fazer parte do grupo onde só eu era evangélica. E pensar que foi a própria professora que me deu a tal faixa de presente. Pena que naquela época as professoras não sabiam o que era o bullying. Eu tinha uns sete pra oito anos na época, mas ainda lembro bem o constrangimento.

Naquela época Xuxa estava no auge e eu morria de vontade de assistir os programas, cantar e dançar as músicas, mas sabe como é, a minha tradição religiosa dizia que televisão era coisa do demônio, e apesar de ter uma na minha casa, ela só era ligada unicamente para noticiários. E eu que não me atrevesse a ligá-la pra outros fins. As sete pragas do Egito cairiam na minha cabeça!

A minha infância religiosa foi meio ao estilo império Romano, o céu era um imenso coliseu e Deus era o maior dos gladiadores, pronto a cortar minha cabeça fora se eu não seguisse as regras do império. As tradições nunca me aproximaram de Deus, mas eu tinha que seguí-las, mesmo se muitas não fizessem o menor sentido. Lá na igreja o pastor dizia que Deus era nosso amigo, mas na verdade eu morria de medo dele.

Pra ser sincera, não sinto saudades dessa época. A tradição religiosa roubou grande parte da minha infância. Fui proibida de fazer uma penca de coisas porque colocaram na cabeça da minha mãe que isso ou aquilo era pecado, hoje deixaram de ser, mas o passado não volta.

Em matéria de religião as pessoas tem que ser livres, nada pode ser feito por imposição, mesmo aquelas regras mais complicadas de serem seguidas, devem ser aceitas de forma consciente. A religião deve aproximar o ser humano de Deus, e essa aproximação acontece de forma natural, espontânea. Deus não é esse gladiador que até hoje a tradição insiste apresentar…

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O Clone – Vestimentas islâmicas


 

Pra quem não tem nenhum ou pouquíssimo contato com o mundo islâmico ou árabe em geral, ver as mulheres vestidas até a alma assusta. Eu estava vendo algumas cenas de Jade no mercado e lembrei da primeira vez que ví mulheres vestidas daquela forma. Foi lá em Jerusalém (Israel) há 15 anos atrás. Ví muitas mulheres judias com aquelas roupas enormes que escondia o formato do corpo e lenços que deixavam só o rosto amostra, mas meu choque mesmo viria quatro anos depois, quando pela primeira vez fui ao Egitão. Quando vi uma mulher de niqab confesso que fiquei morrendo de medo e tentando encontrar uma razão pra tudo aquilo. Na época eu era apenas uma turista que não sabia muita coisa sobre a cultura alheia e ainda tinha aquele comportamento absurdo de achar que a minha cultura que era a certa…

Os anos passaram e sete anos depois lá estava eu de volta ao Egitão, só que dessa vez como moradora, dormindo e acordando numa realidade bem diferente daquela que a agencia de viagem havia apresentado sete anos atrás. Já não tinha mais medo das muçulmanas que usavam niqab e tinha aprendido a respeitar a escolha delas. Meu contato direto com o mundo islâmico me fez entender muitas coisas e respeitar outras pencas delas, mas confesso que em matéria de certos usos e costumes, ainda tem varias coisas que não sei se realmente acrescentam.

A gente observa na novela o cuidado que as mulheres muçulmanas tem em não chamar a atenção dos homens alheios, e no mundo real é do mesmo jeitinho, isso é extremamente válido e quem dera se a mulher brasileira tivesse esse tipo de pensamento, mas por outro lado eu fico aqui pensando com meus botões sobre o exagero de algumas mulheres muçulmanas  nessa modéstia, será que é necessário chegar ao extremo para isso? Seria mesmo da vontade de Deus que a mulher usasse um niqab que esconde toda a sua identidade? Bom, a ênfase aqui está no niqab porque estamos falando de O Clone onde o foco é o mundo islâmico, mas sou consciente de que esse exagero está presente em todas as religiões, talvez ela só seja um pouco mais acentuada entre os muçulmanos.

Por outro lado, o bom no mundo islâmico é que a mulher é valorizada pelas suas qualidades interiores, ela não tem que se matar em uma academia ou comer com uma balança a tira colo, lá os valores tem outro tipo de medida. Sem contar que pra aqueles lados de lá, mulher é mulher, diferente daqui, que mulher é objeto de prazer. Sinto saudades do Egitão, sabia?! Lá eu fazia regime pra ter um corpo saudável, aqui eu faço regime pra dar satisfação a sociedade. Que escravidão!

