Arquivo da categoria: Diario de Bordo – Israel 2010

☆ Diario de Bordo: Souvenir?! ☆


E lá estávamos nós no aeroporto de Tel Aviv, sendo revistados pelos agentes israelenses. Brincadeira mais sem graça né?! Tem algo mais inconveniente e constrangedor do que ter as nossas malas abertas em público e todo o conteúdo ficar lá exposto para quem quiser ver?! Pior ainda é quando a gente caí na ‘sorte’ de colocar as calcinhas e afins em um local mais acessível, tudo bem que todo mundo veste calcinhas, mas eu não me sinto muito a vontade em expor as minhas ao público, sabe?! Mas enfim, quando não devemos nada, o constrangimento tem apenas a ver com a exposição das nossas intimidades, mas o pior mesmo é quando descobrem certos objetos que não deveriam estar na nossa bagagem…

Há pessoas que juram que conseguem driblar a segurança nos aeroportos e eu fico bestificada com o nivel de inteligencia dessas pessoas, muito mais ainda quando elas acham que conseguem driblar a segurança em Israel. Vocês já viram aquelas maquinas de raio X nos aeroportos né?! Qualquer leigo consegue identificar facilmente cada objeto dentro das bagagens, imagina só quem é treinado pra isso… E daí que lá vai determinada pessoa do nosso grupo e passa a bagagem na esteira, logo em seguida o funcionario pergunta se a pessoa estava trazendo algum material de vidro na mala, e com todas as letras a pessoa em questão disse que não. O funcionario volta a perguntar, e a pessoa permanece negando, jurando que o agente estava comendo aquela conversinha toda…

Imaginem só o que aconteceu… O funcionario mandou que a pessoa abrisse a mala e eis que lá no fundinho da bagagem, enrolado em peças de roupa, se encontrava um copo que a bonitona tinha pego do hotel (Esse povo me mata de vergonha!). É obvio que o funcionario sabia que aquele copo estava alí e não me pergunte como, mas ele tambem sabia que aquele copo não deveria estar alí. Pra não dizer a real versão da historia, a pessoa em questão disse que o copo tinha sido um souvenir, um presentinho, que o hotel tinha dado a ela… Desde quando os hoteis andam dando copo aos hóspedes hein?! E engraçado né, só ela havia sido contemplada com o “souvenir”, que injustiça para com os outros hóspedes que tinham o mesmo direito que ela… O que aconteceu?! O “souvenir” ficou detido no aeroporto e sabe Deus o que o funcionario ficou pensando do povo brasileiro…

☆ Diario de Bordo: Indo na direção errada! ☆


Lembram da historia que contei ontem sobre Ariane né?! Ela foi tomar banho e a água da banheira deveria ter algum sonífero que fez com que ela esquecesse do banho e se entregasse aos braços de Morfeu. Hoje trouxe mais uma aprontança dela…

Muitas pessoas do nosso grupo estavam de olho nos Duty Free do aeroporto e já pensando nisso, chegamos ao aeroporto BEM antes das duas horas exigidas, já para ter tempo suficiente pra gastar os últimos dólares que ainda restavam, só que a policia federal israelense cismou com nosso grupo e o resultado disso foi que nosso tempo livre foi quase todo gasto em perguntas e revisões de malas que nunca mais que acabavam. Quando finalmente despachamos nossas malas tinhamos bem menos de uma hora pra embarcar, tempo insuficiente para as compras programadas, alguns desistiram, mas Ariane não, enquanto quase todo o grupo caminhava pro portão de embarque, Ariane e mais umas quatro pessoas caminhavam pro Duty Free. Chegou a hora de embarcar, todo o grupo já estava dentro do avião, mas… Onde estava Ariane?! Minutos antes da porta ser fechada, aparece ela…

Agora imaginem só…

Foram pro Duty Free, fizeram as compras e daí deram conta de que o tempo havia esgotado e eles tinham que correr para não perder o vôo, e realmente correram! O aeroporto é enorme e pra ajudar os passageiros, colocaram esteiras ao longo dos corredores que mais parecem não terminar nunca, daí quem está disposto, vai embora andando, caso contrario, é só ‘montar’ na esteira e admirar o mundo ao redor, só que algumas pessoas tentam adiantar os passos e daí sobem na esteira e vão andando. Se o passageiro vai, ele pega a esteira que vai, se o passageiro vem, ele pega a esteira que vem, certo? Todos fazem assim, mas Ariane fez diferente…

