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Cobra no WC


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Intervalo da aula, deu aquela vontade básica de ir ao WC. No corredor que dá acesso ao mesmo, dou de cara com uma cobra, que já me saúda levantando a cabeça e botando um palmo de língua pra fora. Me abraço a parede, na tentativa de me afastar do ser rastejante, quando sem perceber piso no rabo de outra (Oh my God!) que tenta se enroscar no meu pé…

Dei um chute no ar e nem me dei o trabalho de ver onde a segunda cobra foi parar, meus olhos estavam na primeira que tava mais parecendo uma naja tentando se colocar de pé. Com o coração batendo no fio de cabelo mais longo, saí a passos largos procurando um cabra macho pra matar as peçonhentas.

– Moço, tem duas cobras alí, o senhor poderia matar?

Ele me olha meio incrédulo… Até eu não estava reconhecendo minha reação tão calma depois de ter sido abraçada por uma cobra!

Voltei com ele pra me certificar que a consumação do ato mortífero seria mesmo feita, a essas alturas eu já nem estava com vontade de ir ao WC e perdi totalmente quando um outro homem bem simpático me sai com essa:

– Ahh essas são pequenas, semana passada a gente tirou de dentro da piscina uma cobra de um metro e setenta centímetros!…

Jesus Cristo! Nunca mais eu invento de ir àquele banheiro, juro!

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Um sábado de trabalho


Era 06:15AM quando o despertador deu sinal de vida. O local de trabalho fica na rua de casa, é só dar uma olhadinha pela janela do quarto, pra ver ao longe a sala de aula dos sábados de cada semana, a aula começaria as 08:30AM, sendo assim nem precisaria acordar tão cedo, principalmente levando em consideração a jornada de trabalho do dia anterior, mas o perfeccionismo não perdoa e sempre cobra a margem de segurança, afinal é preciso chegar ao curso com pelo menos 15 minutos de antecedencia pra deixar a sala impecável para esperar os alunos, é preciso se certificar que tudo está conforme o planejado para a aula do dia, sem contar que não da pra sair de casa deixando a cama sem forrar, o banheiro se arrumar e os pratos sem lavar… Alguém aí falou que queria ser perfeccionista? Não né!?

Quando o relogio despertou tive vontade de jogá-lo longe, abrí meio milímetro dos olhos e pela sombra dos cílios ví o mundo branquinho de chuva lá fora, lembrei que hoje era sábado e me deu uma vontade desesperadora de voltar pra cama pra terminar de dormir, mas lembrei que não muito longe da minha janela estava uma sala de aula me esperando. Glamuroso dizer que ensina em um curso de idiomas?! Jura?! Mais ainda é abrir mão do descanso do final de semana e trabalhar o sábado de manhã e de tarde, principalmente vindo de uma sexta-feira de quase nove horas de aula. Reclamando da vida?! Claro que não, só tô mostrando o outro lado da moeda…

Pulei da cama ainda tentando fazer meu cérebro entender que precisava acordar, passei por todo o ritual de preparação pra ir ao trabalho (forrar cama, escovar dentes, tomar banho, arrumar banheiro, tomar café, arrumar cozinha… entende agora porque acordar duas horas antes?!) e me joguei na rua antes que eu atendesse ao chamado da minha cama. Tem algum professor por ai?! Já aconteceu de você ir dar sua aula somente por pura obrigação? Foi assim que eu estava hoje, que nenhum aluno meu leia esse post! e ainda por cima nessa instituição os professores tem que dar aulas em inglês, mas meu humor não estava nem pra falar português, imagina só inglês… mas os alunos não tinham culpa do cansaço que me acompanhava, então tentei fazer de conta que a vida é um mar de rosas recem colhidas de um belo jardim. Será que conseguí exalar todo esse perfume? Hummm não estou bem certa disso…