Por ser evangélica de uma denominação mais tradicional, onde a modéstia é algo levado a sério, me identifico com o comportamento feminino islâmico, em geral, no que diz respeito ao modo de se vestir, mas ainda assim não me sentiria a vontade vivendo em um país árabe, pelo “simples” fato de que a modéstia lá é levada ao extremo da questão.

 

Divergências na festa religiosa


Essa semana está acontecendo uma festa religiosa na minha cidade. A festa acontece todos os anos sempre me trazendo os mesmos questionamentos…

No centro da cidade encontramos um parque movel, barraquinhas espalhadas por todos os lados, nelas é possível comprar de tudo, desde batatas fritas até latinhas de cerveja, encontramos um estilo musical a cada esquina e pessoas que rebolam pra lá e pra cá sem parar. E a vida segue assim por duas semanas.

Hoje está sendo o último dia, a tarde varias pessoas passaram aqui em frente de casa, umas descalças, outras segurando velas, outras segurando uma imagem, outras vestidas de branco, todas cantando músicas que adoravam aquela imagem que estava sendo carregadas.

A noite chegou, e daqui de dentro de casa posso ouvir o som no último volume, a rua está repleta de carros e pessoas que lutam por um centimetro de espaço, quem tem o olfato um pouco mais apurado consegue sentir o cheiro de cerveja no ar, a noite hoje será longa e a manhã será marcada por uma rua cheia de lixo e algumas pessoas fora de sí tentando lembrar o caminho de volta pra casa…

Mas a festa não é religiosa?!

Culto do caixão


Passando pelo Púlpito Cristão encontrei uma invenção muito tosca no meio evangélico: o culto do caixão. Como funciona?! É o seguinte, não tem aquele filho da mãe que fez de tudo pra te lascar?! Pronto, pega o nome dele, escreve num papelzinho e coloca dentro de uma caixa, leva pra igreja e lá ora a Deus pedindo vingança. Simples assim!

Cava um buraco que eu vou me enfinhar na parte mais profunda dele!! Sou evangélica e essas coisas me constrangem. Sofro de vergonha alheia…

O_O

Saudade do Athan


Não, não me convertí ao islamismo. Continuo sendo cristã/evangélica e não tenho pretenções de mudar de grupo religioso, mas confesso que tem muita coisa no mundo islâmico que chama minha atenção, entre elas, está a forma como é lido o Qur’an (livro sagrado dos muçulmanos). A leitura é feita em forma de melodia, o que da uma harmonia e vida incrivel ao texto. Pra quem ainda não teve a oportunidade de ouvir o Qur’an sendo lido, da uma passadinha aqui e confere como é lindo!

Outra coisa bem interessante é o Athan, o chamado à oração, que em países árabes pode ser facilmente ouvido do alto dos minaretes. Nos meus primeiros dias no Egitão levei um certo tempo pra me acostumar com esse som, confesso que no começo me irritava, principalmente quando era tocado em plena madrugada ou cedo demais da manhã, mas com o passar do tempo eu fui me adaptando e dependendo da voz do Sheikh eu achava até legal ouvir. Gostei tanto que quando voltei ao Brasil instalei um programinha do Athan no meu computador.

E daí que hoje me deu saudade do Athan e de toda aquela atmosfera religiosa que a gente encontra no Egitão…

E pra quem nunca ouviu o Athan, deixo dois aqui bem legais…



Religiosidade


Aurélio chama isso de seguir com rigor, e o próprio Aurelio também diz que rigor é severidade extrema e eu digo que tudo que é extremo faz mal, até amor em extremo é prejudicial. Nessa vida a gente tem que ter um ponto de equilibrio pra tudo, e quando falamos em religião isso deve ser levado a serio, muito a serio!

Já falei que tenho aversão a religião?! Pois é! Fico a beira de um colapso nervoso quando vejo pessoas que seguem cegamente certas regras religiosas só porque o seu lider religioso, baseado em textos completamente fora do contexto, diz que tem que ser assim. Pior ainda é quando algum liderado pensante resolve contestar alguma regra ilógica e seu líder o obriga a calar a boca, é aquele famoso comentario: “Se não quer seguir as regras, então vá pra outro grupo”.