No desespero da possibilidade de perder o vôo ela achou que caminhar rápido na esteira faria com que ela chegasse mais rápido ao destino, e realmealmente faria, se ela não tivesse pego a esteira errada, ela ía, mas pegou a esteira que vinha e pior que ela nem percebeu nada e começou a travar uma “luta silvéstrica” com a esteira, quanto mais caminhava, muito pouco saia do lugar. As pessoas que estavam com ela estavam tão ligadas no voo que estava prestes a partir que nem deram conta que a medida que eles andavam, Ariane era deixada pra trás, nisso o marido dela percebe que ela não estava os acompanhando, e quando ele olha pra trás… encontra Ariane lutando com e esteira, jurando que estava na academia… 😀

Ahhh eu nem rí né, quando me contaram… 😛

☆ Diario de Bordo: Relaxando na banheira ☆



Já vou avisando que não tentem fazer isso em casa porque vocês podem correr serios riscos… 😀

E daí que tínhamos andado durante todo o dia e haviamos planejado para dar uma volta pelos arredores do hotel na parte da noite, não lembro se isso foi antes ou depois do jantar, só lembro que eu havia marcado uma determinada hora pra passar no quarto de Ariane e Fabio, depois passar pelo quarto de Joelma e Arlindo, passar pelo de Gustavo, depois pelo de Salvio e se mandar de Jerusalem a fora pra aproveitar a noite. Minutos antes, ligo pro quarto de Ariane e Fabio atende dizendo que ela estava tomando banho e rapidinho eles estariam prontos. Fui à Internet, postei algumas fotos, liguei pro quarto dos meninos, que já estavam prontos, coloquei umas coisas no meu quarto em ordem e nada de Ariane dar sinal de vida, já havia passado quase 20 minutos e nada, tudo bem que pedir pontualidade era exigir demais, mas ela já estava atrasando além do costume. Resolví ir ao quarto dela. Batí na porta uma vez, duas, três, quatro… e a essas alturas já estava ensaiando o discusso: “putzzz eles tinham ido embora e não tinham me esperado, mas não combinamos de sair todos juntos!.” Resolvi insistir pela ultima vez, quando ouço aquela voz lá de longe: “Amor, abre a porta… acho que é Nadir”

– Diz coisa feia! –  [Forma carinhosa como me tratam]
– Cadê Ariane?
– Está tomando banho…
– Mas ainda?!

Resolví passar tempo nos quartos alheios, enquanto ela terminava o tal banho que há quase meia hora ela tinha começado. Minutos depois ela aparece com cara de ontem…

– Eita que banho demorado foi esse hein!!
– É que eu enchí a banheira, a água estava tão agradável que eu dormí… Só acordei contigo batendo na porta…
– 😯

Da pra acreditar?! A demente dormiu dentro d’água!! Sorte que os 1.80 dela impediram que ela saisse escorregando de  banheira a dentro. Já imaginou se ela fosse baixinha, escorregasse pra baixo d’água e tivesse um ‘tiruliru’ embaixo d’água?! Daqui que o coitado do Fabio, marido dela, provasse que ele não tinha nada a declarar, já teria passado por apertos na policia federal israelense como suspeito de um possivel afogamento na banheira 😀

☆ Diario de Bordo: Indignada na Europa ☆


O destino principal desta viagem foi Israel, mas o grupo fez duas conexões na Itália, tanto na ida quanto na volta, e essas duas conexões merecem um espaço aqui no blog… Simbora?!

Vocês sabem que quando falam em Europa, muitas pessoas ainda tem aquela besteira de achar que países europeus são os melhores em tudo né?! Posso ser sincera? De verdade?! Os europeus que não me condenem, mas a Europa nunca encheu meus olhos, e a cada chance que tenho de ir pra aqueles lados de lá, é que volto com os olhos esvasiados mesmo…

