Arquivo da categoria: Histórias de Viagens

:: Historias de Aeroportos: Tirando os sapatos ::


Fila do aeroporto de Londres. Lá estava eu com o humor na unha do dedo midinho e já pensando nas infindáveis horas que me esperavam até que eu chegasse em casa. Tem coisa pior do que ficar mais de oito horas dentro de um avião e pra completar, a noite, quando nada se enxerga da janela além de um abismo negro sem fim?! De dia ainda temos a chance de ver as nuvens, montanhas, rios, mares, cidades… mas naquele dia não teria nada pra passar tempo ao lado da janela, pra completar, eu não estava com um pingo de sono, a viagem prometia uma monotonia sem fim…

Depois daqueles ataques de 11 de setembro a burocracia nos aeroportos ficou ainda mais insuportável. Sempre odiei essa coisa de ser revistada, ainda mais quando tenho a consciencia de que não tenho culpa no cartorio e que por conta de gente mal carater, eu e tantos bons cidadãos temos que nos submeter a certos inconvenientes. A principio a fila parecia mais uma daquelas chatas onde você coloca suas malas na esteira, passa pelo detector de metais e tchau, até aí tudo bem, só a espera na fila era que irritava, mas logo ví que tinha algo de errado quando percebí que algumas pessoas lá na frente começaram a tirar os sapatos… Daqui a pouco lá vem um funcionario do aeroporto dando o aviso aos passageiros que teríamos que tirar os sapatos para que eles fossem passados no raio X 😯

Eu poderia ter ido com qualquer outro sapato, mas naquele dia eu escolhí usar um sapato horroroso que tinha ganho de presente da mãe do falecido, o sapato era ‘fraco de feição’ com força, mas me dava um conforto que aquela bota chiquequérrima cheia de pra que isso não me dava, e justamente por causa dessa bota que eu quase cheguei ao Egito andando como um primata, e como não queria repetir a performance de volta a terrinha, escolhí vir com algo mais confortável que me desse a chance de andar durante toda a viagem como um ser humano normal, o problema era que o material do sapato tinha um odor não muito agradável, juro que nunca tive chulé, mas aquele sapato não era meu amigo, mas enfim, eu não pretendia tirá-lo ao longo da viagem, ninguem ía cheirar meus pés e tudo o que eu precisava ele tinha: conforto!

Quando o carinha lá disse que TODOS os passageiros tinham que tirar os sapatos, eu pensei cá com meus pés: “Tô lascada!”. Ainda pensei em chamá-lo e discretamente contar a minha situação e jurar de pés juntinhos que eu era do bem e que não tinha nenhum plano terrorista escondido nos sapatos, mas é obvio que ele não iria acreditar em mim! Que situação! Já fazia umas seis horas que eu estava pelo mundo, dava pra imaginar como estava a situação lá por baixo… Entreguei os pés a Cristo e tirei os sapatos… Como era de se esperar, o material do sapato já deu sinais odoríferos de vida e eu fiquei procurando um buraco pra me enfinhar todinha dentro dele, tamanha era a vergonha! Adiantaria alguma coisa eu explicar pra quem estava ao redor que eu não tinha culpa do odor, que eu jurava de pés juntinhos que eu era limpa e que na verdade tudo era culpa do material do sapato?! Claro que não né! O jeito foi dar uma de doida, fazer de conta que não era comigo… Passei pelo Raio X, calcei os sapatos e me mandei como uma bala, sem nem olhar pra tras. Uma das primeiras coisas que fiz ao chegar em casa foi dar um cha de sumisso ao sapato fedorento…

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:: Historias de aeroportos: Limites de bagagens ::


Eu nunca entendí muito bem essa lógica do limite de bagagens das cias aereas. A regra geral diz que em vôos domésticos o limite é de 23kg e em voos internacionais dois volumes de 32kg. Tudo bem, a questão é que algumas cias aereas internacionais não adotam essa regra dos dois volumes de 32kg, o limite é menos, e se você vai fazer alguma viagem dessas cheias de conexões é bom procurar saber com antecedencia as regras das empresas, pra depois não ter que pagar o olho da cara por excesso de bagagem…