Será que nosso livre arbítrio só é respeitado quando decidimos cegamente seguir o que nos é colocado como imposição?! Será que não teriamos também o direito de externar nossas insatisfações religiosas?  Será que a ideologia  dos líderes religiosos é a verdade absoluta e a contestação dos liderados um pecado mortal?! É o que me parece…

As religiões estão muito distantes das suas essencias e os seus seguidores levados para mais distante de Deus, é o rigor da religiosidade que leva o ser humano a uma hipocrisia sem fim. A embalagem condiz com a religião seguida, mas o conteúdo está muito, mas muito distante de um relaciomento sincero com Deus.

Onde que chegaremos hein?!

O certo e o errado


O que é o certo?! O que seria o errado?! Será que dava pra fazer uma lista de alguns itens que merecessem ou não ser seguidos pela humanidade? Definir o certo e o errado nos dias de hoje parece ser uma tarefa bem difícil, dependendo da situação, até mesmo impossível. A humanidade vive um tempo onde errado mesmo é dizer que algo é errado, basta dar uma olhada no mundo lá fora pra perceber a inversão desenfreada de valores e a luta daqueles poucos que ainda tentam, sem muito sucesso, preservar a boa conduta moral. O pecado agora faz parte da grande maioria dos seres humanos, as pessoas dormem com ele, se acordam com ele, o levam ao trabalho, a escola, a universidade, e sabe o pior?! O pecado já não doi mais na consciência de “alguns”, há sempre uma justificativa para o erro cometido, e as vezes nem foi um erro né, tudo é tão relativo hoje em dia…

Alguém viu Deus por ai?! Deus?! Shhhh fala baixinho, quem vai querer saber de Deus em meio a tudo isso que está acontecendo pelo mundo afora?! Duvida?! Vá a algum lugar público com um(a) amigo(a), experimente comentar a essa pessoa que na noite passada você foi a uma festa, quer dizer, balada né, festa era no tempo da minha avó, e nessa balada você conheceu uma pessoa interessante e saiu da festa pra ir ao motel e tiveram uma noite inesquecível. Em outro local, público também, comente que você está namorando uma pessoa bem interessante há um ano, comente bem empolgada que vocês estão com planos de noivar, e que resolveram fazer sexo só depois do casamento, porque essa é a vontade de Deus para o casal. Depois me conta as reações alheias frente a essas duas situações…

Se a mulher posa nua para uma revista masculina ou fica andando por aí de micro roupa mostrando até o diâmetro do útero ela é aplaudida, errado é quando a mulher escolhe seguir a modestia e evitar o desejo alheio. Ahhh aqui quero abrir um parêntesis, não estou me referindo ao legalismo religioso que faz com que a mulher se cubra dos pés a cabeça em nome de uma modéstia que só existe na cabeça de quem a segue, me refiro as mulheres que conseguem ser extremamente elegantes e femininas, sem ter que apelar sexualmente pra isso. Não sou a favor de úteros amostra por aí, mas o outro extremo da questão também é um tanto tenso… mas… deixemos essa questão pra outro post.

O fato é que os valores hoje estão totalmente invertidos, as pessoas estão lidando com os seus erros como se eles fossem algo aceitável, algo relativo e sem perceber, a humanidade está a cada dia mais longe de Deus, e estar longe de Deus significa estar mais próximo de caminhos que conduzem a perdição, e sabe o pior de tudo isso?! Eu e você estamos incluídos nessas pessoas. Talvez não tenhamos pretensões de pousar pra uma revista pornográfica, mas enxergar isso com naturalidade não deixa de ser um passo para esse caminho de perdição, podemos não ter o hábito de frequentar baladas e ir ao motel com pessoas interessantes que podem ser encontradas lá, mas não ver nada demais nisto não é um bom sinal, e quanto aos inúmeros erros que cometemos de forma consciente e que no final das contas arrumamos uma desculpa para cometê-los mais uma vez?! E pior, quando passamos a achar que não há nada demais e que o erro está só na nossa mente preconceituosa?!

Tá bom! Tá bom! Tô com papo de velha religiosa aposentada em final de vida, mas que os nossos valores morais estão se perdendo… ahhh isso é fato!