As 17:00 lá estava eu voltando pra casa, com as pernas doendo, olhos de panda, a sensação que o cérebro estava solto dentro do crânio e uma pilha de atividades pra corrigir pra ontem. Meus planos era chegar em casa e cair na cama, claro que antes disso eu cairia no chuveiro e depois na cozinha, mas olhando pra todas aquelas atividades sorrindo pra mim e seus respectivos prazos de entrega, não resistí a “tentação” e mergulhei em papeis que não se acabavam mais e nadei por entre textos e mais textos ingleses até perceber que estava chorando involuntariamente e que já havia passado duas horas e eu ainda estava aqui agarrada ao trabalho que era pra ter deixado assim que cheguei em casa. Tô bem dramática né?! Mas o fato é que nunca trabalhei tanto na minha vida, nunca me sentí tão esgotada, e confesso que não estou gostando nada disso… 😦

Bom, melhor ir pra cama né?! Pelo menos amanhã é domingo e da pra dormir, dormir, dormir, dormir… aiii que alegria!!!

:: Seleção para emprego ::


Tem coisa mais delicada do que seleção para emprego?! Se antes essa posição já era desconfortável, hoje com todo o fluxo de informação, a questão tomou proporções faraônicas e até os mais preparados correm o risco de passar por apuros e de repente sentir como se fossem a ameba da bosta do cachorro sarnento. Exagero?! Participa de uma seleção com pessoas extremamente preparadas que você vai entender tudo isso na prática.

Ano passado enviei meu curriculum para uma instituição de ensino de idiomas, poucos meses depois o responsável entrou em contato marcando um encontro, e é obvio que eu que eu fiquei soltando fogos e contando os dias para o tal encontro. No dia marcado lá estava eu e mais umas quinze pessoas, até então eu jurava que abalaria o bangu da língua inglesa, até que cada um começou a contar sobre as suas formações acadêmicas e experiencias profissionais e percebí que na verdade o negocio não seria tão confortável como eu pensei que fosse. Esse encontro não foi eliminatório, serviu apenas para uma rápida conversa sobre a proposta da  instituição.

Uma segunda reunião foi marcada e mais uma vez lá fomos nós! A tortura foi dividida em duas partes: na primeira nos foi apresentada a instituição e a metodologia de ensino da mesma, muita teoria e uma enchurrada de informações que deixava o clima cansativo. Na segunda etapa fomos informados que cada um receberia um assunto especifico que teria que ser explicado seguindo a metodologia de ensino da instituição. Dar aula não seria problema, afinal, já faço isso há um bom tempo. Falar inglês também não seria um bicho de sete cabeças, anos de estudo já tinham me dado uma certa fluencia, mas não há como sentir-se confortável quando sabemos que estamos na posição de análise, sem contar que a preparação de certos candidatos constrangia, mesmo sabendo que estavamos no mesmo nível de conhecimento. 

Chegou a minha vez… Ui! Frio na barriga! Pânico total! Quase que peço pra ir ao WC… Agora tinha que dar uma aula ao coordenador e mais 15 pessoas (os outros candidatos). As falhas e correções estavam sendo feitas alí mesmo, na frente de todo mundo, o que só aumentava ainda mais o nivel de stress. Dar aula para professores universitarios não era nada confortável, e pior ainda era pensar naquele cara que tinha dez anos de experiencia nos EUA ou naquele outro que tinha cinco anos de Inglaterra, alguns cursinhos feitos diretamente em Cambridge e um inglês tão perfeito que soava como melodia… Tive uma ideia!! Sem os óculos eu só vejo vultos, então, nada melhor do que tirá-los e fazer de conta que ninguém estava me olhando, que eu estava sozinha ali naquela sala e que nada nesse mundo seria capaz de me deixar nervosa e tímida. E lá fui eu… O resultado?! Um errinho aqui, outro alí, mas no final… acho que me saí bem. Até os finalmentes ainda teremos outros dois encontros, vamos torcer!