Nas minhas épocas de agencia de viagem perguntei a uma atendente de cia aerea nacional o porque dessa exigencia no limite de bagagens, e ela me respondeu que tudo isso era para a garantia de segurança do passageiro, já que uma aeronave pesada demais representaria um risco a integridade do mesmo. Até aí tudo bem, eu até que concordo, mas essa justificativa fica meio sem lógica se eu levar em consideração que se o passageiro tiver dinheiro, ele pode pagar todo o excesso de bagagem e levar a casa inteira dentro do avião, mas tudo bem, o dinheiro manda nesse mundo e não sou eu que vou mudar essa realidade (bem que gostaria!)…

Aeroporto do Cairo (Egitão), lá estava eu de malas e cuias de volta pra casa, dessa vez a viagem seria pela AirEgypt, naquela época eu não havia trabalhado ainda no ramo do turismo e meus conhecimentos a respeito eram bem limitados, e lá fui eu com as minhas duas malas somando 64kg, fora as bagagens de mão que como mandava as regras somavam 10kg. No check in o tio egípcio me fez o favor de informar que eu havia ultrapassado o limite de bagagem e teria que pagar pelo excesso que daria quase 30 quilos 😯

Eu havia ido pro Egitão pela AirFrance que liberou minhas duas malas de 32 kg cada uma sem problema algum, e eu ainda tinha guardado o folder com todas as regrinhas chatas da cia aerea, inclusive o limite das bagagens. Peguei o folder e jurando que estava abalando o bangu turistico egípcio, comecei a ‘dar aula’ de regras de viagem pro atendente da AirEgypt que insistia em me dizer que aquilo alí eram as regras da AirFrance e que eu estava voando agora pela AirEgypt.

– Olha aqui! AirFrance ou AirEgypt mas foi pago uma fortuna por essa passagem e lá na agencia me garantiram que eu tinha direito a duas malas de 32kg em voos internacionais, tá aqui o contato da agencia, resolva com eles, agora eu vou levar as duas malas e não vou pagar um centavo por nada aqui.

O atendente olhou pra mim todo desconfiado e pediu meu passaporte, tecla daqui, clica dali, olha pra tela, levanta a sobrancelha, franze a testa, olha pra mim, chama outro atendente lá, fala meio mundo de coisa em árabe, que eu não entendí um grama, o outro atendente leva meu passaporte lá pra dentro e depois de cinco minutos volta, fala mais um quilo de árabe e encerra com um “mashy”, que equivale a ‘está certo’, ‘ok’, ‘tudo bem’ (a única coisa que eu entendi).

O atendente volta ao computador e depois de cliques, teclas e tals, ela passa as minhas malas, me devolve o passaporte com o cartão de embarque e me deseja uma boa viagem, isso sem nem me dar uma satisfação quando ao tal excesso de bagagem que eu tinha que pagar, claro que eu não ía perder a oportunidade né…

– So, was I right?! (Então eu estava certa?!) – perguntei em tom irônico
– Yes madam, have a nice trip (Sim madame, tenha uma boa viagem!)

O infeliz me respondeu olhando para o outro passageiro que a essas alturas já estava impaciente sem entender porque o meu check in estava demorando tanto…

:: Historias de aeroporto: O vaso suspeito ::


Uma das coisas mais chatas que eu acho é essa burocracia de ter as malas revistadas nos aeroportos, principalmente quando dentro delas tem algumas coisas toscas que não queremos que estranhos vejam…

Aeroporto de Londres, lá estava eu em mais uma fila e quando eu penso que era só passar pelo raio X e tchau, a moça lá pede pra que eu mostre a bolsa. E lá vamos nós tirar o mundo todo de dentro dela: uma lista enorme de maquiagem, alguns livros, albuns de fotografia (não sei pra que, mas eles estavam lá), camera digital, celular, passaporte, carteira, caixa de lenços umedecidos, alguma chaves, folders que peguei ao longo da viagem e pra completar a lista, um vaso de flor que eu havia ganho de presente que por ser de vidro, eu fiquei com medo de colocá-lo na bagagem grande. O tal vaso tinha um líquido embutido e a moça do aeroporto achou por bem de cismar com ele.