† Legalismo e Liberdade Cristã †


Ela nunca foi aquele tipo de cristã digna de aplausos, pelo menos não pela maioria religiosa que incansavelmente busca aqueles que sigam tradições, na verdade ela sempre teve aversão as tradições, principalmente as religiosas que em muitas vezes em nada acrescenta, mas ela era cristã e apesar de todos os seus erros, estava lá tentando dar o melhor de sí para Deus. Ela fazia parte do grupo de liderança de jovens da sua igreja, não era de muita oração e em uma primeira olhada não se destacava muito na multidão, mas quando o tema era fazer alguma coisa acontecer, ela era a primeira a renunciar horas de sono e de divertimento secular, para que no dia determinado, tudo acontecesse como planejado. E assim como estava em seus planos, tudo acontecia da forma como havia sido determinado para acontecer, ninguém nem imaginava de onde tinha vindo todo o esforço e dedicação para que todos aqueles projetos fossem transformados em ações. Como qualquer ser humano, ela esperava que o reconhecimento humano viesse, mas a ausência dele não a fazia sentir menos merecedora, afinal, no fim de todas as coisas, a melhor recompensa viria de Deus, que tudo vê… e assim foi por muito tempo a sua vida no meio religioso onde vivia.

A atmosfera religiosa não era muito acolhedora, a tradição era a base de tudo e ela era obrigada a seguir regras que ela nunca foi capaz de entender até que ponto elas melhorariam seu relacionamento com Deus, mas não tinha muita escolha, se ela não seguisse as regras as severas punições viriam sem misericórdia, muito pouco se falava de como ser mais amigo de Deus ou como respeitá-lo mais, mas todos sabiam muito bem o que aconteceria se alguma das regras religiosas fossem quebradas.

Um certo dia, após o término do culto, o superior marcou uma reunião com a equipe de liderança que ela fazia parte, uma reunião sem aviso prévio, o que a fez pensar que seria algo relacionado a mais uma festividade que estava as portas. Todos sentaram em círculo e começaram a falar de assuntos relativos ao funcionamento das normas da igreja e por fim, o superior olha pra ela com aquele olhar de juiz prestes a dar a sentença e diz: “O último assunto tem a ver com você”. Sem entender muito bem o que estava se passando, ela começou a sentir os nervos começarem a ferver, ela cuidava da parte financeira do grupo e o olhar acusador do ‘juiz’ não lhe trazia conforto, principalmente porque ela sabia o nível da sua honestidade e uma acusação indevida poderia ser o começo de uma guerra.

Naquela época havia sido lançada uma moda entre a juventude acerca do uso de um determinado acessório, que era terminantemente proibido no meio religioso que ela vivia, mas não encontrando base para aquela proibição e odiando o tradicionalismo incondicional que a cercava, ela resolveu aderir a nova moda, não pensando muito nas consequências drásticas que poderia lhe sobrevir, mais do que depressa, o seu superior foi avisado e sem perda de tempo, ela foi colocada na cadeira dos réus e sem direito a defesa…

– Temos lhe observado e visto que você agora está usando este acessório, e você sabe que isso não é permitido na nossa igreja – Disse o superior –

Mas claro que ela sabia da proibição, mas por outro lado ela sentia que sua liberdade de escolha estava sendo roubada, e pior ainda, de uma forma sem justificativa alguma, já que o uso do tal acessório não estava ferindo a moral de ninguém….

– Nós vamos lhe dar 30 dias para você pensar bem no que está fazendo e deixar de usar este acessório, caso contrario, teremos que afastar você de todas as suas responsabilidades

Ela jamais imaginou passar por uma decepção assim, e ainda tendo plateia e tudo mais para assistir a condenação. Ser tirada de todos os cargos não lhe pesava, o que pesava mesmo era ter todo o seu trabalho desconsiderado e jogado no esquecimento, unicamente por conta de um simples acessório que estava sendo bem mais importante do que toda a sua dedicação e honestidade em cumprir com a tarefa que lhe tinha sido confiada…

– Vocês não precisam esperar 30 dias, podem me tirar de todos os cargos, só peço uma coisa, sejam sinceros com as pessoas e justifiquem o motivo pelo qual eu estou sendo tirada do grupo, eu lido com finanças e uma saída brusca pode parecer infidelidade para muita gente – Disse ela ao seu superior –

– Mas pense bem, você está trocando Deus por este acessório…

– Eu jamais trocaria Deus por qualquer coisa neste mundo, Ele está em primeiro lugar na minha vida, quero apenas ser livre e não abro mão do livre arbítrio que Deus me deu

Os lideres não abriram mão das suas tradições e ela não abriu mão do seu livre arbítrio. Ela foi tirada de todas as responsabilidades no seu grupo religioso e seu pedido de justificativa não foi aceito. Se por um lado ela pecou, não obedecendo as ordens dos seus lideres, por outro lado seus lideres também pecaram, omitindo o verdadeiro motivo da sua saída, levando assim as pessoas a suposições maldosas, se por um lado ela não foi flexível o suficiente, por outro lado a tradição religiosa foi bem mais válida do que toda uma dedicação voluntariamente empregada no crescimento da própria instituição…

… de uma coisa eu tenho certeza: no final de tudo, cada um terá de Deus, a recompensa que merece…

Virei indio!