Bom, a conexão de ida foi tranquila, apesar das longas horas de espera no aeroporto e a falta de simpatia dos funcionarios do aeroporto em dar informação, só mesmo estando longe, pra perceber o quanto nós brasileiros somos simpáticos, ahhh e sem contar que em um aeroporto internacional, muitos funcionarios não falavam inglês, se fosse no Brasil era porque era país de terceiro mundo né?! A gente tinha vindo em um voo da TAM, com comissarios de bordo extremamente bem vestidos, bonitos, moças bem maquiadas e com um sorriso nas orelhas durante todo o vôo e eu jurava que encontraria o mesmo look né, mas pelo visto a Alitalia não tinha mudado nadinha de nada, os comissarios de bordo pareciam com meu falecido avô e as comissárias, pra bruxa só faltava a vassoura… Gente que danado era aquilo?! Elas vinham com o cabelo mal arrumado, um ‘rabo de cavalo’ mal feito, isso quando não aparecia aquelas com um coque desses que a gente faz quando acorda, a cara amassada, sequer um batonzinho pra aliviar a cara de sono elas colocavam… terrível!! E pra fechar com chave de ouro, passamos por turbulencias praticamente o voo todo, por horas eu tinha a sensação que estava nos ônibus públicos de décima categoria, tudo bem que isso não tem nada a ver com a Alitalia ou com a Europa, mas numa hora dessas tudo coopera né?!

Depois de dias maravilhosos em Israel, tinhamos que voltar pra casa e lá vamos nós passar de novo pela Europa, de novo pela Itália… Simbora!!

Em Israel pegamos um voo da companhia israelense El Al. Bom… eu ainda prefiro as cias brasileiras, mas a El Al ainda consegue ser bem melhor do que a Alitalia, pelo menos os comissarios de bordo são organizados e simpáticos. Fomos pra Alitalia esperar nosso voo e fomos gentilmente informados que nosso voo tinha tido que ser alterado para três horas a mais por questões de problemas técnicos, horas depois fomos informados que o vôo tinha sido cancelado e que só voltariamos pra casa no dia seguinte, em outras palavras, teriamos que passar um dia todo em Roma, e aqui começa meu stress…

Eu tinha que avisar pro pessoal de casa que chegariamos no dia seguinte, então pensei em encontrar uma Lan House pra mandar e-mail, seria bem mais barato do que ligar pra cá né?! Então lá vai eu por conta propria procurar a Lan House, não encontrando nada, resolvi perguntar. Com muita dificuldade encontrei alguem que falasse inglês…

– Onde posso encontrar uma Lan House aqui? – Perguntei a uma funcionaria de uma cia aerea lá –
– O que?
– Lan House… preciso de uma Lan House
– Lan house? O que é Lan House?
– Um Cyber!!
– Cyber?! O que você quer dizer?
– Quero um local onde tenha um computador conectado a internet e que eu possa usar, onde que encontro isso aqui?! – Respondi já com vontade de mandá-la pra “ponte que partiu” –
– Ah.. aqui não tem isso não.
– Como?!
– Aqui não tem Internet para o público
– E como eu faço pra entrar em contato com minha familia?
– Desculpe senhora, mas não temos internet para o público aqui, a senhora pode usar os telefones…

Isso era piada né?! Putzzz se eu estivesse na Zambia eu até entenderia se não encontrasse uma Lan House no aeroporto, mas na Europa?! Na Italia?! Não!! Não!! Me deixem no Nordeste brasileiro mesmo, pelo menos aqui o povo sabe o que é um Cyber, uma Lan House e tem um computador em cada esquina pro povão acessar…

A cia aerea se responsabilizou pela acomodação dos passageiros e sem muitas informações lá vamos nós atrás do tiozinho italiano que levaria o povo ao ônibus. De onde estávamos até o local onde o ônibus estava era uma tirada boa, tivemos até que pegar um trem, e o cara se mandou na frente e que se danasse o povo que estava para trás, quem tinha pernas boas, se juntou a maratona, mas o pessoal da terceira idade ficou para trás, pedindo graças a Deus e quase que chegaram ao ônibus andando de quatro. Legal né?! A educação europeia estava me deixando tão comovida… O pessoal do meu grupo estava preocupado em avisar aos parentes sobre cancelamento do voo e no final das contas sobrou pra quem pra procurar informação?! Pra quem?! Pra quem?!