Primeiro ela me perguntou onde que eu havia adquirido aquilo, e eu expliquei que eu havia recebido de presente, ela analisou cada cantinho do vaso e ainda não satisfeita, chamou outra funcionaria que fez a mesma analise e demonstrou a mesma desconfiança. Ela deixou o vasinho ao lado e foi analisar as outras dezenas de coisas que estava na bolsa, voltou pro vasinho e me perguntou se eu conhecia a pessoa que tinha me dado o presente. Que saco! Eu estava quase desistindo do vaso e deixando de presente em solo londrino, quando finalmente ela me deu o vasinho e eu sai correndo de aeroporto afora, antes que ela mudasse de ideia e me chamasse de volta…

:: Depois disso eu falei inglês ::


Que a língua inglesa é de extrema importancia em certas ocasiões eu já sabia desde as minhas épocas de ensino fundamental, lá pela minha oitava série eu ouvia isso toda semana do meu professor de inglês, teoricamente eu já estava saturada de saber disso, mas na prática não levava muito a serio a teoria, naquela época eu odiava inglês, e tudo que eu queria era chegar a media para passar pro ano seguinte, nada mais que isso. Meu inglês era trash, passei uns bons anos da minha vida colegial só estudando o verbo To Be, fato que não é nenhuma novidade na realidade da nossa educação em termos de lingua estrangeira…

Fui para o Ensino Medio e mais uma vez passei três anos estudando o Verbo To Be. Alguem ainda tem alguma dúvida porque eu odiava inglês? Na época de Ensino Fundamental eu ainda acreditava quando o meu professor dizia que o inglês era importante, depois de alguns meses de Ensino Medio eu já não conseguia ver mais importancia em nada, nem na teoria e muito menos ainda na prática. Chegar a media era o meu “goal” nem que pra isso eu tivesse que me valer de todas as técnicas de colas possíveis.Conseguí! Passei pelo inglês do Ensino Medio e cá com meus botões jurava que nunca precisaria do inglês pra nada na minha vida, até que um dia me ví em frente a um lanche da tarde…

Maio de 1997, lá estava eu a beira mar em Tel Aviv… Tá, ninguem alí falava português, mas eu havia ido com um grupo de turismo e tinha um guia lá a disposição do grupo, então porque raios eu tinha que me preocupar com comunicação se tinha um guia lá que poderia fazer tudo isso pra mim?! Certo?! Errado! O meu grupo era huge, composto por 50 pessoas e apenas um pobre de um guia para dar suporte a todo esse pessoal. Naquela tarde haviamos conhecido alguns pontos turísticos da moderna Tel Aviv e estávamos já mudando de cor de tanta fome, o guia então resolveu parar em uma lanchonete para “abastecermos”…

Não sei como que era o nome daquilo, mas era um pão grande e oco, o carinha israelense lá colocava uns bolinhos de carne dentro e logo ao lado tinha uma prateleira com dezenas de tipos de molhos, e ficava a cargo do cliente escolher o de sua preferencia. Ao lado de cada um tinha uma plaquinha escrita em hebraico e inglês o sabor do tal molho, mas nada eu sabia de hebraico e de inglês a única coisa que eu sabia era o verbo To Be (lembram né da minha odisseia inglesa lá nos ensinos fundamental e medio…), até tinha levado um dicionário inglês-português, que estava na mala lá no quarto do hotel.  Eu tinha apenas 16 anos na época (Putzz como o tempo passou!!) e a timidez ainda era meu grande inimigo. Olhei pra cara do israelense e pensei em dar uma de muda e no mimiquês perguntar o sabor daqueles molhos, mas a vergonha já foi logo dando sinais de vida, pensei em experimentar um por um, mas achei que aquilo poderia ser falta de educação, pensei em comer aquele negócio sem molho nenhum, mas não gosto de nada no seco e pra variar, o pão era seco e os bolinhos lá da carne tambem… Ai que dilema!!!