Já beirando terceira década de vida (vish como o tempo passa!) resolví usar brinco. Isso não seria nenhum bicho de sete cabeças se eu não fosse evangélica e não fizesse parte da denominação mais rígida do ramo. Lá as mulheres são proibidas de usar brinco, pulseiras, colares, maquiagem, calça comprida, etc, etc, etc.  A ideia já estava na minha cabeça há muito tempo, sempre gostei muito de acessorios, e apesar de fazer parte desse grupo religioso tão legalista, mas já havia quebrado muitas regras, tais como: usar calça, colares, pulseiras, maquiagens e afins, claro que tudo de uma forma bem discreta, mas furar a orelha parecia ser um passo mais complicado de ser dado, talves por não poder ser tão discreta como nos outros itens, sem contar que a minha mãe sempre foi bem religiosa e ver a filha dela de brinco poderia significar o apocalipse pra ela, então sempre ficava adiando e adiando o uso desse acessório…

Certo dia eu estava conversando com meu irmão sobre essas questões religiosas e mais uma vez cheguei a conclusão de que eu só estava arrumando cargas desnecessarias pros meus ombros, sem contar que estava vivendo mais as ideias dos outros do que a minha propria e daí resolvi desencanar de vez, afinal, é a Deus que devo satisfação em relação a minha fé não é mesmo e Ele bem sabe que minha fé não está fundamentada em usos e costumes.

Fui à farmácia e PAH! Furei as orelhas… Claro que minha mãe já estava previamente avisada a respeito da minha decisão, mas pelo jeito ela não esperava que eu realmente iria até o fim. Cheguei em casa, toda desconfiada ainda e mostrei a proeza, claro que eu queria contar detalhes, quem sabe até escolher com ela o brinco que melhor combinasse com a roupa, mas já estava consciente de que não iria rolar tudo isso, a questão seria no mínimo tensa, e foi mesmo! O comentario dela?! “Misericordia, agora virou indio!”… Respirei fundo, contei até trezentos mil e disse que sim, tinha virado indio, e desde então não ninguem comenta mais nada a respeito aqui em casa. Claro que ela não aceitou, mas paciencia, nem Jesus Cristo agradou a todos…

Agora preciso de saco, desses grandes, mas bem grandes mesmo, pra aturar os comentarios do pessoal da ‘minha’ igreja. Poderia sair de lá e procurar “outra turma”, mas nascí e crescí nesse meio religioso, então não é tão simples assim arrumar as malas e partir pra outro grupo, mas sei que mais cedo ou mais tarde esse será o meu destino, já não da mais pra carregar todos os fardos desnecessarios que determinados pastores insistem em colocar nos nossos ombros, se não tenho que carregá-los, então que sentido faz insistir em dar continuidade a um costume de gerações passadas?! Gostaria muito que determinados pastores tivessem seus horizontes mais ampliados, mas sei que isso, na minha denominação, ainda é utopia, e das grandes. Bom, já estou entrando em outro assunto, vamos deixá-lo pra outra oportunidade, né?! Mas o fato é esse, segundo a minha mãe, agora eu virei indio 😛

† A fé e a razão humana †


E daí que o Pastor Silas Malafaia lançou a campanha “Clube de 1 milhão de almas“, onde ele sugere que as pessoas contribuam voluntariamente com uma determinada quantia que será direcionada ao pagamento dos programas televisivos no Brasil e fora dele. O objetivo é levar o cristianismo ao maior número de pessoas possíveis e nada melhor do que a midia pra isso. Ele chama a contribuição voluntaria de semente e encoraja as pessoas a usarem sua fé e acreditarem que podem ganhar de volta muito mais do que elas contribuiram. Obviamente que nem todo mundo tem o valor estipulado na campanha, mas também não é por isso que a pessoa deixará de ser cristão e de ser abençoado por Deus.