– Somos um grupo brasileiro e queremos saber se a cia aerea se responsabilizará pelas ligações que fizermos aos nossos familiares – Perguntei pro tiozinho italiano da Alitalia
– Cada pessoa terá direito a 5 minutos de ligação

Algumas pessoas tinham ido com marido, esposa, filhos e daí surgiu a dúvida se cada um teria direito aos 5 minutos mesmo sendo todos da  mesma familia e lá vai eu com cara lisa novamente perguntar ao cara que me respondeu gentimente que isso era o de menos, que tinham problemas mais serios para serem resolvidos e que a cia aerea teria condições de pagar todas as ligações que fossem feitas… Educado o povo europeu né?!

Chegamos ao hotel e como e todos os hoteis que haviamos ficado em Israel, a internet era gratis, eu pensei que lá também seria né, então lá vou eu toda confiante pegar a senha com o recepcionista, que gentilmente me informou que se eu fosse usar a Internet teria que pagar 17 euros, e quando eu comentei que em Israel o acesso era gratis, ele, gentilmente me informou que lá na Italia nada era de graça. Poxa… fiquei tão feliz com o tratamento que ele me deu, que pensei seriamente em passar mais uns dias naquele local…

Bom, ainda tive outras situações nada agradáveis nesse hotel e com o mesmo recepcionista, mas nem vale a pena relatar aqui, pra não piorar ainda mais a imagem da “glamurosa” Europa, vai ver que de repente o problema nem é na Europa né, mas com as pessoas que atravessaram meu caminho naquele dia, coincidentemente todas era bem mau humoradas e mau educadas também, mas… vai lá saber né, pode ter havido um surto de mau humor naquele dia e ninguem me avisou… Só sei de uma coisa, prefiro mil vezes o Oriente Medio, que tem uma fama tão ruim, mas na realidade não é nada disso que a midia mostra, a Europa, que tem uma fama tão glamurosa, mas na prática… só indo na Italia pra ver… 😛

Ahh ainda conheci uma brasileira que há 15 anos mora na Italia e sabe o que ela disse?! Que não vê a hora do filho dela ficar de maior pra ela se mandar pro Brasil, e ela contou cada coisa que esvasiou ainda mais meus olhos…

☆ Diario de Bordo: Folclore Israelense ☆


 E daí que participamos de uma apresentação folclórica israelita no YMCA em Jerusalem. A apresentadora do show foi um show a parte, quando soube que havia um grupo de brasileiros, a mulher falou português e cantou até uma música nordestina. O show foi apresentado em hebraico, espanhol e inglês e ela mandou ver sozinha em todas as linguas. Não vou falar do show em sí, vou deixar que as imagens falem por sí só… Ahhh e quero agradecer ao meu amigo Fabio Batista que fez as gravações e gentilmente cedeu os videos para que fossem colocados no blog. Enjoy them!

 

E dando umas fuçadas pelo You Tube, acabei encontrando outro video muito legal sobre o mesmo grupo de dança, nesse video vocês podem ver um resumo do show como um todo. Vale a pena dar uma conferida…

☆ Diario de Bordo: Um motorista chamado Amnon ☆


Posso dedicar este post a mais uma pessoa muito especial que encontrei lá na Terra Santa? Tudo bem que sei que vocês querem saber dos acontecimentos, mas além de Mosheh e de Selma, vocês precisam conhecer também outra figura extraordinária chamada Amnon.

Em se tratando de viagens com grupo de turismo, quando falamos em motorista, o que vem logo a mente?! Não sei vocês, mas pelo menos na minha mente vem aquele cara mal arrumado, de poucas palavras, geralmente fechadão, que leva o grupo de um local pro outro e ponto final, ah isso sem contar também que ele só fala a língua local, fazendo com que o mesmo fique quase que incomunicável com as pessoas do grupo. Essa era a minha ideia, até ter encontrado com a figuraça do Amnon.

Foi com esse esteriótipo de motorista de turismo que entrei no ônibus no primeiro dia, meu pre julgamento me impediu até de olhar pra a cara dele e dar um bom dia. Coisa feia né não?! Que vergonha… Minutos depois uma música hebraica bem agradável começa a ser tocada no ônibus e eu estou aqui, jurando que tinha sido trazida pelo lider do grupo, que  depois disse que aquele CD não era dele… E de quem era então?! Vocês acreditam que era do motorista?! Poxa que legal! Em nenhuma das viagens que até então eu havia feito, os motoristas tinham tido essa preocupação de proporcionar um ambiente agradável aos passageiros, foi aí que pelo retrovisor passei a prestar atenção ao rosto da figura que pelo menos visivelmente não tinha nada a ver com o meu esteriótipo de motorista. Enquanto o meu era fechadão, Amnon tinha uma feição simpatica, enquanto o meu era mal arrumado, Amnon estava de barba feita, roupa social e até de gravata…