Dei uma geral nos molhos e tinha pra tudo que era gosto: branco, verde, amarelo, vermelho, até azul! Parei no vermelho e pensei com meus botões: “Isso deve ser catchup… É tu mesmo!!”. Do ladinho tinha duas plaquinhas, uma com “פלפל” e outra com “pepper”. Bom, pra mim aquilo era catchup e mandei ver dentro do pão oco lá, os bolinhos ficaram brincando de natação por entre o molho avermelhado. Dei a primeira (e única!) mordida com força e fui da Terra a Plutão em um segundo… AQUILO VERMELHO ERA PIMENTAAAAAA!!!

– Você é doida? Pegou a pimenta mais quente que tem aqui – Falou um cara que estava ao lado –
– Você fala português?
– É, eu sou brasileiro. Vi quando você colocou a pimenta, achei que você gostava…
– Claro que não gosto, mas pensei que aquilo lá era catchup…

Virei uma garrafa d’água mas a garganta ainda ficou ardendo por um bom tempo, logo me lembrei quando lá no Ensino Fundamental o professor vivia dizendo que o inglês era muito importante para as nossas vidas. Depois dessa viagem a primeira coisa que fiz foi me matricular num curso de idiomas, descobrí entre tantas coisas que “pepper” era pimenta… 😀

:: Entendendo as tarifas aereas ::


Já tinha dado umas viajadas por aí, mas não tinha tido que entender a matemática das tarifas das cias aereas, as viagens que eu tinha feito eram daquelas de grupos de turismo, onde o agente de viagem nos da um folder cheio de figuras coloridas na frente, no verso um roteiro de 15 dias e lá embaixo o valor que temos que pagar por aquele roteiro. Os valores geralmente são exorbitantes, mas o agente de turismo, bom de lábia até dizer basta, acaba nos convencendo que tudo aquilo nem paga as passagens aereas ida e volta, as noites no hotel de todas as constelações, as entradas nos locais turisticos, as refeições, toda a parte terrestre do passeio, e ainda as gorjetas que por ventura apareçam pelo caminho, ficamos meio hipnotizados pelas duzentas vezes em que podemos pagar no cartão de crédito e acabamos fechando negócio em dois tempos. Enquanto o agente de turismo queima o juizo para fazer a viagem acontecer, nos preocupamos com que roupa levar ou o que trazer de lembrancinha pros amigos… Para nós nem interessa a cotação do dolar, a disposição dos assentos no voo ou a burocracia da reserva no hotel de todas as constelações. O valor que o agente nos falou é “X” e sabemos  que será “X” até o final da viagem, isso é o que importa.

Conhecí o falecido e decidí me mandar de malas e cuias pro Egitão, dessa vez não ía de madame em um grupo de turismo né, eu queria só a passagem aerea. Comecei a minha Odisseia de cotações. Vou usar aqui valores fictícios, até porque nem lembro mais os valores reais pagos naquelas passagens… Eu nem tinha data ainda certa pra ir embora, mas como meu perfeccionismo manda, comecei a me programar com antecedencia. Encontrei uma passagem de R$ 2.000,00 achei caro e resolvi dar mais um tempo e mais uma pesquisada pra ver se o preço baixava, uma semana depois fui ver no mesmo dia e no mesmo voo e lá estava por R$ 2.800,00.

– Meu filho você está doido?! – Perguntei ao meu agente de viagem –

(Nunca confiei em compras de passagens on line, sempre comprei em agencias de turismo, por mais “confiaveis” que possam ser, mas em materia de compras em valores altos, eu prefiro ter um contato direto com o vendedor, assim no caso de algum problema, o acesso ao pescoço dele é mais rápido…)

– Porque doido?
– Você ainda pergunta?! Eu ví essa mesma passagem semana passada e estava por dois mil reais, como é que hoje ela está oitocentos reais mais cara?!