Aí que os criticos de plantão já dão sinais de vida com os comentarios mais maldosos que se possa imaginar, a começar pelo clássico de que o valor arrecadado será destinado ao bolso do Pastor Silas Malafaia ou então questionam porque o valor da contribuição tinha que ser tão alto. Bom, alguém aí poderia me dizer qual o custo de um programa televisivo?! Rios de dinheiro não é mesmo?! O Pastor Silas Malafaia está aí há anos levando Cristo ao Brasil e até fora dele e quem será que banca tudo isso hein?! E o povo ainda tem coragem de dizer que o dinheiro vai pro bolso dele! Enquanto uns promovem a infidelidade conjulgal, desavenças entre familias, falta de respeito ao próximo e perda de valores morais, tem alguem corajoso que vai na contra mão de tudo isso na intenção de promover os bons costumes para a sociedade, mas a maioria não consegue analisar o lado bom da questão.

Falou em dinheiro no mundo religioso a tendencia é que a questão seja vista com maus olhos, já perceberam isso? Aí ele pede essa contribuição voluntaria para que possa ampliar os horizontes e levar uma boa mensagem para mais pessoas e os proprios cristãos duvidam das intenções dele, não acreditam e ainda tentam tirar a credibilidade daqueles que confiam. Detalhe: a contribuição é voluntaria e o doador não vai perder nada caso recuse contribuir. Aí vem o governo e “convida” o cidadão brasileiro a pagar infindáveis impostos, muitos deles que o contribuinte nem sabe onde, como e porque serão empregados, mas o camarada paga caladinho, certo? Claro, se ele não pagar, vai ter que arcar com as consequencias. Não estou querendo dizer que quem não participar dessas campanhas religiosas terá o castigo das pragas do Egito sobre a vida, obviamente não, mas se no mundo material contribuimos financeiramente para tanta coisa, e pior, por livre e expontanea pressão, porque é que no mundo espiritual não podemos contribuir expontaneamente?!

Ei! Eu sei que Deus não precisa do nosso dinheiro, mas aqui na terra é preciso recursos financeiros para desenvolver os trabalhos de Deus, e Deus não vai mandar os anjos para desenvolver essas questões,  podemos então usar nossa fé e ação para abençoar a obra de Deus e consequentemente Deus usará esta mesma fé para nos abençoar e nos dar além daquilo que pedimos ou pensamos. Não é o valor monetário, mas a fé que cada um coloca na ação de contribuir que fará a diferença, se o valor será destinado ao bolso do pastor ou ao objetivo pelo qual ele foi designado, isso não é problema de quem contribui, Deus dará a recompensa que cada um merece, mas garanto que se a contribuição for feita com fé, esse valor voltará muitas e muitas vezes mais para o bolso daquele que se dispos a ajudar…

Sabe qual é o problema de muitos cristãos?! Falta de fé. As multidões vão a igreja toda semana, participam direta e indiretamente de atividades em seu grupo religioso, oram horas a fio, jejuam muito, cantam muito, seguem todos os usos e costumes da sua denominação, mas Deus parece que está a anos luz de distancia e não consegue ouvir as suas orações, a vida não prospera, porque será hein?!  A humanidade insiste em seguir as regras que ela acha que são corretas, enquanto muitos cristãos seguem normas listadas em um estatuto religioso, Deus pede apenas que haja fé e ação nos corações, e todo o restante será consequencia, se abrissemos a nossa mente para esse principio a nossa vida seria outra e o cristianismo seria outro tambem, mas a maioria insiste em procurar erro nos outros e achar que qualquer pessoa com projetos mais grandiosos, está na verdade querendo tirar proveito da inocencia religiosa alheia…

Eu paro e penso nos tempos bíblicos, em quantos exemplos de coisas humanamente falando absurdas que Deus pediu para que certas pessoas fizessem pra ele, mas as pessoas tinham uma fé tão grande que metiam a cara e faziam, no final tudo dava certo, a fé em Deus era tão grande que nem dava tempo de contestar, hoje em dia há uma mistura de falta de fé, com inveja, falta de amor, egoismo e o resultado está aí bem na ponta do nosso nariz, não quero fazer apologia a doutrina da prosperidade, apenas penso que se tivessemos fé, teriamos outra vida, mas somos livres para seguir o caminho que melhor nos parecer, só sei de uma coisa, Pastor Silas Malafaia está aí crescendo em graça, sabedoria e cada vez mais ampliando seus horizontes, e enquanto isso, a negada que só sabe achar defeito vive aquela vidinha 360º, anda, anda, anda, corre, corre, corre e no final… volta pro mesmo lugar… 😀