Esses ônibus de turismo tem serviço de som espalhado por todo canto e daqui a pouco aparece uma voz que acompanhava a música hebraica que tocava no CD, uma voz animada e ainda animando o pessoal, e detalhe, falando inglês… Imaginem quem era… Amnon!! Da pra imaginar a cena?! Amnon com o microfone na maior animação. Apaixonei!! Preciso dizer que nos tornamos amigos?! Assim como Mosheh, ele soube conquistar o pessoal e as despedidas não foram menos dolorosas. Ele que passava a maior parte do tempo cantarolando, estava agora todo serio e caladão, e eu estou aqui logo atrás dele e observando todo aquele clima pelo retrovisor..

– Amnon! O que tu tens?!
– Humm?!
– Estas todo quieto… que houve?
– Sabe como é, essa coisa de despedida…

Nisso começa a cantar a seguinte música:

“Shalom Chaverim… Shalom Chaverim… Shalom… Shalom…   [Paz Amigos…]
Lehitraot… Lehitraot… Shalom”   [Até mais… Paz]

– Engraçado… essa música está bem propicia para o momento – Disse ele com ar pensativo
– Quero ir embora não… Que eu faço?!
– Já sei! Quando o pessoal tirar as bagagens você se esconde na mala…

Ah como era bom se certas questões fossem resolvidas assim tão simples, né?! Um dia antes já tínhamos nos despedido de Mosheh e Selma, e agora lá estávamos nós vivendo todo o sofrimento mais uma vez. Deixamos Israel, mas jamais esqueceremos do motorista israelense espetacular que se preocupava com a aparencia, passava o tempo quase todo cantarolando,  falava fluentemente inglês e conquistou o amor de todos do grupo.

Olha ele aqui!

☆ Diario de Bordo: Cadê meu feijão com arroz?! ☆


Quando a gente fala em viagem internacional logo vem a mente as famosas questões gastronômicas, concordam comigo?! Esses dias em Israel meu estômago sofreu um bocado, principalmente no horario do almoço. Nosso querido guia, na intenção de colocar-nos bem de dentro da cultura local, só nos levava pra restaurante típico. As comidas não eram ruins, mas nada nesse mundo se compara ao meu adorado e idolatrado feijão com arroz de todos os dias. O almoço era sempre regado a uma mesa ENORME de todos os tipos de verduras e legumes que vocês possam imaginar, a grande maioria crua, mais uns dias naquele cardápio e eu viraria uma lagarta gigante. Uns dois dias apelei pra pizza e o restante do tempo me virava com falafel e muita Sprite pra matar o calor envenenado que teve dias de chegar aos 41 graus. No hotel a coisa não era muito diferente, meu bom dia era com MUITA verdura, como não tinha vocação pra comer “matinho”, tentava enganar a barriga com pão, suco e muito, mas muito bolo. Eu ficava espantada com o nosso guia, logo de manhã o prato dele parecia mais a mata atlântica, e vocÊs precisavam ver o prazer com que ele devorava tudo aquilo… Tenho que adimitir que o resultado desse hábito é bem visivel nas pessoas de lá, minha pele de vinte e poucos anos não chega, nem de longe, a ser comparada com a pele de senhoras com idade de ser minhas avós… Que inveja! A única hora que eu comia com vontade era no jantar, que de longe lembrava meu almoço brasileiro, mas ainda assim a enorme mesa com a mata atlântica estava lá, sendo que no jantar as verduras e afins eram cozidas, com molhos e até que dava pra encarar, apesar de serem praticamente geladas. Agora sabe qual era minha alegria mesmo?! A mesa de doces… Eita que minha dieta foi pro espaço! Não foi a toa que eu ganhei quase três quilos… Eram mesas enormes de tortas, doces, bolos, cremes, geleias… não tinha como ficar distante delas!  Ahhh meio estranho também foi ver peixe cru no café da manhã, e umas pastas de grão de bico com uns temperos lá que não eram muito agradáveis ao meu olfato… Bom, vai ver que eu que sou fresca demais pra essas coisas né, mas a verdade é que eu senti muito a falta do meu feijão com arroz… 😦

Da só uma olhada nas fotinhos…

Vai um matinho no café da manhã?!