O dono da agencia era meu amigo, e pode crer, coisa complicada é você ter um cliente que faz parte das suas amizades pessoais, porque daí não há aquela burocracia profissional toda e a compra acaba virando uma Odisseia sem fim 😀

Porque semana passada quando você viu o preço, tinha disponibilidade pra aquele valor de dois mil, agora já não tem mais!
– AAAHHH  não!!! Assim eu vou comprar em outro lugar, teus preços estão caros demais…

Na minha santa ignorancia eu jurava que as agencias de turismo podiam estipular os preços das passagens aereas,e se eu quizesse comprar passagem barata, tinha que fazer igual nós fazemos com compras de supermercado: sair de agencia em agencia pesquisando preços, e por mais que esse meu amigo me explicasse que o preço era um só para o Brasil inteiro, eu nunca entendia o porque de tanta variação de tarifa. O bom de ter um cliente amigo é que o nível de consideração é bem maior, e mesmo não entendendo pipocas nenhuma e ainda achando que poderia achar passagem mais barata em outra agencia, acabei comprando na agencia do meu amigo mesmo. No dia da viagem ele estava lá, pra se despedir de mim e desejar boa sorte na loucura que eu estava fazendo, eu ainda achava que ele tinha me vendido a passagem por um preço muito caro, mas talvez se tivesse comprado a um estranho, não teria tido a mesma receptividade né, então… tava valendo…

Algum tempo depois…

Mudança de planos, o projeto faraônico deu errado e voltei ao Brazilzão. Apesar das burradas cometidas pela pessoinha aqui, Deus é um pai ultramisericordioso e logo providenciou um emprego pra mim, imaginem onde!… Na agencia de turismo onde eu havia comprado as minhas passagens. Do lado de cá da história comecei a perceber o alto grau da minha ignorancia turistica…

Meu primeiro cliente foi um senhor que queria uma passagem para São Paulo, entrei no sistema e verifiquei que tinha disponibilidade no dia que ele queria, passei os valores pra ele que ficou de me confirmar a compra posteriormente. Uns dois dias depois ele me liga dizendo que queria efetuar a compra, peguei todos os dados e fiquei de entrar em contato depois pra confirmar a emissão. Entro no sistema mais uma vez pra fazer toda a parte burocratica da compra…

CHEFEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
– Que foi?!
– EU ACHO QUE FIZ BESTEIRAAAAA 😦

O bom de ser amiga do chefe é que na hora que você faz uma cagada ele não te da o mesmo fora que ele daria em um funcionario estranho… Ufa!

O senhor fulano de tal quer uma passagem pra São Paulo, ele me confirmou a compra e tudo, só que a passagem está R$ 300,00 mais cara, eu acho coloquei algum codigo errado aqui, e agora? 😦
– Relaxa… você tem que explicar para os clientes que as tarifas não são fixas, uma passagem que hoje esta por R$ 300,00 pode estar por R$ 600,00 amanhã, e isso não é culpa da agencia, nenhuma agencia de turismo pode estipular preços…

O chefe gente fina entrou em contato com o cliente e explicou todo o processo das regras das tarifas e depois de uns dias fuçando todo o sistema de venda de passagens e enteder o processo de tudo,  pedí mil desculpas a ele por ter sido tão chata e incompreensiva quando ele me vendeu as passagens para o Egitão.

Que tal entendermos como que a coisa funciona?!

Esquece tudo que você sabe sobre passagens rodoviárias ou de carro particular, no mundo aereo tudo é completamente diferente. Os voos são divididos em classes, que vão da classe economica (passagem mais baratas) a primeira classe (passagem mais cara). Imagina uma aeronave com 100 assentos, vamos dividir esse voo em cinco classes de 2o assentos cada uma: a primeira classe (passagem mais cara) tem uma tarifa de R$ 1.000,00, a classe um pouco inferior a primeira tem 20 assentos de R$ 800,00, a classe seguinte tem outros 20 assentos no valor de R$ 600,00, seguindo essa linha temos outros 20 assentos de R$ 400,00 e por fim, temos a classe economica  (passagem mais barata) no valor de R$ 200,00.

O voo está vasio, logo tem passagem baratinha de R$ 200,00, e aí onde está o segredo, quanto antes comprarmos passagens aereas, mais chances teremos de encontrar passagens baratas: voos vasios, classe economica disponivel. Tudo bem que as vezes as cias aereas dão promoções de ultima hora em voos já lotados, mas isso não é regra, então é melhor não arriscar. Aí você liga lá pra a sua agencia e pede uma reserva nesse voo aqui da nossa historinha, o agente entra no sistema e vê que há disponibilidade na classe economica e o valor é R$ 200,00, só que você decide confirmar a compra depois de umas duas horas, jurando que aquele valor não vai mudar. Lembra que só tinha 20 assentos nessa classe, certo?! Aí imagina que nesse periodo de duas horas 20 pessoas ao redor do mundo resolvem viajar nesse mesmo dia e voo que você quer viajar e PAH! compram aquela vaga na tarifa da classe economica… lá vai o coitado do agente de viagem fazer a tua cotação novamente e pra sua infelicidade aqueles 20 assentos de R$ 200,00 foram preenchidos e o que tem agora pra você é a classe onde a tarifa está por R$ 400,00…

A tendencia é você chamar a agencia de ladrão, o agente de incompetente e partir pra outra agencia, na esperança de encontrar aquela passagem de R$ 200,00. O que o cliente muita das vezes não sabe, é que o sistema é um só para todas as agencias do Brasil, o voo que eu via aqui no meu sistema no Nordeste, era exatamente o mesmo que Fulano dos Grudes via no sistema dele lá no Sul do país. Aí você chega lá na outra agencia e o agente já te da o valor de R$ 600,00 e você xinga todo mundo achando que é uma agencia mais aproveitadora do que a outra, como é que pode?! Primeiro eu te dou o valor de R$ 200,00 depois eu digo que está por R$ 400,00 e lá na outra agencia o infeliz do agente já te fala que é R$ 600,00?! Bom, você só não sabe que o voo está dividido em classes de tarifas diferentes, e enquanto você briga com as agencias, pessoas do mundo inteiro estão comprando passagens e se você bobear, aquela passagem de R$ 200,00 pode chegar a R$ 1.000,00 em um clique.

Ai eu me perguntava porque então os pacotes de turismo tinham valores fixos por tanto tempo, nisso entra outro processo de compras de passagem, o chamado “Bloqueio”, feito apenas por agencias de turismo. A agencia liga para uma Operadora de Turismo que entra em contato com a cia aerea e pede que reserve um numero “x” de assentos por um periodo “y” de tempo. Nesse caso o valor da tarifa fica inalterado e só quem pode comprar aqueles assentos é a agencia que os reservou. Por isso que a gente compra um pacote de turismo para determinado local hoje e daqui a dois ou três meses o valor ainda permanece o mesmo. O ruim, para a agencia, é que ela tem que vender todos os assentos que ela bloqueou, não tem essa de vender só o que conseguiu e depois devolver o assento vago para a cia aerea, afinal a cia aerea está bloqueando assentos que poderia ser vendidos para outros passageiros de forma individual, e obviamente que ela não vai perder não é mesmo?!

Imagina que a agencia monta um pacote de viagem para o Egitão, e bloqueia 30 assentos, só que o agente só consegue formar um grupo de 20 pessoas, azar dele porque ele vai ter que se virar pra pagar o valor equivalente aos 10 assentos restantes. Em casos assim é comum a agencia pegar o valor relativo as reservas que não foram preenchidas e dividir entre as reservas preenchidas, fato que acaba aumentando o valor do pacote. No caso de pacotes de viagem é aconselhável pesquisar mesmo, porque neste caso as agencias podem estipular seus valores, fato que não acontece com as passagens sozinhas, que são tabeladas.

É isso aí pessoal, espero ter ajudado a entender esse mundo tão complicado das variações das tarifas aereas que tanto nos causam dor de cabeça 😉