 

 

E tome verdura no meu prato!

 

 

☆ Diario de Bordo: Welcome to Tel Aviv! ☆


Todos estavam quebrados na emenda! Dezoito horas de voo foram mais que suficientes para fazer com que víssemos cama em todas as direções que olhássemos, mas deixar o Brasil para passar o tempo dormindo em Israel, não parecia uma boa escolha, pelo menos não para mim. Horas de sono tinham que ser mínimas, afinal, não era todo dia que tinha a chance de esquecer que era pobre, então… tinha que aproveitar…

Depois de toda a agonia das malas extraviadas ter sido resolvida, pegamos o ônibus e fomos levado ao hotel, que seria a nossa casa por aquela noite. Fomos recebidos por Ilana, uma judia brasileira muito simpática, responsável por toda parte burocrática da nossa viagem. Essa é a parte boa de viajar por agencia de turismo: não temos que nos preocupar com nada, tudo estará sempre pronto a nossa espera. Quer dizer, nem sempre né, mas posso dizer que dessa vez tudo ocorreu como esperado.

Do aeroporto de Ben Gurion até o hotel encontrei uma Tel Aviv não muito diferente da que havia encontrado outras vezes atrás, pra ser sincera nem deu pra perceber bem que estávamos em outro país, tudo era tão familiar, se não fosse os outdoors com letras hebraicas, eu poderia jurar que estava em alguma cidade brasileira. Chegamos no dia que aconteceria um determinado evento na cidade, as bandeiras coloridas ao longo das avenidas indicavam que a modernidade estava muito além do que pudessemos imaginar, detalhe meio estranho para um local tão tradicional e acima de tudo conhecido mundialmente como “Terra Santa”. Já sabia que não encontraria tanta tradição em Tel Aviv, mas confesso que não esperei encontrar tamanha modernidade. O clima também me surpreendeu, as previsões meteorológicas diziam que a temperatura mínima era alem do que meu corpo poderia aguentar, então preferí pecar pelo excesso, e fui preparada para chegar ao Polo Norte, chegando lá… a realidade não tinha, nem de longe, alguma coisa a ver com o que a meteorologia dizia, em outras palavras: metade da minha bagagem foi peso desnecessario!

Chegamos no finalzinho da tarde e tivemos o restante do dia livre, nosso roteiro em grupo só começaria na manhã do dia seguinte… Aproveitei aquele tempinho livre que fora me dado e fui desfrutar dos ares da moderna Tel Aviv. Sabe algo curioso? Ainda encontrar alguns timidos raios de sol as quase nove horas da noite. O hotel ficava próximo a uma avenida que só me lembrava Boa Viagem, a única coisa que me dava a certeza que eu não estava lá, era os sons da fonética hebraica, espalhados por todo o ar, mas ainda assim a ficha ainda não havia caído, a mente não tinha conseguido assimilar a essencia de toda a realidade…

Da pra acreditar que isso aqui foi as nove da noite?!

☆ Diario de Bordo: Cadê as malas?! ☆


Alguém da aula de moda, beleza e boa aparencia as comissarias da Alitalia, por favor?! Que povinho mais bagunçado é aquele! Essa não foi a primeira vez que eu voei de Alitalia e das outras vezes as bruxas tambem estavam soltas no voo, os homens até que da pra se olhar, mas as mulheres parece que esqueceram o pente ou a escova em casa, sem contar com a cara amassada que parece que esqueceu o caminho dos cosméticos. Enquanto as comissarias brasileiras são novas, bonitas, bem maquiadas e educadas, as italianas são velhas, enrugadas, feias e muito mal arrumadas. Credo! Ninguem merece além de 11 horas de voo a noite, acordar com um espantalho daquele te olhando e perguntando se você quer ‘tea’ ou ‘coffee’. Anyway…

Chegamos em Tel Aviv, Israel, a tarde e como de costume, fomos para a esteira pegar nossas malas e finalmente irmos para o hotel e desfrutar do nosso merecido descanso, depois de 18 horas de voo era tudo que queriamos…

Depois de alguns minutos vendo malas que iam e vinham, a ausencia de algumas delas começou a preocupar seus proprietários, que coincidentemente faziam parte do meu grupo, nisso passa um cara por perto e diz:

– Algumas malas foram extraviadas, se a tua não estiver aí é bom correr logo alí e fazer a reclamação…

Ele falou isso em inglês, obviamente que o pessoal do meu grupo não entendeu e eu fiz cara de que estava tudo bem, não sabia se repassava logo pro povo ou se dava mais um tempinho pra ver se as malas chegavam. Olhei lá pro guichê da cia aerea e podia ver as fumaças saindo das cabeças dos passageiros lesados, achei melhor não esperar mais e dei as “boas novas” pro povo do meu grupo que logo cairam no desespero. Ao todo foram sete pessoas do meu grupo e em meio a agonia…

– E agora, como que a gente vai resolver isso se não falamos inglês?!

Pensei em dar o voador e sair pela tangente e deixar que cada um se virasse, mas se estávamos em grupo não seria muito amigavel da minha parte fazer isso, e mesmo sabendo a dor de cabeça que me esperava, reuní os sete e fui fazer a reclamação. Chegando no chigue da Alitalia me apresentei como participante do grupo brasileiro e expliquei que as malas de sete pessoas do meu grupo não haviam chegado, a atendente me explicou todo o procedimento burocrático e pediu que eu preenchesse uma ficha com varios dados de cada um dos que haviam perdido as malas… Pra não ter que explicar a mesma coisa sete vezes, peguei o formulario e expliquei de uma vez só a todos eles, jurando que cada um preecheria tudo bonitinho, daria a atendente e pronto, problema resolvido, certo?! Errado! Tive que explicar a mesma coisa trocentas vezes, juro que eu estava falando português, mas alguns estavam tão nervosos com o desaparecimento das malas que não conseguiam assimilar em uma única explicaçao o que eles deveriam fazer, e isso foi me aos poucos me tirando do serio, porque o que deveria ser divertimento pra mim, estava começando a virar stress sem fim…

– E AGORA?! EU TENHO PROBLEMA DE PRESSÃO E MEU MEDIDOR ESTAVA NA MALA!!! – Reclama um –
– NADIR, DIZ A ELA QUE EU DEIXEI TANTOS DOLARES DENTRO DA MALA, E AGORA?! – Reclama outro –
– E AGORA COMO QUE A GENTE VAI FICAR SEM ROUPAS PRA VESTIR?! – Reclama outro –
– A MINHA MALA CHEGOU MAS VEIO RASGADA!  – Fala outra aos gritos e já chorando –

O detalhe é que todos falavam ao mesmo tempo e pior ainda, como se eu trabalhasse na cia aerea e tivesse a responsabilidade de dar conta da mala de cada um… E por mais que eu falasse pra eles que eu ja tinha repassado todos aquelas reclamações pra a atendente da cia aerea que havia dito que as malas chegariam no voo seguinte e que seriam encaminhadas ao hotel, a maioria das pessoas não se conformava e a cada vez me pressionava mais ainda. Fomos levados para o hotel na esperança de encontrar as malas perdidas assim que chegasse a noite…

☆ Diario de Bordo: Começando a vida de tradutora ☆


E como prometido, vamos lá as minhas aventuras na Terra Santa. Como vocês bem sabem, minha intenção era contar essas novidades a medida que elas fossem acontecendo, mas eu tinha esquecido que vida de turista também não é facil, quando sobrava tempo livre a única coisa que eu podia fazer era cair na cama pra acordar cedinho no dia seguinte, mas enfim, agora estou de volta a terrinha e como estou de ferias de uma escola, fica mais fácil ter tempo livre pra colocar a vida virtual em dias, então sem mais demoras vamos ao diario de bordo, começando pelo primeiro dia…

Viagem internacional é um martírio e sabe porque? Perdemos muito tempo entre conexões e esperas sem fim nos aeroportos da vida e nessa minha viagem a realidade não foi diferente. Minha Odisseia começou em Recife com três horas e poucos minutos pra São Paulo, mas até aí tudo estava maravilhosamente bem, estava com o pique todo, montada no salto, maquiagem impecável, cabelo no lugar, sorriso atrás das orelhas. De Recife pra São Paulo tudo foi maravilhosamente bem, uma turbulencia aqui, outra alí, mas ainda assim tudo bem. Pegamos as malas e nos mandamos pro guiche da Alitalia pra despachá-las pro nosso segundo destino: Italia. Daí pra frente só veriamos nossas queridas malas em Israel. Se por um lado havia o alivio do peso a menos, por outro lado havia o risco do extravio, mas não havia escolha, o jeito era se arriscar…

Três horas depois pegamos o outro vôo da Alitalia, dessa vez ficariamos 11 horas dentro do avião, as 11 horas mais longas desses meus últimos meses de vida. Esse voo foi o mais emocionante de todos, a emoção já começou com turbulencias sem fim que nos impossibilitava até de manter a água dentro do copo, literalmente viu! Uma amiga que estava ao meu lado quase que toma um banho de café, teve que fazer malabarismo pra que a turbulencia não derrubasse o liquido do copo. Pense numa emoção! O segundo episódio que deixou meu coração sabe Deus onde foi quando de repente começou a fazer um barulho no teto do avião como se pedras estivessem sendo jogadas nele, e logo em seguida raios sem fim enfeitavam as janelinhas próximas aos passageiros. Tempestade em pleno voo, legal né?! Tínhamos duas opções: entrar no desespero ou contar piada pra passar o tempo. Escolhi a segunda.

Horas depois chega o lider do nosso grupo (ahh falando nisso esqueci de dizer a vocês, mas fui com um grupo de turismo de 28 pessoas) e com uma cara de preocupação diz o seguinte…

– Nadir, você pode nos ajudar?
– Posso sim, qual a bronca?
– É que tem uma pessoa do nosso grupo que não está se sentindo bem…

Automaticamente pensei em dizer que não podia fazer nada, já que não era médica e nem tinha remedio algum na bolsa e além disso eu tenho pavor a pessoas passando mal perto de mim, se eu for ajudar corro o serio risco de cair durinha e ao inves de ajudar, só atrapalhar, mas… esperei que ele terminasse.

– Mas o que eu vou fazer?
– Chama o comissario de bordo e pede pra ele fazer alguma coisa, ele não fala português e a gente não fala inglês…

Começaria aqui a minha odisseia de tradutora filantrópica rumo a Terra Santa…

Chamei o comissario de bordo, expliquei que eu fazia parte de um grupo de brasileiros que estava viajando no mesmo voo e que uma pessoa do nosso grupo não estava se sentindo bem, ele me pediu que o levasse até onde ela estava e chegando lá ele começou a perguntar o que ela estava sentindo. O problema é que lá no cursinho eu não lembro de ter tido aula de termos médicos e tentar traduzir o que a menina estava sentindo me fez fumaçar o juizo, mas graças a Deus que o comissario conseguiu entender, se o importante é que a comunicação flua, então cumpri minha missão de tradutora, certo?! O comissario de bordo não era médico e obviamente que ele não podia fazer muita coisa a não ser pedir a Deus que tivesse um médico alí no meio daquelas 400 pessoas, nisso ele pede que a moça espera um minutinho e me puxa pelo braço pra cabine…

-Eu vou dar o anúncio em italiano e inglês e você fala a mesma coisa em português, certo?
– 😯

Não deu nem tempo de dizer nada, quando dei conta de mim eu já estava com o microfone na boca e dando uma de radialista em pleno ar, nem deu tempo de ensaiar… não sei se falei com uma voz muito boa, mas sei que em segundos tinha quatro médicos na minha frente. Eles falavam português, então pensei que era só mostrar onde estava a moça e pronto, o resto era com eles, certo?! Errado! O comissario me puxou pelo braço e o tempo todo pediu que eu ficasse ao lado dele dizendo o que estava se passando. Nisso um dos médicos lá começou a se comunicar com o comissario em inglês e nisso achei que não se fazia necessario minha presença alí…

– Já que o médico fala inglês então não é preciso que eu fique aqui, posso ir? – Perguntei ao comissario –
– Não! Fica aqui do lado…
– 😯

Tudo isso durou uns 15 minutos, o médico medicou a moça, ela começou a sentir bem, o comissario agradeceu a minha ajuda e eu voltei pro meu assento feliz da vida por ter sido útil ao meu próximo, e ainda arrumei um amigo:  o comissario.

Horas depois chegaríamos a Tel Aviv e lá outro episódio já estava a minha espera… Aguardem os próximos capítulos…